CFOs percebem sinais de recuperação

Os membros da Diretoria Vogal se reuniram na última sexta-feira (16) para mais um encontro, no restaurante Cantaloup. Antes de iniciar a rodada de discussões setoriais, a Diretoria do Instituto comunicou quatro informes relevantes para os associados:

Encontro Socioesportivo 2017 – Foi dada a largada para a 33ª edição do evento, que acontecerá entre os dias 14 e 18 de junho, no hotel Transamérica Comandatuba, na Bahia. As informações sobre o evento já estão no hotsite www.socioesportivo.ibef.net.br . “Há o seguinte ditado sobre o Socioesportivo: Quem foi uma vez nunca mais deixa de ir; e quem nunca foi não sabe o que está perdendo”, destacou Mario Pierri, ao fazer o kick-off do encontro para a Diretoria Vogal.

Fórum IBEF de Finanças – Iniciados os preparativos para o Fórum IBEF, informou José Cláudio Securato, presidente do Instituto. O evento, com data a ser divulgada em breve, abordará três temas clássicos de finanças: tesouraria, controladoria e ambiente fiscal.

Comissões Técnicas – Os CFOs devem incentivar seus times a participarem das Comissões Técnicas, destacou Luciana Medeiros, vice-presidente técnica do Instituto. Ela ressaltou que as comissões são fóruns voltados à discussão de temas relevantes e troca de experiências práticas, gerando conhecimento que engradece os profissionais.

Prêmio Golden Tombstone: O artista Osni Branco é o autor da escultura que será entregue ao vencedor

Prêmio Golden Tombstone – O novo prêmio do IBEF SP reconhecerá a melhor operação financeira do ano. As inscrições estarão abertas até 14 de outubro e deverão ser feitas por meio do site http://www.goldentombstone.ibef.net.br.

“Qualquer agente envolvido na operação (instituição financeira, escritório de advocacia, empresa de auditoria etc. – poderá realizar a inscrição, com o apoio da empresa”, ressaltou Carlos Bifulco, presidente da Comissão Julgadora do Prêmio. Bifulco fez uma breve homenagem a José Claudio Securato, presidente da Saint Paul Escola de Negócios, pelo apoio à iniciativa.

RODADA SETORIAL

Marco Castro, 1º vice-presidente do IBEF SP, conduziu a rodada de discussões setoriais entre os membros da Diretoria Vogal.

Saúde

Adolpho Cyriaco, diretor executivo do Grupo Fleury

Pela primeira vez, em 15 meses, o segmento de seguros e planos de saúde voltou a crescer, destacou Adolpho Cyriaco, diretor executivo do Grupo Fleury. Após um primeiro semestre forte, a expectativa é de crescimento moderado para o setor até o final do ano.

As operadoras de planos de saúde seguem pressionadas para fazer reajustes dos planos, pois o nível de utilização está muito alto, acrescentou Luis Andre Blanco, CFO da Odontoprev. Já o segmento odontológico, após andar de lado desde dezembro de 2015, registrou forte crescimento neste mês de agosto. Trata-se de um mercado com grande potencial no País.

Instituições financeiras

Aguinaldo Barbieri, gerente do Banco do Brasil

De forma geral, os bancos comerciais têm registrado menor apetite de crédito para pessoa física e pessoa jurídica,  informou Aguinaldo Barbieri, gerente do Banco do Brasil. A tendência esperada é de aumento da inadimplência. Os bancos estão de forma conjunta renegociando dívidas com as empresas, enquanto aguardam retomada do cenário econômico.

O mercado de capitais apresentou uma rápida retomada neste ano, voltando a patamares pré-2014, observou Barbieri. A grande novidade são as operações voltadas a pessoa física (CRI, CRA, debêntures de infraestrutura) – bolso que até então não era muito acessado pelas grandes corporações.

Varejo

Clóvis Poggetti Jr., CFO da Cielo

O mês de agosto não foi bom para o varejo, de maneira geral, informou Clóvis Poggetti Jr., CFO da Cielo, munido de dados mais recentes do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O varejo continua enfrentando forte oscilação, afetado pela variação dos índices de inflação dos segmentos, e até mesmo setores que até então registravam boa performance começaram a desacelerar.

Segundo Poggetti, o efeito positivo da Olimpíada foi localizado no Rio de Janeiro, e insuficiente para gerar impacto significativo no varejo nacional.

O crescimento do desemprego e a diminuição do poder de compra da população afetaram negativamente as vendas nos shoppings centers, apontou Vitor José Fabiano, que trouxe os dados mais recentes da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce). A inadimplência atingiu o patamar de 8,7%, e o índice de vacância está em 5,6% – desconfia-se que este número, na realidade, pode ser muito maior.

Hugo Bethlem, sócio-diretor da GS&MD

Mais confiança – O cenário econômico mantém-se adverso, contudo houve melhora em um dos principais pilares do consumo (emprego, renda, crédito e consumo), observou Hugo Bethlem, sócio-diretor da GS&MD. A confiança do consumidor, cujo aumento tem sido registrado nos últimos quatro meses, costuma ser o primeiro pilar a se recuperar em um cenário de retomada econômica, acrescentou o executivo.

Bethlem convidou todos a participarem da primeira edição do Sustenta Varejo – Fórum de Sustentabilidade para o Varejo. O evento acontecerá em 28 de setembro, no auditório GPA (Rua Capitão Pinto Ferreira, 225 – São Paulo). Clique aqui para mais informações.

E-commerce

Luis Carlos Cerresi, CFO do Walmart.com

Os CFOs ligados ao varejo destacaram a tendência de empoderamento do consumidor (marketing B2ME), que exige comunicação e ofertas cada vez mais personalizadas. Além disso, as mudanças de comportamento geradas com o crescente uso da tecnologia para tomar decisões e realizar compras já demonstram seu poder para as empresas.

Os dispositivos móveis serão um importante canal de crescimento futuro, e já respondem por 18,8% das vendas, ressaltou Luis Carlos Cerresi, CFO do Walmart.com. Ele observou que uma aposta das empresas para o futuro são os marketplaces (portais de e-commerce utilizados por diferentes empresas como canais de venda) e serviços conectados à venda de produtos.

Marcelo Giugliano, finance country leader da Amazon

O ganho de market share do comércio digital sobre o tradicional também foi apontado por Marcelo Giugliano, finance country leader da Amazon. Ele destacou que o segmento faturou R$ 22 bilhões, aquecido pelo aumento no número de consumidores que realizaram compras digitais no ano.

Giugliano observou também que o ticket médio de compra pela internet cresceu. Os clientes estão comprando produtos de maior valor no comércio digital, como bens eletrônicos e itens de vestuário. Melhora no atendimento e na qualidade dos fornecedores são vistos como fatores que contribuem para o crescimento desse mercado.

Energia

Britaldo Soares, conselheiro da AES

A demanda por energia apresentou, de forma geral, redução líquida de 3 a 4% nas regiões Sudeste e Sul do País, informou Britaldo Soares, conselheiro da AES. Nos últimos meses, aconteceram algumas flutuações positivas no consumo dos segmentos residencial e comercial, mais em função das mudanças de temperatura do que de uma recuperação real do setor, ponderou.

As distribuidoras convivem com um cenário de excesso de oferta de energia, situação que poderá se estender até 2020. Soares destacou ainda que o Governo sinaliza ações para trazer mais segurança jurídica e regulatória para o setor, fatores que, aliados à recuperação econômica, poderão favorecer um novo ciclo de investimentos.

Oportunidades de negócios – Maior conglomerado privado da China, a Fosun comprou o controle da gestora Rio Bravo – vista como um advisor para compra de negócios no Brasil. Charles Putz, sócio da Rio Bravo na área de private equity e infraestrutura, informou que se trata do primeiro investimento do conglomerado na América latina, e que a companhia está atenta a oportunidades de investimento em todos os setores.

Indústria

George Cavalcante, diretor financeiro da ITW do Brasil

George Cavalcante, diretor financeiro da ITW do Brasil, apresentou dados da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos – Abimaq. De forma geral, o segmento encolheu 32% em volume e valor desde o ano passado. Segundo os dados do setor, o patamar de operação está em 65%, apresentando alto índice de capacidade ociosa. A expectativa é de uma retomada lenta. Enquanto isso, os esforços têm se voltado para a inovação, com o lançamento de produtos e soluções que venham a atender novos clientes.

O mercado de aviação vive um momento estável, observou José Antonio Filippo, CFO da Embraer. No segmento comercial, com o fim das grandes campanhas no mercado americano, a tendência é de ordens menores e em geografia internacional mais dispersa. Na aviação executiva, há uma maior concentração no mercado americano (que hoje responde por 70% da demanda).

José Antonio Filippo, CFO da Embraer

No segmento de defesa, houve um aumento no volume de vendas de aviões para o mercado americano e também para o Oriente Médio. Para o setor, que trabalha com projetos de médio e longo prazo, a estratégia tem sido antecipar captações de recursos e ajustar despesas à demanda atual.

O mercado global de celulose apresentou retração nos últimos 12 meses, observou Eduardo de Toledo, diretor da Klabin. Mesmo com o Brasil ocupando posição privilegiada no setor, percebe-se que são tempos mais difíceis, observou o executivo. Já o segmento de caixas (de papelão ondulado) demonstra estabilidade ano contra ano. E, apesar da melhoria na performance dessa indústria registrada entre julho e agosto, os sinais de cautela ainda estão presentes. Toledo ponderou que há o começo de uma ascensão, mas o cenário de estabilidade ainda se mostra um pouco frágil.

Serafim de Abreu, CFO da IBM Brasil

Transformação – Todos os setores passam por um forte momento de transformação tecnológica, ressaltou Serafim de Abreu, CFO da IBM Brasil. Essa nova era, marcada pela ascensão da computação cognitiva, tem como protagonistas produtos flexíveis, escaláveis e tecnologicamente inteligentes. A tendência para as empresas será o foco na experiência do cliente e a busca por modelos de negócio diferentes dos tradicionais, apoiados por análise preditiva e informações extraídas de dados estruturados e não estruturados.

Ao encerrar a reunião, Keyler Carvalho Rocha avaliou que o encontro demonstrou um clima de maior esperança entre os executivos. Os sinais de reação do mercado interno e externo abrem a perspectiva para um futuro melhor, desde que, pontuou o presidente do Conselho de Administração do IBEF-SP, o Congresso faça a sua parte, contribuindo para a aprovação da agenda de reformas necessárias para a recuperação econômica do País.

Desafios do câmbio – “Quanto vale o Real?” é a “pergunta do milhão”, afirma o professor José Roberto Securato Jr, sócio-fundador da Saint Paul Advisors, em artigo sobre a movimentação do câmbio. Para acessar o texto, clique aqui: https://www.linkedin.com/pulse/quanto-vale-o-real-jose-securato

(Reportagem: Débora Soares / Fotos: Mario Palhares)