Executivos financeiros esperam que economia atinja ponto de inflexão em 2017

Mais de 60 executivos participaram do primeiro Almoço da Diretoria Vogal no ano.

Os CFOs veem sinais de melhoria no cenário econômico e torcem para que o pior tenha ficado para trás. Este foi o tom do primeiro almoço da Diretoria Vogal no ano, realizado na última quarta-feira (19).

Marco Castro, presidente da Diretoria Executiva do IBEF SP

A Diretoria Vogal é formada por um grupo de 80 executivos do IBEF SP. O órgão se reunirá a cada três meses com o objetivo de oferecer um panorama sobre a economia brasileira. Isso a partir das diferentes visões setoriais dos executivos que compõem o colegiado, explicou Marco Castro, presidente da Diretoria Executiva do IBEF SP e sócio da PwC, na abertura do evento.

¨Este é um excepcional começo para o trabalho deste grupo¨, ressaltou Rogério Menezes, CFO da Smurfit Kappa para Brasil, Argentina e Chile, ao constatar o recorde de mais de 60 executivos presentes em um único almoço da diretoria. Como 1° vice-presidente do IBEF SP, Menezes será responsável por conduzir as reuniões da Diretoria Vogal na gestão 2017-2019.

 

Setor elétrico: novos investimentos e consumo em recuperação

Francisco Morandi, CFO da AES Brasil

No setor elétrico, o evento mais marcante é o primeiro leilão de linhas de transmissão deste ano, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta segunda-feira (24), destacou Britaldo Soares, presidente do Conselho de Administração da AES Tietê e da AES Eletropaulo. O leilão, marcado pela volta de mais competidores ao setor, ofereceu 7.400 km de linhas, com a contratação de R$ 12,7 bilhões em investimentos.

Rinaldo Pecchio, diretor financeiro da CTEEP, acrescentou que o grande interesse das empresas pelo leilão se dá em função da taxa de retorno atraente, acima de 10% em termos reais. Número muito superior ao que era visto pelo mercado nos últimos anos. Pecchio acrescentou que a iniciativa contribuirá para a melhora na rede de fornecimento futura, contribuindo para que os projetos das indústrias possam ser levados à frente.

Do lado do consumo, Francisco Morandi Lopez, CFO da AES Brasil, adicionou que o setor elétrico deverá utilizar as usinas térmicas em patamar mais elevado, devido à intensidade de chuvas abaixo do esperado. Destacou ainda, que o consumo comercial e residencial começa a mostrar sinais de recuperação.

 

Turismo e hospedagem: cresce interesse dos brasileiros em viajar para o exterior

Flavia Buiati, diretora financeira do Grupo Rio Quente

Apesar da queda de faturamento global do setor em 2016 (receptivo e hospedagem), a expectativa para 2017 é mais otimista. Flavia Buiati, diretora financeira do Grupo Rio Quente, destacou que o crescente interesse do brasileiro em viagens internacionais deve colaborar para um crescimento previsto de 3% nas receitas do setor. O otimismo é corroborado por recente pesquisa da FGV, que registrou incremento de dois pontos na intenção de viagem dos brasileiros, com foco internacional.

 

Transporte aéreo: grande potencial, mas burocracia e falta de estrutura entravam

José Roberto Beraldo, CFO da Latam Airlines

O setor de transporte aéreo possui um grande potencial de crescimento, destacou José Roberto Beraldo, CFO da Latam Airlines. Contudo, este ainda é travado por questões como a inflação interna da estrutura de custos, novas regulamentações que aumentam custos para as empresas, e a ainda insuficiente infraestrutura aeroportuária para acompanhar o ritmo de crescimento do número de passageiros. De 2002 a 2015, o setor passou a transportar de 30 milhões para 100 milhões de pessoas, destacou Beraldo, ressaltando o grande potencial de crescimento.

 

Varejo: recuperação do consumo pode ser ponto de inflexão

Frederico Oldani, CFO da Cia. Hering

Após enfrentar dois anos seguidos de queda forte da receita nominal, o setor de vestuário ensaia uma recuperação em 2017. No primeiro trimestre, em especial março, o setor voltou a registrar crescimento do fluxo de pessoas nas lojas. Talvez comecemos a assistir um ponto de inflexão no consumo, observou Frederico Oldani, CFO da Cia. Hering. ¨Estamos relativamente otimistas e o começo deste segundo trimestre parece reafirmar essa tendência positiva¨.

 

Comércio eletrônico deve ganhar ainda mais espaço em 2017

Luis Carlos Cerresi, CFO do Walmart.com

O e-commerce brasileiro tem motivos para comemorar. Fechou 2016 com faturamento de R$ 44,4 bilhões, e crescimento de 7,4%, destacou Luis Carlos Cerresi, CFO do Walmart.com. A projeção do setor para 2017 é positiva: 12% de crescimento, com R$ 50 bilhões de volume financeiro. Os dispositivos móveis aumentaram sua participação como canal de compra: já respondem por 21,5% das vendas realizadas. ¨O prognóstico do setor é positivo, de voltar ao crescimento de dois dígitos neste ano¨.

 

Telefonia: empresas desempenham melhor após momento de racionalidade

Leonardo Rocha, CFO da Nextel

Todas as empresas do setor conseguiram gerar melhores resultados em 2016, após um esforço para reduzir a agressividade das ofertas, racionalizar custos e negociar com fornecedores. Contudo, o setor ainda vive um momento de racionalidade acentuada e busca mais eficiência, por meio do compartilhamento de estruturas entre as empresas, como torres, observou Leonardo Rocha, CFO da Nextel. Para 2017, as perspectivas são de melhores resultados e manutenção de investimentos.

 

Indústria emite sinais de recuperação gradual

Marcelo Bacci, CFO da Suzano Papel e Celulose

Marcelo Bacci, CFO da Suzano Papel e Celulose, destacou que o mercado de celulose registrou aumento de preços expressivos nos últimos seis meses, puxado pelo crescimento da demanda asiática acima do esperado. Para o segundo semestre, a perspectiva do setor é de queda de preços, devido ao aumento da oferta com a entrada em funcionamento de novas fábricas de alta capacidade. A produção está em patamar melhor do que nos últimos anos.

Sobre o mercado de papel, Bacci observou que nos primeiros meses de 2017 não houve crescimento de volumes em relação ao ano passado. A expectativa é que este mercado terá algum crescimento no segundo semestre, mas nada excepcional em relação a ano passado, completou o executivo. Em termos de faturamento, a previsão do setor é crescer 6%, mais em razão do aumento de preços do que dos volumes.

As expectativas para 2017 são boas, acrescentou Guillermo Avalis, CFO da Ecolab, organização que oferece soluções de produtos químicos a serviços de treinamento e auditoria para diversos setores. Dentre os setores atendidos, há sinais de aquecimento em lazer, turismo e varejo. O setor industrial ainda registra desempenho fraco, com uma recuperação mais lenta. Ao citar as tendências para o ano, Avalis destacou que os movimentos de consolidação, fusões e aquisições devem ganhar força.

 

Teconologia: recuperação é esperada em 2017 

João Paulo Seibel, CFO da Microsoft

Victor Sichero, CFO da Xerox, observou que as vendas do setor de tecnologia ligada a equipamentos de impressão tiveram recuperação no primeiro trimestre do ano. A retomada setorial, ainda que mais lenta, também foi constatada nos serviços relacionados a processos de negócios, como gerenciamento de impressão. ¨A perspectiva para o ano é positiva¨, afirmou o executivo.

Com relação a sistemas e software, Paulo Mendes, CFO da SAP, afirmou que os segmentos de subscrição e nuvem ganham força, à medida que as empresas têm questionado os custos associados à manutenção de máquinas e sistemas adquiridos. No primeiro trimestre de 2017, grandes empresas mostraram interesse em fazer projetos de longo prazo, de transformação digital, com a expectativa de colher os benefícios em dois anos. ¨É um sinal interessante de confiança na economia¨.

O desafio da redução de custos traz oportunidade para acelerar a substituição da tecnologia nas empresas, acrescentou João Paulo Seibel, CFO da Microsoft. Dentre essas oportunidades, destacou os projetos que utilizam computação cognitiva, tendência cada vez mais acelerada. O executivo observou ainda que os governos e as universidades têm sido pioneiros na adoção de novas tecnologias.

 

Brasil ainda não está na rota do investidor estrangeiro

Gilmar Camurra, sócio da Tesalia do Brasil

Para Gilmar Camurra, sócio da empresa de investimentos Tesalia do Brasil, o risco-país ainda tem afastado os investimentos estrangeiros, sobretudo europeus, no tocante à área de tecnologia e telecomunicações. ¨O risco-país é um fator muito relevante, e dependendo do órgão investidor, o fato de o Brasil não ter grau de investimento dificulta¨. Por outro lado, Camurra acrescentou que há sinais consistentes de recuperação no desempenho de diversos setores econômicos. ¨Esperamos que esses sinais positivos cheguem aos investidores estrangeiros¨.

 

Saúde e bem-estar: Desemprego afeta a recuperação de serviços

Mauro De Marchi, CEO da Sodexo Pass do Brasil

Mauro De Marchi, CEO da Sodexo Pass do Brasil, destacou que o alto nível de desemprego ainda atinge o setor de serviços ligados a alimentação e qualidade de vida. O setor encolheu 7% no ano passado e ainda não enxerga uma forte recuperação para 2017. Um fato positivo é que o cenário de crise favoreceu a movimentação de mercado: clientes de empresas menores, que não conseguiram ter sua demanda atendida, estão migrando para grandes fornecedores. O crescimento do setor neste ano se deverá muito em função desse movimento de mercado, ainda que a retomada seja mais lenta.

Com crescimento diretamente ligado aos índices de emprego, o setor de planos de saúde também foi impactado pela redução no número de carteiras assinadas e o aumento de custos, que tem espremido as margens das empresas, observou Luis Andre Blanco, CFO da OdontoPrev, ao informar dados gerais sobre o setor de saúde. Entre março de 2016 e março de 2017, os planos de saúde perderam, aproximadamente, 1 milhão de beneficiários.

Já o segmento de planos odontológicos caminha na direção oposta: aumentou 1,5 milhão de beneficiários nos últimos 12 meses. A projeção para 2017 é positiva, com a expectativa de desaceleração no número de demissões. Os produtos massificados são vistos como uma grande oportunidade de crescimento, voltados ao público individual e de pequenas empresas.

 

Gestão de frotas: setor cresce em dois dígitos

Renata Theil, diretora financeira da LeasePlan

O setor de gestão de frotas também vive ótimo momento. 2016 foi um ano excelente para este mercado, que registrou 30% de crescimento. O segmento tem se beneficiado da busca das empresas por redução de custo, observou Renata Theil, diretora financeira da LeasePlan. Para 2017, o setor altamente pulverizado e competitivo (cerca de 8 mil empresas atuantes) espera atingir uma expansão ainda maior.

 

Conclusão

Luis Felipe Schiriak, diretor da New Haven

O vice-presidente do Conselho de Administração do IBEF SP, Luis Felipe Schiriak, diretor da New Haven, destacou que esta foi a primeira reunião da Diretoria Vogal em que os participantes emitiram sinais de recuperação dos setores econômicos, após um longo período. Concluiu que a volta dos níveis de preços a patamares melhores para as empresas deixa uma mensagem mais otimista para 2017. A expectativa é que o próximo trimestre consiga solidificar esses sinais de melhoria, há tempos não vistos.

(Reportagem: Débora Soares / Fotos: Mario Palhares)