Headhunters oferecem dicas de carreira para executivas

Participantes do bate-papo com executivos da Talenses

O IBEF Mulher realizou na última quinta-feira (18) um bate-papo sobre carreira com os especialistas João Marcio Souza, Alexandre Benedetti, Felipe Brunieri e Rodrigo Vianna, da Talenses Executive Search. Os convidados esclareceram as principais dúvidas das executivas relacionadas ao momento do mercado para contratações e uma boa performance nas entrevistas com headhunters.

Conjuntura vs. mercado de trabalho

Recrutamento é termômetro do cenário econômico

Mudança de conjuntura – O negócio de recrutamento é um termômetro que acompanha a situação econômica do País, destacou João Marcio Souza, sócio fundador da Talenses, ao observar as mudanças de cenário na última década.

Se em 2007 o cenário era de um ¨mercado de candidatos¨, em que havia grande oferta de vagas, empresas com mais pressa e critérios reduzidos para selecionar candidatos, hoje a realidade é outra. Atualmente, há um mercado de vagas, com uma oferta muito grande de candidatos e as companhias apresentando um processo mais moroso e criterioso para contratar.

Para posições gerenciais com nível salarial a partir de 25 mil reais, o processo de contratação pode levar 1 ano ou mais para ser concluído. João Marcio observa que o período mais extenso é consequência de um maior compartilhamento de risco interno por parte das empresas contratantes, que passaram a envolver um número maior de pessoas na tomada de decisão. ¨Há muitos profissionais disponíveis no mercado e as empresas demoram mais para decidir¨.

Quem mais contrata – Os setores que mais têm contratado executivos nos níveis de alta e média gerência são: consumo, luxo, varejo, TI e telecom, e farmacêutico. ¨Eles responderam por 60 a 70% das posições que a Talenses fez de 2013 a 2016¨, informou Alexandre Benedetti, diretor da empresa de recrutamento. Vale notar que no primeiro trimestre de 2017 foi observada uma retomada das contratações no segmento industrial, o que não se via nos últimos anos.

Com relação à participação feminina, Benedetti chamou atenção para um dado: as estatísticas expõem a tendência de que quanto maior a senioridade do cargo, menor o volume de mulheres contratadas. Por exemplo, de todas as posições de diretoria abertas nos últimos quatro anos, apenas 18% foram conquistadas por mulheres.

Competências desejadas – As competências mais solicitadas pelas empresas para os candidatos a posições executivas (não só em finanças) incluem: organização, agilidade, criatividade, inglês, visão estratégica, efetividade, influência e resiliência.

A demanda por algumas competências tende também a mudar com o momento econômico, observou Benedetti. Por exemplo, se entre 2010 a 2012 estavam em alta os profissionais com visão para a estruturação financeira de projetos de grande porte, de 2015 a 2016 o foco passou para gestores com sólido perfil de hard finance, com visão de negócios.

Da esq. p/ dir.: Alexandre Benedetti, Rodrigo Vianna, Felipe Brunieri e João Marcio Souza

O que as lideranças esperam de 2017 – Pesquisa da Talenses realizada em março deste ano, com 300 profissionais em cargos de liderança (28% eram mulheres), apontaram algumas tendências importantes. Para 34% dos respondentes, suas empresas pretendem fazer substituições no quadro de executivos até o final do ano (turnover forçado de 20% do quadro, em média).

Questionados sobre qual seria o maior desafio para 2017 (além das crises politica e econômica), ¨motivar a equipe¨ (42%) e ¨aumentar a produtividade com orçamento reduzido¨ (36%) foram os dois itens mais mencionados pelos líderes. Para a maioria das lideranças, as principais metas deste ano serão ¨aumento de lucro¨ (36%) e ¨aumento de produtividade¨ (28%).

Vale registrar o maior otimismo em relação à performance das empresas. Para 56% das lideranças, os resultados de sua companhia em 2017 serão melhores que no ano anterior. 32% afirmam que será igual ou similar, e apenas 12% preveem uma piora.

Qualidades valorizadas – As três características mais importantes para um líder, na avaliação dos respondentes, são: resiliência (49,4%), influência (39,6%) e trabalho em equipe (39,3%). Em seguida, vêm flexibilidade e boa comunicação.

Da mesma forma, as duas experiências ou conhecimentos que consideram mais importantes no momento para executivos (independente da área) são: experiência em situação de crise (86,8%) e conhecimento em finanças (43,2%). Em seguida, aparece conhecimentos em técnicas de produtividade (42%).

¨A experiência em momentos de crise foi motivo para a substituição de muitos CFOs nos anos recentes. Nesses momentos, o executivo financeiro vira a âncora dos negócios, todos prestam atenção ao que ele tem a dizer. Ele se torna o braço direito do CEO¨, ressaltou Benedetti. ¨Não é à toa que muitos líderes financeiros estão se tornando presidentes de empresas¨.

O CFO terá que evoluir para CPO

Com relação às tendências para o perfil do CFO, que o mercado demanda, o diretor da Talenses destacou as seguintes características:

Suporte à estratégia e viabilizador de negócios: conhece o business e é capaz de traduzir o que o acionista quer para o dia a dia da empresa;

Transparência e acuracidade das informações gerenciais: é um bom comunicador e consegue transmitir aos stakeholders internos e externos o que impacta o negócio.

Gestão de risco e eficiência: mudou seu paradigma do viés de tentar controlar riscos para a gestão de incertezas. Com a ajuda da tecnologia (big data e analytics), consegue prever os fatores que poderão afetar o negócio e atuar para minimizá-los.

– Inovação e tecnologia: É interessado no tema e utiliza a tecnologia como uma ferramenta para gerar mais eficiência operacional para empresa.

CFO x CPO: Evoluiu de CFO para CPO (Chief Performance Office). Combina o conhecimento dos números da empresa com a visão estratégica de negócio.

 

Dicas para evoluir na carreira e acertar na entrevista com o headhunter

Os especialistas convidados destacaram algumas dicas para as executivas:

Planejamento é fundamental para atingir metas

Planeje sua carreira: Reflita sobre a posição em que deseja estar nos próximos anos e trace o caminho para atingir este objetivo. Entenda qual é o seu principal motivador de carreira e o que está disposta a fazer para atingir seu objetivo maior.

Planeje seus projetos: Após definir as metas que deseja atingir, avalie e alinhe com a empresa atual ou a para qual está se candidatando se ela poderá oferecer as condições ou oportunidades que você necessita.

Esteja sempre atualizada: Obtenha todas as ferramentas que a ajudarão a chegar lá: conhecimento sobre o mercado, o negócio e a cultura da companhia; networking qualificado; atualizar e agregar novos conhecimentos por meio de palestras e cursos.

– Acompanhe e avalie seus resultados: Em uma entrevista de emprego, é fundamental saber enumerar os resultados positivos e negativos de suas experiências, não apenas em termos quantitativos, mas também de qualidade – como contribuiu para aprimorar a gestão e ajudou a desenvolver pessoas.

Ouça feedbacks: Mostre-se interessada em saber o que as pessoas têm a dizer sobre você e extraia os aprendizados das críticas construtivas.

Como fazer a diferença no momento da seleção? Alexandre Benedetti destacou alguns aspectos que certamente deixarão uma boa impressão no recrutador nas etapas de preparação e execução da entrevista.

Na etapa de preparação para a entrevista, é importante se atualizar em relação ao cenário macro e microeconômico e seus reflexos sobre a empresa contratante, estudar a cultura, posicionamento e oportunidades oferecidas pela companhia, e preparar boas perguntas. Certamente são atitudes que vão ajudá-la a se sentir mais confiante e gerar um impacto muito positivo.

Já para o momento da entrevista (execução), a dica é valorizar a sua imagem pessoal, que é o seu maior cartão de visitas. Seja pontual e demonstre um bom ânimo (evite os dias da semana em que costuma estar de mau humor, apática ou estressada). Negocie antecipadamente com o headhunter o script da entrevista (duração, pontos de interesse, roteiro).

Também é importante dominar profundamente sua história pessoal (ter consciência sobre suas entregas nas companhias por onde passou, pontos fortes e fracos) e adequar o storytelling ao seu interlocutor (a abordagem que interessa ao RH pode ser bem diferente da que irá impressionar um CEO). Outra dica é demonstrar real interesse e motivação por aquele projeto.

¨Antes de tudo, procure entender se você é ou não um candidato, ou seja, se já encerrou um ciclo na empresa e realmente necessita ir a mercado. Muitos profissionais se ¨queimam¨ por fazerem aventura, participarem de processos apenas para testar seu valor no mercado¨, alertou João Marcio Souza.

 

Empoderamento feminino

Aliança estuda e difunde melhores práticas de empoderamento feminino nas empresas

A última parte da reunião, conduzida por Rodrigo Vianna, foi dedicada a apresentar o trabalho da Aliança para Empoderamento da Mulher, da qual é fundador. O projeto nasceu em 2011 e atualmente reúne 12 empresas que estudam e aplicam as melhores práticas de empoderamento feminino, mensurando seus resultados de forma a construir métricas confiáveis para o mercado.

A iniciativa possui quatro projetos, baseado nos princípios de empoderamento das mulheres defendidos pela ONU. São eles: estudos sobre desligamento de mulheres nas organizações (trabalho conjunto com FGV); estudos sobre remuneração das mulheres (em parceria com a Fundação Dom Cabral), desenvolvimento de métricas sobre presença de mulheres nas empresas (em parceria com o Insper) e um estudo de mentoring e coaching (que gerou um guia de referência para o mercado).

A cada seis meses, o grupo reúne os CEOS das empresas participantes para discutir os resultados dos estudos e apresentar a evolução das métricas.  Atualmente, a iniciativa busca quatro grupos brasileiros de diferentes nichos (varejo, bancário, indústria etc.), para unirem-se ao projeto.

¨O trabalho da Aliança é influenciar o mercado. Queremos que outras empresas entendam que existe uma verdadeira biblioteca de boas práticas de empoderamento, da qual elas poderão se apropriar e utilizar¨, destacou Vianna. O sócio-fundador da Talenses apresentou o programa desenvolvido pela recrutadora para auxiliar as empresas a pautarem o tema internamente e adotarem ações efetivas para aumentar a participação feminina em cargos de gestão.

 

(Reportagem: Débora Soares / Fotos: IBEF SP)