Precisamos desenvolver o autoconhecimento e a objetividade na comunicação, aconselha a Senior VP e Board Member do Grupo NC

Reconhecida como uma das executivas mais importantes do País, Claudia Elisa Soares foi a convidada do Encontro com CEO, realizado pelo IBEF Mulher, no dia 13 de junho, na Saint Paul (unidade Vila Olímpia). Durante o evento, Claudia demonstrou que a busca pelo aperfeiçoamento contínuo – seja técnico, de desenvolvimento humano ou de oratória executiva –  a blindaram das barreiras que as mulheres tendem a enfrentar nas corporações.

“O que você pensa, você realiza. Não se coloque no lugar de vítima. Pesquisas demonstram que as mulheres são interrompidas mais vezes durante uma reunião. Isso aconteceu até com a candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton. Não podemos ignorar que, em geral, o gênero feminino usa mais palavras para falar a mesma coisa que um homem. Por mais que deva existir respeito pelas diferenças, vejo que é importante desenvolvermos a objetividade na comunicação”, aconselha.

Dedicação – Ocupante da posição de Senior Vice President – Strategy, Performance Management and People – e Board Member do Grupo NC (detentor da farmacêutica EMS e de outros negócios em mídia, incorporação imobiliária, energia e saúde), Claudia também é conselheira independente da TOTVS e atua como conselheira da Secretaria de Gestão da Prefeitura Municipal de São Paulo (pro bono). Com mais de 28 anos de experiência e atuação na Inglaterra, Alemanha e Venezuela, Claudia tem no currículo grandes empresas: Arezzo, Fnac, Votorantim, Via Varejo, Grupo Pão de Açúcar, Ambev (onde atuou 17 anos), entre outras.

Filha de imigrantes portugueses, a executiva carioca recebeu desde cedo o apoio da mãe para estudar. Formada em piano e canto clássico pelo Conservatório de Música do Rio de Janeiro e graduada em Administração pela PUC – RJ, Claudia também conta com MBA pelo INSEAD (Instituto Europeu de Administração de Empresas), MBA em Recursos Humanos pela FIA-USP e curso de formação em Board Member pela Harvard Business School e pelo IBGC. Além de Português, Claudia fala inglês, espanhol, francês e alemão.

Escolhas – Claudia diz que sempre quis trabalhar em empresas que são referência. “Preferi estar em lugares com gente melhor do que eu, que ensinavam modelos e referências. Todas as empresas em que trabalhei foram por escolha, para sentir ‘frio na barriga’. Nunca quis ter olho em terra de cego”, brinca. Ela conta ainda que preferiu posições ligadas à transformação e que deixassem um legado. “Aproveito as oportunidades de mudança para crescer. Eu tenho consciência que possuo muita energia, que gosto de decidir e de transformar”.

A executiva diz que sempre abraçou as oportunidades de mudança de lugares e áreas de trabalho, por trazerem crescimento na empresa e na carreira. Na sua trajetória na Ambev, por exemplo, Claudia mudou-se 10 vezes. No GPA, foram três cargos em diferentes áreas em cinco anos. “É bom ganhar dinheiro, mas o mais importante é construir e deixar um legado”.
Casada há 21 anos e mãe de três filhos, Claudia também teve que se equilibrar entre a vida profissional e a pessoal. “Quando estava na Ambev e recebi o convite para assumir o cargo de Diretora Financeira na Venezuela, meu filho tinha dois meses. Sempre recebi muito apoio do meu marido”, notou a executiva. “Fico preocupada com os filhos nos processos de mudança, mas ele me apoia muito dizendo que está tudo bem. Me deixa com culpa zero”.

Aprendizados – “Você está onde você se coloca. Com seus pensamentos, você cria sua realidade! Por isso, crio um modelo mental com uma abordagem positiva. Se tenho um problema e não consigo encontrar soluções, sei que preciso dormir mais. Já conheço o meu corpo e, por isso, consigo ajudar a minha mente e o meu espírito”, explica a executiva, que diz ter aprendido a observar as sutilezas, inclusive nas relações, por intermédio do estudo da música.

A executiva também afirma que o autoconhecimento a fez entender a importância de estar presente e ser livre. “Pessoas com melhor autoconhecimento decidem o que querem fazer, são mais livres e podem até abandonar um trabalho. Muitas empresas não querem que as pessoas sejam tão livres. Mas eu prefiro transmitir isso aos meus times. As pessoas não deveriam ficar na empresa apenas para pagar as contas no fim do mês; têm que estar ali porque querem”, diz a executiva, que cultiva o sentimento de gratidão e o hábito de rezar todos os dias.

Claudia afirma não ter vergonha de falar que já foi demitida, pois acredita que novas portas vão se abrir e trazer novos aprendizados. “Podemos avaliar o que poderia ter sido feito diferente. Geralmente, há uma conjuntura de fatores para uma demissão. Um terço é do contexto, um terço do chefe e um terço é seu”.

O que o RH busca nos profissionais?  – Como a executiva já ocupou diferentes níveis na área de recursos humanos, ela foi questionada sobre o que faz a diferença em cada etapa da carreira: entrante, gerencial e diretoria. “Nos jovens,  vejo que atualmente falta capacidade analítica. Eles fazem tudo rápido e ao mesmo tempo, mas não fazem nada tão profundamente. Os gerentes precisam ter uma visão mais holística, integrada e ampla. Já um diretor precisa de visão estratégica e saber incorporar nas discussões um olhar de fora para dentro. E, em qualquer nível, é preciso saber fazer as perguntas corretas. O fato é que não existe jovem, gerente ou diretor que vai ficar bem no mercado se não estiver aberto à inovação”.

A executiva, que é membro de Conselhos desde 2013, diz que essa posição exige outra postura e as perguntas devem ter um tom diferente. “É importante perceber que cada membro exerce um papel diferente no Conselho”.

Filosofia Tolteca – Claudia concluiu a sua apresentação recomendando o livro os “Quatro compromissos da filosofia Tolteca”, escrito por Don Miguel Ruiz, que trata sobre a filosofia dos toltecas, povo que precedeu os astecas e dominou grande parte do México central entre os séculos X e XII.

Os quatro compromissos são os seguintes: 1- seja impecável com a sua palavra (evite usar a palavra contra você mesmo ou para comentar sobre os outros); 2- não leve nada para o lado pessoal (o que os outros dizem e fazem é a projeção de sua própria realidade e, quando você está imune às opiniões, não será vítima de sofrimentos desnecessários); 3- faça perguntas e não julgamentos (encontre coragem para expressar e perguntar aquilo que realmente deseja e comunique-se o mais claramente possível para evitar mal entendidos); 4- sempre faça o seu melhor (seu melhor pode mudar de momento a momento; será diferente estando você saudável, ou doente, mas em qualquer circunstância, faça seu melhor para evitar autojulgamento e arrependimento).

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