Prêmio Golden Tombstone: Emissão de novos bonds da Petrobras é eleita a melhor operação financeira de 2018

O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (23), durante a cerimônia de entrega do Prêmio Golden Tombstone IBEF-SP 2018, que aconteceu no Hotel Hilton. Realizada pelo segundo ano, a premiação tem por objetivo reconhecer as empresas e agentes envolvidos nas melhores operações financeiras de captação de recursos do Brasil.

“Esse tipo de premiação representa a pura crença do IBEF-SP e de seus associados na economia brasileira, em nosso País”, destacou na abertura Marco Castro, presidente da Diretoria Executiva do Instituto e sócio da PwC, empresa patrocinadora desta edição.

As 35 operações inscritas totalizaram negócios de R$ 143 bilhões, envolvendo mais de 100 entidades, destacou Carlos Alberto Bifulco, idealizador do Prêmio. Somente as nove finalistas, três por categoria da premiação (Equity, M&A e Debt), totalizaram R$ 67 bilhões.

“Todas as operações finalistas são de alta qualidade. Foi um trabalho de avaliação difícil e criterioso, e houve pouca diferença nas notas finais. Assim, todas podem se considerar vencedoras de certa forma”, completou Bifulco, que é presidente da Comissão Julgadora do Prêmio. Inovação, complexidade e criação de valor foram os aspectos de maior peso na avaliação das estruturas.

Eleita a melhor operação do ano, a emissão de títulos de dívida da Petrobras também foi a laureada na categoria Debt. A petrolífera emitiu novos bonds no valor de US$ 9,6 bilhões, no primeiro Exchange Offer “acelerado” (concluído em cinco dias) realizado por um emissor latino-americano e o segundo feito globalmente.

“A Petrobras vem, nos últimos dois anos, em uma estratégia de melhorar o perfil de sua dívida. Essa operação coroa essa estratégia. Ficamos bastante felizes com ela, e só temos a agradecer a vocês e a toda equipe da Petrobras e aos bancos que coordenaram a operação¨, afirmou Larry Cardoso, gerente geral de empréstimos e financiamentos da empresa, que representou o CFO, Ivan Monteiro, no recebimento do troféu. A operação envolveu as instituições financeiras Banco do Brasil, Bank of America, Citibank, Crédit Agricole, HSBC, J.P. Morgan e Santander.

Mais premiações – A operação de IPO da Azul S.A., com dupla listagem (Brasil e EUA), foi eleita a melhor na classe “Equity”. Joanna Portella, diretora jurídica da Azul S.A., destaca a satisfação pelo reconhecimento, em nome de todo o time que participou da oferta pública inicial da empresa, realizada em abril de 2017. “Como todo o mercado sabe, foram algumas tentativas que fizemos ao longo dos anos, e, finalmente, realizamos uma oferta bem-sucedida, muito bem recebida na época. É muito gratificante.”

Na categoria de M&A, a premiada foi a operação de fusão entre a Locamerica e a Unidas. José Azevedo, diretor de novos negócios e DRI da Locamerica, destaca o orgulho pela equipe. “É o reconhecimento de um trabalho que teve muita gente envolvida; a premiação dessas pessoas, principalmente. Nós, executivos, somos mais figurantes no negócio, um papel institucional, fazemos as coisas acontecerem, mas há todo um time por trás. Então, é muito legal receber este prêmio representando eles”, disse, acrescentando que a Locamerica, em sua história de 25 anos, foi reconhecida de uma forma muito gratificante.

Debate – O evento contou também com um debate sobre M&A e mercado de capitais, mediado por José Securato, sócio-fundador da Saint Paul Advisors, com representantes de um escritório de advocacia, uma empresa de investimento privado e um banco.

Ao falar sobre as perspectivas para o País, Fernando Meira, sócio da área empresarial do escritório Pinheiro Neto Advogados, destacou que o panorama institucional vem melhorando, no sentido de reduzir entraves para os investimentos. ”Todo mundo sabe o que precisa ser feito, do ponto de vista de dar mais segurança para o investidor. E o Brasil tem buscado se espelhar em legislações mais modernas de outros países, vemos a crescente preocupação com o compliance”, observou.

Meira acrescentou que espera-se um ponto de inflexão nas eleições presidenciais de 2018. “Acho que vamos conseguir evitar o buraco, e eleger alguém que vai melhorar o País”, notou. “Com a combinação de empresas fazendo as coisas certas, e o País na direção certa, acredito que teremos um novo ciclo de investimentos chegando.”

Flavio Correia, diretor de investimentos da Península Participações, destacou o potencial empreendedor do País e o capital disponível para investimentos. “Se pensarmos em empresas de Private Equity e Venture Capital no Brasil, o bolo de investimentos soma R$ 150 bilhões. Desse total, R$ 100 bilhões já foram investidos no País, e R$ 50 bilhões estão esperando para entrar, em busca de bons projetos”, notou, ao destacar que esse mercado corresponde a apenas 0,3 a 04,% do PIB brasileiro, enquanto nos EUA já chega a 2,5% do PIB.

Correia ressaltou que o investidor busca o ROI (Retorno Sobre Investimento), e que, se isso existe, há felicidade na relação. ¨Nesse sentido, o CFO é o elemento fundamental, o melhor amigo do investidor. Mas, do ponto de vista do líder de finanças, não bastam as hard skills. O salto é quando o CFO se coloca como dono do negócio – entende da empresa (as outras áreas, além da financeira) e é capaz de entender a dinâmica do mercado. Se esse CFO consegue dar esse passo, ele é sinônimo de sucesso para nós.¨

Eduardo Miras, managing director e head de investment banking no Citigroup, complementou o recado final aos CFOs: “Cash is king. E dinheiro barato é o que está disponível”. Em seu comentário sobre a demanda por M&A e papéis de empresas brasileiras, Miras ressaltou que o Brasil está bem posicionado, em comparação a outros países da América Latina, como México e Argentina.

“A grande vantagem do Brasil é a escala. Temos um mercado muito grande, profundo e líquido, com diversidade de companhias e setores, que permite movimentos de consolidação. E há uma onda de muita inovação e tecnologia que não víamos há algum tempo, com fintechs, venture capital… Então, não há dúvida de que, em termos de América Latina, o Brasil está numa posição muito privilegiada. E os investidores reconhecem isso”.

 

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