5 elementos para ter sucesso na Carreira Corporativa

fevereiro 13, 2017 4:34 pm Publicado por

Encontro de mentoring com o CFO do Walmart.com reuniu 24 participantes

Quando começou a trabalhar aos 15 anos, vestindo um jaleco branco e com os conhecimentos adquiridos em um curso técnico em eletrônica, Luis Carlos Cerresi olhava com admiração para os executivos engravatados que o observavam do alto da fábrica de uma multinacional, enquanto ele montava as peças de mais um computador. Algumas décadas e um par de diplomas depois (em Administração e Direito), Cerresi voltaria ao mundo da tecnologia, também em uma multinacional. Só que desta vez como executivo e líder de finanças de uma das maiores empresas de ecommerce do País.

Luis Carlos Cerresi, CFO do Walmart.com

O CFO do Walmart.com foi o segundo mentor convidado para o programa de mentoring do IBEF Jovem em 2017. O encontro, realizado na última quarta-feira (09), reuniu 24 participantes – maior público registrado até o momento. Indicadores que refletem o interesse crescente dos profissionais pela iniciativa e a qualidade dos mentores convidados, executivos de finanças membros do IBEF SP.

A diferença entre o mentor e o pupilo está no fato de o primeiro ter apenas “um pouco mais de quilometragem” que o segundo, observou Cerresi, ao congratular a iniciativa do IBEF Jovem em criar um programa que conecta profissionais em estágio inicial de carreira com executivos mais experientes.

Em um bate-papo que durou quatro horas, Cerresi contou aos jovens executivos o que foi mais importante para que ele conseguisse evoluir em cada etapa profissional e superar desafios. No centro da narrativa, estavam presentes cinco elementos decisivos, segundo o CFO, para que sua carreira corporativa fosse bem-sucedida. Nesta matéria, elencamos os principais aprendizados:

1)     Valores (Quem você é?)

Autoconhecimento ajuda a guiar decisões

Luis Carlos Cerresi ressaltou que conhecer os próprios valores é fundamental. “Os valores começam na criação e são desenvolvidos no processo de maturidade: são os princípios pessoais que você não abre mão, aquilo que considera ético, certo e errado. Você consegue identificá-los através do autoconhecimento: experimentando, mudando atitudes e fazendo o que gosta”.

De acordo com o CFO, o autoconhecimento ajudará o profissional a tomar melhores decisões na vida pessoal e profissional. “Quando escolher uma empresa para trabalhar, é importante saber se os valores daquela corporação se encaixam aos seus.  Ás vezes não é você que não é bom para a companhia, mas a empresa que não é boa para você. O mesmo vale para os relacionamentos”.

Como exemplo, Cerresi citou a decisão de sair de seu primeiro emprego na vida executiva, após quatro anos como trainee do prestigioso Banco Chase Manhattan, por perceber que não se identificava com o ambiente extremamente competitivo da organização. “Você precisa ter coragem para mudar. Eu sabia que era uma ótima empresa, mas não estava compatível com meus valores”.

Outra dica valiosa é abrir a mente e não limitar a sua identidade ao “sobrenome corporativo”. “O cargo, seja ele de CFO, diretor, gerente ou analista, é apenas um rótulo que identifica a posição de uma pessoa na empresa. Eu não ‘sou’ CFO, eu ‘estou’ CFO. Cada indivíduo é muito mais rico e complexo do que o seu título em uma companhia”, acrescentou Cerresi.

2)     Conteúdo

Início da carreira é melhor momento para aprender

Outro ponto importante para o sucesso do executivo é a absorção de conhecimento. Cerresi afirmou que aprender é importante em todas as etapas da carreira, mas deve ser um processo intenso para os jovens que estão começando a vida corporativa. “O domínio do conteúdo técnico é muito importante para as empresas, e o início de carreira é o melhor momento para acumular aprendizados, experimentar”, disse o CFO. O conteúdo pode ser adquirido de várias formas: na vida acadêmica, no trabalho e participando de associações como o IBEF SP.

As graduações em Administração e Direito, somadas à pós-graduação em Direito Tributário, renderam a Cerresi o convite para ser advogado estrategista da Dow Chemical. Além do planejamento tributário da companhia, ele deveria fazer operações de fusão e aquisição. Mesmo sem ter conhecimento profundo sobre M&A, Cerresi agarrou a oportunidade e fez um treinamento em Nova York pela empresa. “Você pode aprender qualquer coisa, é só se dedicar e estudar. Eu não sabia fazer fusões e aquisições, mas fui contratado porque tinha potencial. Quando voltei do treinamento, continuei aprendendo e fiz importantes operações para a empresa, como as da Union Carbide e da Dow AgroSciences”.

Contudo, para crescer no mundo corporativo, não basta o conhecimento sem a habilidade de comunicação, alertou Cerresi. “A lição mais importante – e que você tem que começar logo – é aprender a se posicionar em uma reunião. Se você é aquela pessoa que ‘entra muda e sai calada’, não direciona uma decisão, não contribui para o debate, ninguém vai saber quem você é. Você estará se anulando”.

3)     Expressão

Crie “laboratórios” para aprimorar suas habilidades

Cerresi destacou que a habilidade de se posicionar perante uma audiência nada tem a ver com o perfil de ser uma pessoa extrovertida ou introvertida. E citou a si mesmo como exemplo: mesmo se considerando um indivíduo introvertido, perdeu as travas da timidez de falar em público na época da faculdade. Sua participação no movimento estudantil o ajudou a desenvolver a capacidade de oratória. Foi um dos fundadores e presidentes da Federação Nacional dos Estudantes de Administração (Fenead).

“Eu usei a faculdade como um laboratório para experimentar e desenvolver minhas habilidades pessoais. Se você já saiu da faculdade, não há problema: você pode utilizar associações, a exemplo do IBEF SP, como laboratórios para desenvolver suas competências, liderando um projeto, participando de uma comissão técnica. É um ambiente em que você estará protegido para se aprimorar e levar os aprendizados para a vida corporativa”, aconselhou Cerresi.

Cerresi destacou dois momentos de sua carreira em que a habilidade de comunicação somada à atitude foram decisivas. O primeiro, já como executivo financeiro na multinacional Dupont, foi quando se voluntariou perante o CFO do negócio de tintas automotivas para trabalhar na unidade de Guarulhos (vista na época como de difícil acesso). Sua iniciativa acabou lhe rendendo a oportunidade, oferecida dias depois pelo CFO, para substituí-lo no cargo. Outro momento decisivo foi quando vislumbrou a chance, durante um intervalo de cinco minutos em um evento de apresentação de resultados, para conversar com o CFO global da companhia e se colocar à disposição para ser considerado em oportunidades futuras. Ele foi lembrado. Seu bom trabalho na unidade de Guarulhos e sua iniciativa lhe renderam a oportunidade para ser CFO do negócio agrícola da Dupont na Europa, em Genebra.

“Todos os profissionais devem aprender a se expressar, perder o medo de se expor e fazer algo diferente. Vocês estão em uma fase em que não têm a obrigação de saber tudo; às vezes é preciso arriscar. Agora é a chance de errar”, completou Cerresi. “Mas é preciso se preparar e mostrar conteúdo”.

4)     Relacionamento

Descubra a agenda de pessoas-chave

Cerresi destaca que o profissional que não é expert em uma área, mas se relaciona bem com o time, pode ser mais cotado para uma promoção do que o especialista que passa por cima dos colegas para atingir seus objetivos. “Relacionamento é extremamente importante.  Ás vezes, aquele executivo não sabe tudo, mas o que ele sabe consegue potencializar e trazer para o time. Na balança das oportunidades, ele acaba tendo vantagem”.

Para Cerresi, o relacionamento é algo mais profundo do que fazer networking. “É criar laços com as pessoas, deixar uma marca positiva nelas.  Nem sempre é possível cultivar isso com todos os profissionais que você conhece, mas faça isso pelo menos com aqueles que fazem parte do seu dia a dia”. O bom relacionamento deve ser praticado em todas as direções da cadeia hierárquica da organização: com quem está acima de você, abaixo e dos lados, completou Cerresi.

O bom relacionamento abre portas. Cerresi lembra que na época em que fez sua transição profissional da Dupont para a Cielo, quando já estava de volta ao Brasil, a oportunidade de ser diretor financeiro da corporação de meios de pagamento lhe foi apresentada por um executivo de outra empresa, que ele havia conhecido em Genebra. “O poder do relacionamento não é aplicado apenas à sua organização. Pode vir também de alguém com quem você já trabalhou ou se relacionou antes, que gostou da sua marca e você ajudou quando estava precisando”.

O CFO destacou também a importância de conhecer a agenda das pessoas, ou seja, compreender seus objetivos e propósitos. Procure descobrir a agenda dos seus colegas e a do seu chefe, e a partir disso, entenda qual o seu papel para conectar essas agendas e se tornar uma pessoa importante para que eles possam atingir os objetivos deles e ajudarem você a atingir os seus. “Acredito muito na lei da reciprocidade. Se você tem uma atitude de parceria com as pessoas, elas retribuirão da mesma forma”.

Como descobrir a agenda de um profissional-chave para você? “Pergunte, chame para um café. Se as pessoas perceberem que você está lá para ajudar e ser um parceiro, elas irão dividir isso“, respondeu Cerresi.

5)     Liderança

A habilidade de liderar é uma consequência do desenvolvimento das outras competências pessoais, destacou o CFO. Trata-se da capacidade de direcionar as discussões e a tomada de decisão, influenciar e inspirar pessoas. “Nem sempre você lidera pelo cargo, você pode liderar pela influência”, contou.

Contudo, para ser um líder é preciso ter atitude. E uma das mais importantes é “walk the talk”, ou seja, agir de acordo com o que você fala. Aí entra o fator credibilidade, sem o qual o líder não se sustenta. Cerresi destacou que não adianta, por exemplo, um gestor falar para sua equipe que a organização precisa cortar custos se ele é o primeiro a esbanjar os recursos corporativos. Ou dizer que as pessoas precisam se comunicar mais e ele estar sempre com a porta do escritório fechada. “O mais importante que um líder pode fazer é dar o exemplo, porque dando o exemplo certo as pessoas irão naturalmente segui-lo”.

Outra atitude importante para o líder é a capacidade de mostrar que possui uma visão, um projeto para a companhia. “Se o gestor não sabe direito onde está e nem tem certeza para onde quer ir, as chances de ele liderar de forma eficaz são muito pequenas”.

Cerresi destacou alguns aprendizados que obteve com as lideranças do Walmart, organização em que atua há três anos: a importância de alinhar cabeça (inteligência), coração (valores) e braço (capacidade de execução); o exemplo de que tomar decisões corretas, seguindo as regras e os princípios éticos, sempre gera bons resultados; e a serenidade para não se deixar vencer pela ansiedade dos resultados de curto prazo, mas confiar nos frutos de um trabalho bem-feito.

Líderes IBEF Jovem: José Vinicius de Oliveira Alves (IBEF SP) e Allan Santinello (IBEF Campinas)

IBEF Campinas marca presença – O coordenador da iniciativa jovem do IBEF Campinas, Allan Santinello, esteve presente no evento. “Vim para buscar novas ideias e conhecer o líder da iniciativa jovem do IBEF SP. Adorei o programa de mentoria, que é um case de sucesso, e vamos levar essa ideia para a nossa seccional. Também deixamos o convite para um evento conjunto, em Campinas, das iniciativas IBEF Jovem”, disse o sócio da Computare Brasil.

 

(Reportagem: Débora Soares / Fotos: IBEF SP)