8 tendências no varejo

abril 18, 2017 5:05 pm Publicado por

VAREJO

 

Por Rubens Batista Jr., secretário geral do IBEF SP e sócio da 2B Partners Consulting.  

 

As principais tendências que já se percebem e que dominam as discussões no varejo são:

1.     Multicanalidade (ou Omni Channel)

A maneira pela qual o consumidor interage e compra demanda dos varejistas o desenvolvimento e o uso de um “mix” de canais amplo. Esses canais envolvem formatos de lojas diferentes (em tamanho, sortimento e foco), investimento e desenvolvimento de e-commerce e m-commerce (mobile commerce), utilização de pop-up stores (lojas temporárias), catálogos, quiosques e comercialização em lugares públicos (levando a possibilidade do consumo para um local mais próximo do consumidor).

O e-commerce é um canal que demanda muita atenção, pois atualmente existe uma divisão injusta das receitas geradas nesse ecossistema entre seus participantes. Plataforma, desenvolvedores de sistemas (empresas de TI), empresas de transporte, gateways de pagamentos e geradores de demanda (ex.: redes sociais, motores de busca, comparadores de preços) ficam com a maior parte ou mesmo com um valor superior ao da margem gerada na transação.

 

2.     Redução do Tamanho de Lojas

A proliferação de novos formatos, aliada ao custo alto de ocupação dos espaços e à pouca disposição do cliente em gastar seu tempo com as compras do cotidiano, tem levado à redução do tamanho das lojas. Essa é uma tendência que perdurará. Os hipermercados existentes, ao longo do tempo, deverão transformar-se em centros comerciais ou espaços de uso misto (residencial/comercial).

 

3.     Segmentação de Formatos (Nicho)

A especialização ao redor do estilo de vida do consumidor, aliada ao aumento do poder de consumo, tem dado espaço para a criação de formatos de lojas de nicho. Isso é o oposto do conceito de “tudo sob o mesmo teto” e, de certa maneira, está ligado à especialização. Adicionalmente, isso está relacionado à valorização pelo cliente da experiência de consumo como um todo.

 

4.     Oferecimento de Soluções e Experiências em vez de Produtos

O varejista deverá se preocupar em oferecer soluções prontas ao consumidor em vez de produtos. Os conceitos de cesta, pré-preparo, pré-seleção e pronto para uso ou consumo estão na cabeça do consumidor, e aquele varejista que não se atentar para isso colocará em risco sua existência. Essa tendência está em linha com as seguintes mudanças demográficas: unidades familiares menores e/ou economicamente ativas, envelhecimento da população e redução na contratação de empregados domésticos.

 

5.     Show Rooms

As lojas físicas têm um novo papel de show room. Os consumidores as visitam para interagir com os produtos, tirar dúvidas e, eventualmente, comprar de uma loja virtual. Atentos a isso, o investimento em redes sociais para identificar um consumidor com esse perfil e promoções específicas para ele faz sentido. Além disso, ter um e-commerce e até a sua integração com importantes marketplaces são movimentos complementares que fazem sentido.

Outra tendência é a substituição da venda pela prestação de serviços, num modelo em que o fornecedor arcará com os custos de operação da loja e uma taxa de administração. A loja funcionaria como, de fato, um show room dos produtos de fornecedores exercendo papel de curadoria e de “evangelização”.

 

6.     Aluguel (Leasing)

Uma força ou tendência é a subversão da lógica da compra pela do aluguel, empréstimo ou da propriedade compartilhada. A loja passando a oferecer a possibilidade de aluguel, como no caso, por exemplo, de ferramentas ou utensílios domésticos. Isso será algo que, com a nova geração de consumidores conhecida como Y ou millennials, ganhará tração.

 

7.     Marketplaces (Praças de Mercado)

As lojas físicas com grandes áreas podem buscar se posicionarem como marketplaces, ou seja, praças de mercado que permitem a comerciantes terceiros oferecerem em sua área de vendas seus produtos e serviços.

Nesse mesmo sentido, as grandes lojas virtuais estão expandindo suas “praças de mercado”, até em detrimento de suas próprias lojas, entendendo que podem ser mais exitosas e lucrativas originando tráfego e sendo remuneradas por um percentual das vendas efetuadas do que tendo que se ocupar das compras e gestão de estoques e relação com fornecedores.

 

8.     Picking Point (Ponto de Coleta)

Outro movimento é a prestação de serviços de picking point, ou melhor, ponto de coleta de produtos encomendados às lojas virtuais. Nesse caso, a loja física estaria cobrando da loja virtual por prestação de serviço de manipulação, armazenagem e entrega das compras.