Então, veja bem, é hora de falar de… hum, tipo… vícios de linguagem!

abril 12, 2018 2:57 pm Publicado por

Por Eduardo Adas, sócio-fundador da SOAP.

Qual é o seu vício de linguagem? Aquela palavrinha que você usa sempre como muleta no meio das frases? Não precisa se sentir mal por isso, quase todo mundo tem alguma.
Mania de falar palavrão ou usar interjeições sem sentido como “tipo” são os clássicos. Se os vícios de linguagem podem irritar durante uma conversa informal, imagine no meio de uma apresentação.

O hábito estraga a performance de qualquer palestrante porque é inapropriado, mas principalmente porque gera falha na comunicação. Passa a impressão de insegurança a quem ouve, desconhecimento em relação ao conteúdo e desvia a atenção.

Veja só alguns exemplos:

– “Aaaaaah”, “hã”, “ééééééé”, “hum”, “veja bem”, “né”, “é relativo”: expressões que não significam nada e ocupam os vazios da fala.
– Fazendo modificaçõezinhas nas palavras: o gerúndio e o diminutivo também podem ser um vício de linguagem. Se você faz isso com vários verbos e substantivos, preste atenção – pode estar usando um recurso desnecessário.
– Sentido esvaziado: cuidado ao escolher uma palavra para usar em todas as situações. Um exemplo é o advérbio literalmente. Quantas vezes não ouvimos “literalmente” sem a pessoa querer dizer algo literal?
– Modismos: evite os clichês do momento, como “alinhar”, “compartilhar” e “gratidão”.

Se você tiver algum, não se preocupe! Ter um vício não significa que você é despreparado ou tem déficit de vocabulário. As pessoas que mais sofrem com isso são geralmente aquelas que pensam e falam rápido demais durante a apresentação. É a falsa crença – inconsciente – de que é preciso falar sem parar. Entrar naquele modo “aperta o play e vai” só atrapalha.

Como e por que eliminar os vícios de linguagem?

A melhor forma de melhorar esse comportamento é FAZER PAUSAS.

Os vícios são justamente a tentativa frustrada de preencher lacunas, respiros, vazios. Geralmente são junções de frases, palavras fora de contexto, emendas de pensamentos. No lugar, que tal silenciar? As pessoas têm medo de perder a linha de raciocínio ou a atenção da plateia, mas não há razão para temer silêncios breves.

O efeito tende a ser o oposto: os apresentadores que utilizam as pausas são mais cativantes. Falas sem afobação transmitem segurança e credibilidade. Se duvidar, assista a um discurso do ex-presidente dos EUA, Barack Obama. Bastam dois ou três segundos, especialmente logo depois de concluir uma ideia.

A pausa facilita o entendimento da mensagem pela audiência, já que o interlocutor tem tempo para processar aquela nova informação. Para o apresentador, é útil como um momento de oxigenação para o cérebro e reestruturação: aqueles poucos segundos em silêncio entre uma frase e outra permitem que você consulte seu arquivo mental e se conecte com o seu roteiro. Além disso, elas podem ser usadas, acredite se quiser, como forma de ênfase. O próprio Obama que citamos acima utiliza muito esse recurso!

Outras dicas práticas são ler mais em voz alta ou ler para alguém com mais frequência, seja um colega ou um familiar, e ensaiar a apresentação sem decoreba. Decorar é armadilha certa para, ao esquecer uma só palavra, já substituí-la por outra bem vazia, só tentando ganhar tempo.

Ao eliminar vícios para uma apresentação, você pode eliminar muletas usadas em todas as outras conversas da sua vida!

 

 

As opiniões e conceitos emitidos no texto [acima] não refletem, necessariamente, o posicionamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF) a respeito do tema, sendo seu conteúdo de responsabilidade do autor.