Caminhões e eleições: CFOs apontam os impactos da crise para o cenário econômico de 2018

junho 8, 2018 4:30 pm Publicado por

Em meio à crise gerada pela greve dos caminhoneiros em todo o País, líderes financeiros de grandes empresas brasileiras debateram o atual panorama econômico e apontaram suas expectativas para os próximos meses de 2018, já contabilizando os impactos da paralisação.

A reunião da Diretoria Vogal do IBEF SP ocorreu no dia 1o. de junho, durante o Encontro Socioesportivo 2018, na Praia do Forte (BA), e contou com o apoio da seguradora Assurant e da CTI Global, empresa com foco em gestão corporativa e soluções financeiras.

“Tivemos casa cheia, com 50 CFOs e mais 60 participantes convidados. Conseguimos ter um termômetro da economia, um painel setorial muito bem discutido entre todos, com muitas informações compartilhadas”, avalia Rogério Menezes, 1o. vice-presidente do IBEF-SP e CFO da Smurfit Kappa.

Poucos instrumentos têm uma visão tão global do mercado quanto a Diretoria Vogal, acrescenta Luis Schiriak, presidente do Conselho de Administração do IBEF-SP. “São as pessoas estão à frente dos negócios, sentindo o dia a dia das empresas”, nota. Praticamente todos os setores econômicos estão representados no fórum: serviços, instituições financeiras, indústria, varejo, entre outros.

PANORAMA SETORIAL

Confira as avaliações dos executivos:

Após baque, setor de alimentos espera recuperação – O setor alimentício começou bem o ano, registrando crescimento de 7% no 1o. trimestre, impulsionado pelo aumento sazonal e a quaresma, observou Antenor Zendron, diretor administrativo e financeiro da Gomes da costa. Em maio, contudo, o setor perdeu fôlego e o varejo de alimentos registrou queda de 3%, segundo dados da Nielsen.

A paralisação dos caminhoneiros – iniciada em 21 de maio, em protesto aos sucessivos aumentos no preço do diesel feitos pela Petrobras, e encerrada nesta semana -, gerou prejuízos ao setor de proteína animal superiores a R$ 80 bilhões, segundo cálculos da ABPA, associação representativa da categoria, que inclui nessa conta perdas de comercialização no mercado interno, animais mortos, custos logísticos e perdas de contratos de exportação. Mesmo com o baque, o setor alimentício projeta encerrar o ano com crescimento de 2,8% e aumento das exportações – aquecidas pela valorização do dólar.

Frustração de expectativas – Grande parte dos executivos compartilharam a sensação de que o ânimo com a retomada da economia no último trimestre de 2017 e no 1o. primeiro trimestre de 2018 tomou um balde de água fria com os acontecimentos recentes. A votação da Reforma da Previdência pelo Congresso, já adiada em 2017 e aguardada para os primeiros deste ano, acabou não se concretizando. A preocupação com o persistente deficit orçamentário, a crescente dívida pública e a falta de perspectiva de reformas estruturais, dentre outros fatores, motivou instituições financeiras a revisarem para baixo o crescimento do PIB neste ano – de 2% a 1,5%, em algumas estimativas. A recente paralisação dos caminhoneiros, que gerou prejuízos bilionários na esfera econômica e expôs um governo politicamente fragilizado, foi mais um golpe para as projeções de crescimento.

Mercado de capitais e M&A seguem fortes – Quem investe no País olhando para o longo prazo afirma que as oportunidades não desapareceram. O cenário atual de juros e inflação baixos, de forma consistente e estrutural, traz boas perspectivas para o acesso ao mercado de capitais, ressaltou Augusto Martins, diretor do Banco Alfa de Investimento. As fusões e aquisições seguem fortes neste ano e a perspectiva é de R$ 100 bilhões em operações de 2018, o que seria recorde. Um dos setores em destaque é infraestrutura, que tem a China como um dos grandes players, observa o executivo.

“Temos instituições fortes e um background de fundamentos econômicos que nos dão a tranquilidade de que se for eleito um governo minimamente reformista, que passe confiança para o mercado, a perspectiva de um upside, de uma melhora, é muito boa”, observou Martins. Isso porque as empresas já fizeram a lição de casa, reduzindo custos, e aguardam a estabilização. “Por mais que tenhamos um cenário de curto prazo duvidoso, acredito que muitas oportunidades aparecerão para as empresas daqui até as eleições”.

Crédito mais escasso para alguns setores – Aury Ermel, diretor financeiro do China Construction Bank, segundo maior banco da China e do mundo, notou que em 2017 houve redução de R$ 80 bilhões no crédito fornecido para grandes empresas. “Parte disso foi substituído por operações no mercado de capitais, como emissões de debêntures e IPOs. Então, houve essa diminuição também por falta de demanda das empresas. Mas o fato é que o crédito realmente diminuiu”. Ele notou que o empoçamento de dinheiro nos bancos pode gerar oportunidade para as grandes empresas conseguirem linhas financeiras a custos mais atrativos.

Com relação aos impactos gerados pela greve, Ermel observou que até o final de 2018 o crédito pode se tornar escasso para mais alguns setores, devido às consequências para as cadeias produtivas. “O que eu quero dizer com isso é que haverá um pouco mais de preocupação dos bancos em olhar melhor o efeito das consequências dessa greve no ciclo de produção das empresas e sua real necessidade de caixa”. Com relação à projeção para o PIB de 2018, esta foi revista para 1,6% (com expectativa de queda de 0,25% a 0,30% no próximo trimestre). O impacto na inflação deve já refletir em aumento de 0,90 a 1% já no próximo IPCA – mas espera-se ficar dentro da meta no fechamento do ano. Já a taxa básica de juros, trabalha-se com o cenário de 6,5% até o final de 2018.

Brasil continua atrativo para investimentos – A situação do país pode assustar alguns, principalmente investidores não estratégicos, que têm uma visão mais voltada ao curto prazo que gera grande preocupação, observou Charles Putz, sócio da Rio Bravo Investimentos. “Isso nos leva a uma situação paradoxal na qual temos uma previsão melhor do que vai acontecer daqui a 10 anos do que em 1 ano. E daqui a 10 anos o Brasil estará na direção certa. Por isso, os grandes investidores estratégicos, de longo prazo, não querem perder a oportunidade de investir no Brasil hoje”, destacou o executivo. Ele informou que o investimento estrangeiro continua chegando, principalmente asiático. O grupo chinês Fosun, por exemplo, comprou recentemente 70% de participação na Guide Investimentos e continua em busca de oportunidades. Já companhia indiana Sterlit Power, que arrematou o maior lote do leilão para a construção de linhas de transmissão de energia em 2017, já afirmou à imprensa considerar um investimento de US$ 4 bilhões em projetos de energia no Brasil até 2022.

MERCADOS

Vida, saúde e previdência impulsionam crescimento dos seguros – Na avaliação de Eduardo Alves, CFO da Swiss Re Corporate Solutions, o setor de seguros cresceu em 2017, muito impulsionado pelos ramos de “vida” e “previdência”. Com o efeito negativo da queda da taxa de juros sobre o balanço das seguradoras, as companhias terão de se adaptar a um novo cenário com menor resultado feito pelos investimentos e necessidade de maior foco no resultado operacional. O movimento de consolidação das seguradoras, principalmente players internacionais, deve seguir firme e ainda tem espaço no mercado. Para os próximos anos, a expectativa é de crescimento nos ramos de vida, saúde e previdência, com aumento de contribuição do ramo de elementares.

O setor também teve que revisar as expectativas de crescimento para 2018. Excluídos os resultados dos ramos de saúde e seguros suplementares, foi verificada retração de 1,2% no 1o. trimestre, complementou Cristiano Furtado, CFO da Assurant. Enquanto seguros patrimoniais, de automóvel e transportes cresceram, outras linhas chegaram a sofrer redução de até 9% no período.

Reação ainda não veio para a indústria – Os números não são bons para a indústria de máquinas e equipamentos, segundo dados da associação representativa do setor – Abimaq, trazidos por George Cavalcante, CFO da ITW Brasil, grupo americano multi-indústria. A média de vendas do setor foi 45% menor em 2017, se comparada aos anos de 2010 e 2013. Nos últimos cinco anos, foram reduzidos 90 mil postos de trabalho. “Começamos o ano de 2018 com uma perspectiva um pouco mais positiva. Até fevereiro se acumulou um ganho de 1,1%, com expectativa do setor crescer depois de cinco anos de queda”, observou Cavalcante. Contudo, o setor ainda não sentiu a reação do consumo. Os impactos da greve ainda serão mensurados.

Empresas de tecnologia crescem volume de vendas – Mesmo na crise as empresas investem para ganhar mais produtividade e eficiência, fator que confere ao setor de tecnologia uma dinâmica diferenciada dos demais. Esse mercado registrou crescimento de dois dígitos em vários segmentos no 1o. trimestre deste ano, observou João Batista Ribeiro, CFO da Dell EMC. Foi registrado 25% de crescimento em vendas de PCs no 1o. trimestre de 2018, observou Ribeiro. Como esse mercado já havia sofrido uma queda de volume de 50% de 2014 a 2016 – boa parte desse crescimento está devolvendo a recuperação.

Apesar do bom desempenho, a projeção de crescimento do setor para 2018 já foi revisada – caindo de 2 dígitos para apenas 1 dígito, segundo o IDC Brasil. “Mas não surpreenderia, depois dessa greve, com todos os impactos e incertezas sobre este ano, se o setor encerrar 2018 com o mesmo volume de vendas do ano passado”.

Em complemento, Serafim de Abreu, CFO da IBM Brasil, observou que o setor de tecnologia cresceu 11% em 2017, sendo que 9 pontos desse crescimento foram atrelados à valorização do real. “Em 2018, essa curva inverteu. Então, apesar de o setor ter registrado um excelente 1o. trimestre, haverá uma pressão enorme neste ano para a compra de infraestrutura de TI. Porque o custo desses insumos está atrelado ao dólar, seja ele na conta do hardware ou na conta do software”. A perspectiva é que o mercado cresça 0,5% neste ano, com as empresas investindo bastante no mercado de aplicação (serviços de tecnologia). Uma boa notícia para o setor é que ele foi excluído da reoneração da folha de pagamentos aprovada pelo Senado, no dia 29 de maio, sendo mantida sua desoneração até 2020. “Isso dá segurança jurídica para as empresas de tecnologia, que estão desenvolvendo aplicações, poderem trabalhar com alguma tranquilidade e planejarem melhor os próximos dois anos”.

Educação apresenta oportunidades em vários segmentos – José Cláudio Securato, CEO da Saint Paul Escola de Negócios, comentou o cenário de educação de forma transversal. O segmento de educação universitária está animado e os movimentos de consolidação continuam neste ano, além de haver muito espaço para crescimento “orgânico” com a a entrada de mais alunos – atualmente são 8 milhões. A consolidação do segmento de ensino médio e fundamental continua em ebulição, com destaque para a compra fechada em abril deste ano da Somos Educação pela Kroton, negócio de R$ 4,57 bilhões. Já o segmento de educação executiva, mercado estimado em R$ 8 a 12 bilhões, continua em crescimento, margeando a crise.

Com relação aos impactos da greve dos caminhoneiros sobre o crescimento da economia brasileira em geral, Securato observou que os R$ 80 bilhões já contabilizados em prejuízos correspondem a mais de 1% do PIB do País. “Ou seja, não consigo enxergar um Brasil crescendo 1,5% neste ano. 2018 já foi. E (se a instabilidade continuar) desse jeito, corremos o risco de não encomendar o PIB para o ano que vem”, alertou. Ele acrescentou que com um presidente razoável eleito, que não cometa muitos erros na política econômica, o País poderá ter um cenário melhor para 2020.

Turismo mostra recuperação –As viagens de negócio têm um efeito multiplicador no PIB – cerca de 3,5 vezes, historicamente -, observou Leopoldo Saboya, vice-presidente de Administração e Finanças da CVC, ao comentar o panorama do setor de turismo. Achatado pela recessão econômica do País, o segmento voltou com força no início de 2018, crescendo a duplo dígito, impulsionado pelos resultados econômicos positivos do último trimestre de 2017, que animaram as empresas. Já o mercado de viagens de lazer, muito pautado por emprego e renda, e indiretamente pelo índice de confiança do consumidor, também cresceu, mas em ritmo mais lento: um dígito.

“2018 está sendo um ano interessante. Já se passaram 5 meses, mas cada mês foi diferente do outro. Janeiro e fevereiro foram meses incríveis para o setor de viagens. O mês de março foi um pouco estranho, difícil dizer o que estava acontecendo. Abril foi um mês duro. E maio, não preciso nem dizer, foi um mês horroroso para todo mundo, dado esse cenário da greve, os últimos 10 dias de forte tensão”, observou Saboya. Como o negócio do setor de viagens é muito movido por crédito e parcelamento, o executivo observou que o consumidor ainda não sentiu o benefício na ponta da queda da taxa básica de juros, e o crédito continua enxuto, até em função do aumento da inadimplência para pessoa física registrado nos primeiros meses deste ano.

Setor de saúde e segmento dental tem perspectiva positiva – Luis André Blanco, CFO da Odontoprev, comentou o panorama do setor de saúde como um todo e do segmento de saúde dental. O mercado de planos de saúde, que possui forte ligação com os indicadores de emprego e caiu bastante nos últimos dois anos, voltou a crescer de janeiro a março de 2018, com o acréscimo de 120 mil beneficiários, segundo dados da Agência Nacional de Saúde. Já o segmento de planos odontológicos, que mostrou resiliência e crescimento em 2017, continuou a expandir com o acréscimo de 290 mil beneficiários no mesmo período. Com relação ao impacto da greve dos caminhoneiros, o setor ficou protegido, pois o principal custo do setor está ligado ao número de atendimentos, que diminuíram no período.

A expectativa para o setor de saúde como um todo é de desenvolvimento ainda maior no médio e longo prazo – lembrando que dois dos maiores IPOs de 2018 vieram de empresas do setor: Hapvida e Intermédica, com expressiva valorização das ações. “É um setor que tem uma boa perspectiva de longo prazo e está sendo muito procurado por investidores, levando em conta questões como o envelhecimento da população e o aumento da longevidade. Como alerta, Blanco destacou que a economia dos Estados Unidos apresenta forte recuperação (em maio o país registrou o menor nível de desemprego desde 2009 – 3,8%), cenário que tende a puxar os juros internacionais.

Setor de comunicação enfrenta desafios – Magali Leite, CFO do Grupo Bandeirantes de Comunicação, apresentou o panorama do mercado, que busca se adaptar às mudanças trazidas pelas mídias sociais e serviços de streaming de áudio e vídeo. A televisão aberta tem sido um dos segmentos mais impactados, com a difícil equação entre o alto custo das produções e o retorno do capital investido, registrando queda de receita na ordem de 5% ao ano, ainda que a audiência não tenha diminuído nesse ritmo. As emissoras de rádio, por outro lado, vivem um bom momento de crescimento com a ajuda dos aplicativos para celular, que permitem alcançar o ouvinte onde quer que ele esteja. Como um todo, o setor fechou 2017 de forma positiva, registrando aumento de 3% de receitas com investimentos de publicidade.

“Estamos trabalhando com um consumidor que funciona no modo multitela. Ele assiste à televisão aberta, enquanto comenta o que está acontecendo nas redes sociais”, observou Magali, ao ressaltar os desafios de mensurar resultados nesse cenário interconectado. Dentre as tendências apontadas pela executiva, para o segmento de TV aberta, estão o investimento em cobertura de eventos esportivos ao vivo e os comentários econômicos e políticos também ao vivo, que buscam esclarecer a população enquanto os acontecimentos se desenrolam.

Setor editorial vive momento de transição – Mario Mafra, CFO da Editora do Brasil, trouxe dados sobre o desempenho do mercado editorial, com foco em livros didáticos e paradidáticos. Um dos maiores desafios enfrentados é a tendência de redução da compra de livros pela população brasileira. Em 2011, o setor vendia 4 livros por habitante; em 2017, esse indicador caiu para 1.7 obras por habitante. Assim, no ano passado, o faturamento do mercado como um todo encolheu 10%. Contudo, dois segmentos apresentaram crescimento: obras religiosas e obras gerais.

Com relação às obras ligadas à educação infantil e o ensino fundamental, o setor já trabalha na divulgação e aprovação do Plano Nacional do Livro Didático – PNLD 2019 e no conteúdo editorial do PNLD 2010. Outra novidade que movimentou o mercado foi a recente implantação da Base Nacional Comum Curricular – BNCC para os segmentos citados. A BNCC para o ensino médio já está aprovada, e a perspectiva é que será implementada em 2020 com a aplicação prevista para 2021, mas o mercado acredita que isso só acontecerá de fato em 2022. “Estamos em um cenário não muito favorável, mas de transição”, observou Mafra.

Ainda com participação pequena, o mercado de livros eletrônicos dobrou em vendas, saltando de 1,5% em 2016 para 3% em 2017.

Tercio Garcia, CFO da Cengage Learning, complementou o panorama expondo sua visão sobre o mercado de livros científicos, técnicos e profissionais. E a notícia não é muito boa: nos últimos três anos, esse segmento sofreu uma redução de 17% em volume e faturamento. “Há cinco anos, aproximadamente 40% dos alunos universitários compravam um livro para acompanhar o seu estudo. Hoje esse número é estimado em 8%. Na visão de Garcia, as grandes oportunidades nesse mercado são impulsionadas pela transformação digital, com empresas investindo em iniciativas que possibilitam a aprendizagem via streaming de audiovisual. Uma notícia positiva está relacionada ao mercado editorial voltado para o ensino do idioma inglês, que apresenta bom desempenho e tem a expectativa de forte crescimento nos próximos anos com a inserção dos conteúdos em colégios.

Comércio e distribuição foram impactados por inflexão negativa – Rubens Batista Jr., CFO do Grupo Martins, apresentou o panorama sobre o setor de comércio e distribuição. Esse mercado enfrentou um ano de 2017 difícil, na esteira das dificuldades sofridas pela indústria de consumo com um todo, com queda no volume de vendas e um ambiente extremamente concorrencial. Com a recuperação da economia no último trimestre de 2017, o setor projetou um cenário melhor para 2018, materializado no 1o. trimestre, com lucro de 50% e acima do orçamento. Contudo, assim como ocorreu em outros setores, abril não foi positivo para a indústria de consumo e as distribuidoras – o que ensejou a revisão do cenário de crescimento para o restante do ano.

Com relação ao impacto da greve dos caminhoneiros sobre os negócios, Rubens notou que maio e junho serão considerados como um único mês pela distribuidora. Tendo em vista que 48 mil entregas foram represadas com a greve – 1.000 caminhões do grupo ficaram paralisados, dos quais 200 estavam presos nos bloqueios dos grevistas. “Estimamos que levaremos 51 dias para colocarmos as entregas em normalidade”. Com relação às perspectivas para o restante do ano, Rubens apontou um cenário de crédito mais escasso, com tendência de aumento da inflação para reposição das perdas, e de consumo mais contido. “Será um ano extremamente difícil. O mais importante agora para as empresas é preservar o caixa – e já estamos fazendo isso em nossa companhia”.

Setor de serviçosapresenta recuperação – Ao comentar o panorama sobre o setor de serviços, de forma geral, Henrique Luz, sócio da PwC Brasil, informou que houve discreta retomada do crescimento no 1o. trimestre de 2018, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Após três anos de queda significativa, o segmento de serviços de consultoria e profissionais mostrou forte recuperação nesse período. No caso da PwC, o crescimento foi de 17% em comparação ao 1o. trimestre de 2017.

O índice de incerteza sobre a economia aumentou muito nos últimos 30 dias, notou Luz, e ainda não se tem exata dimensão sobre os efeitos que a solução encontrada pelo governo para estancar a greve dos caminhoneiros – recorrendo a mais subsídios – poderá ter sobre a economia. A grande variável da equação deste ano, ressaltou o executivo, é a corrida eleitoral. A população irá eleger, além do presidente, governadores, senadores e deputados. “É essa variável que precisamos trabalhar para ter um Brasil melhor, que encontre mais ética, e que os parlamentares nos quais iremos votar sejam comprometidos com o desenvolvimento do País, por via de reformas econômicas, políticas e sociais”, ressaltou.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Cenário preocupa -“Praticamente foi unânime o sentimento dos colegas da deterioração da economia neste último trimestre, agravada ainda pela greve dos caminhoneiros. Assim, o crescimento que esperávamos para este ano, em torno de 3%, já é consenso que será inferior a 2% e alguns já falam em 1,5%”, resumiu Luis Schiriak, presidente do Conselho de Administração do IBEF-SP, ao final da reunião.

Há grande preocupação com o arrefecimento da economia nos próximos meses. E com a volatilidade que o cenário pouco previsível das eleições presidenciais de 2018 poderá agregar, gerando mais dificuldade de planejamento para as empresas. “Concluímos que neste momento, o CFO, os profissionais departamento financeiro da empresa têm uma importância enorme”, ressalta o presidente do Conselho.

Frente a esse cenário, a recomendação para as empresas é cautela e muito cuidado com os níveis de endividamento. “Proteger o caixa das companhias e, realmente, manter os custos no nível mais baixo possível, esperando que depois das eleições tenha um crescimento”, destaca Luis Schiriak, presidente do Conselho do IBEF-SP. “Essas são basicamente nossas conclusões. Muita cautela e um pouco de frustração quando comparado com os trimestres anteriores, final de 2017 e início de 2018”.