É preciso trabalhar duro, mas com alegria, diz a CFO do Grupo Tigre

março 19, 2018 5:47 pm Publicado por

Vivianne Valente foi a convidada do encontro de mentoring realizado pelo IBEF Jovem na última segunda-feira (12). A executiva contou como foi a sua trajetória profissional e narrou suas experiências em grandes empresas como Ambev, Visanet, Ipsos e também no Grupo Tigre, onde é CFO/CIO desde 2016.

Baiana, que vive em São Paulo há 17 anos e atualmente trabalha em Joinville (SC), Vivianne é formada em Administração de Empresas pela UFBA, além de ter Pós em Finanças pela FGV-EPGE-RJ e MBA Executivo pela Business School of SP.

Identificação – Para saber em qual divisão da área de finanças seguir para chegar ao posto de CFO, Vivianne aconselha definir o tipo de empresa em que se pretende trabalhar. “Há grandes diferenças entre uma companhia brasileira ou uma multinacional. Companhias diferentes necessitam de CFOs com habilidades distintas. Eu sempre quis ser CFO de um grupo nacional de capital aberto”, explica a executiva, ao informar que acabou se dedicando mais à área de FP&A (Financial Planning and Analysis), já que é a área onde se compreende as alavancas de valor da companhia e como desenvolver um bom business plan.

Segundo Vivianne, a área financeira é muito focada em técnica. Contudo, para a executiva, é importante não se perder na tecnicidade se quiser crescer profissionalmente. “Em certo ponto da carreira, é preciso convergir do operacional para o estratégico. Para isso, o operacional precisa ser fluído, o que implica em padronizar e automatizar as atividades. Além disso, também é importante conhecer a essência de cada divisão da área financeira e identificar os padrões, além de estudar operações diferenciadas quando necessário”.

Fases de crescimento – Baseada em sua trajetória profissional, a executiva apontou quatro fases e competências que precisam ser desenvolvidas para atingir o cargo de CFO. A primeira delas é o Conhecimento Técnico, quando é necessário se aprofundar nas divisões: Fiscal, Contábil, Tesouraria e FP&A, o que envolve Orçamento Base Zero e práticas de modelagem, por exemplo.

O segundo passo consiste em ter uma Visão do Negócio, o que compreende entender as alavancas do negócio, saber interpretar tendências e fatos e identificar melhor o processo. “É nessa etapa que é essencial conversar e perguntar para compreender melhor a empresa. Ter respostas para questões como: Qual é a principal matéria-prima? Precisa de mais mão de obra ou de máquinas? A venda é direta? Quantas etapas para chegar ao consumidor? Com quem devo falar para saber onde perde e onde gera valor na companhia”, detalha Vivianne, que costuma fazer uma pesquisa, nos 100 primeiro dias na empresa, questionando e fazendo anotações durante esse processo.

A terceira fase é a Gestão de Time, quando é preciso identificar fortalezas, dar feedbacks e contribuir para o desenvolvimento profissional da equipe e também deixar um legado.

O quarto passo é o desenvolvimento da Habilidade Política. “Quando conversamos com as pessoas para entender o negócio, também podemos conhecê-las melhor. Além disso, não se preocupe em falar tanto nas reuniões. Participe, mas saiba ouvir e observar. Não podemos esquecer ainda que organizações distintas têm modelos de poder diferentes”.

Nesse contexto, Vivianne aconselha ainda que os profissionais fiquem sempre antenados, especialmente nas novas tecnologias. “Experimente as ferramentas como usuário. Depois pense se, de alguma forma, isso pode ser útil para o negócio”.

Carreira – Vivianne diz que a Ambev (antiga Brahma) foi uma grande escola na parte técnica. “Cerca de 60% do que sei, eu aprendi nos dez anos que trabalhei na companhia. Nessa fase, ainda não me reportava ao CFO. Na etapa inicial da carreira, eu aconselho investir em uma empresa que possa ser uma escola, que utilize muito a técnica na gestão”, aconselha a executiva, ao dizer que se mudou para São Paulo para contribuir com o processo de aquisição da Antarctica pela Brahma. “Nessa época, eu vi o quanto é importante trabalhar duro, mas com alegria. Passamos muito tempo no trabalho. Quando estamos felizes, ele também é um divertimento”.

Depois dessa longa experiência na Brahma, Vivianne trabalhou na Visanet e no Grupo Ultra, empresas em que ela vivenciou a segunda fase de sua carreira. Nos cargos de FP&A e Controller, ela passou a se reportar aos CFOs.

Já na terceira etapa da carreira, ela foi trabalhar na CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) como Controller, e depois promovida para CFO. “Eu andei lateralmente, fui para uma empresa menor do que as anteriores para conseguir ser CFO. Nessa etapa, vi a importância de cada vez mais entender o negócio. Também pude identificar as diferenças dos modelos de empresa familiar e global”, diz a executiva, que na sequência foi CFO da Ipsos e também da Elavon.

Em uma nova etapa, no Grupo Tigre (multinacional brasileira que está ampliando a linha de produtos, inclusive com aquisições), ela vivencia a necessidade de conciliar as atividades ligadas ao centro de poder da empresa – que tem controle familiar, e administração profissionalizada – além da necessidade de ter atenção na relação com os acionistas.
Na empresa, a executiva reformulou toda a área financeira e fez a readequação de posições. Nessa estrutura, ela também responde pela área de tecnologia da informação. “A área financeira precisa deixar a operação mais fluída e menos custosa e a TI ajuda muito nisso”.

Gestão de Poder e da Vida – Aos jovens ibefianos, Vivianne recomendou a leitura do livro “As 48 Leis do Poder”, de Robert Greene. “Cada capítulo traz uma lei do poder, que é muito importante para o nosso desenvolvimento”.

Casada e mãe de uma jovem, Vivianne diz que é preciso ter sabedoria para equilibrar a vida profissional e a pessoal. “É essencial ter um companheiro que saiba nos apoiar”.
Como primeira mulher na diretoria do Grupo Tigre e uma das poucas que ocupam o cargo de CFO de grandes grupos brasileiros, Vivianne deu um conselho: “É preciso impor respeito, mas com serenidade”.

IBEF Jovem

O IBEF SP promove encontros de mentoring, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento da carreira, por meio do diálogo e do aconselhamento com líderes experientes. Agora, o IBEF Jovem é patrocinado pela plataforma Antecipa, que determina, por meio de algoritmos e análise de dados, a taxa de desconto da antecipação de recebíveis para cada transação, usando um mecanismo de leilão por meio de uma avaliação da oferta e demanda. www.antecipa.com

(Reportagem: Renata Passos)