Uma visão geral do mundo das inovações financeiras

Por Rosangela Santos, membro da Comissão Técnica de Instituições Financeiras do IBEF-SP.

Na era das inovações financeiras, com alta frequência são lançados novos produtos e serviços. O cenário de Fintechs – startups que criam inovações profundas para o mercado de serviços financeiros – está em franca expansão. Como sua empresa está posicionada para aproveitar essas oportunidades?

Identificam-se alternativas para novas formas de negociação em diversas frentes, desde os tradicionais produtos de bancos comercias, iniciando por operações de crédito, depósitos e outras fontes de captação, passando pelos meios de pagamentos e serviços de liquidação e também soluções para negociação e gestão de finanças pessoais e de patrimônio – esses últimos típicos de bancos de investimentos e corretoras.

Vamos aos exemplos desses modelos de negócios inovadores no Brasil e ao redor do mundo:

Operações de Crédito, Depósitos e fontes de captação: financiamento coletivo – crowdfunding, plataformas para oferta de crédito, banco digital, scoring de crédito.

Meios de pagamentos e serviços de liquidação: no varejo, por meio de carteiras virtuais, transferência entre pessoas, criptomoedas e, no atacado, através das plataformas e redes de transferência de recursos e moedas de diferentes países.

Serviços de gestão de investimentos: gestão de finanças pessoais, negociação em plataformas de alta frequência, mercados eletrônicos etrading, copy trading e robo-advice.

Segundo um artigo da The Economist, o Goldman Sachs estima que este mercado de inovação ainda irá expandir em US$ 4,7 trilhões, em um contexto mundial, e lucrar até US$ 470 bilhões no mundo todo. No Brasil, esse movimento também já está sendo percebido.

Ao final do primeiro semestre de 2018, 453 startups financeiras estavam em operação no País, número que representou crescimento de 23% comparado ao final de 2017, segundo dados do Radar FintechLab.

Os negócios com Criptomoedas estiveram na liderança com crescimento percentual de 86%, passando de 15 para 28 empresas, em segundo lugar, Câmbio e Remessas, com 55%, saltando de 9 para 14 empresas e Seguros, com 37%, indo de 27 para 37 projetos.

Em termos de número absoluto de operações em funcionamento, três setores representam 55% das iniciativas, estando na liderança o setor de Pagamentos, com 105 fintechs, e, dividindo a segunda posição, Gestão Financeira e Empréstimos, ambas possuem 70 companhias cada.
Os dados divulgados pelo Radar FintechLab demonstram manutenção do ritmo forte de crescimento.

A despeito da diversidade de setores da indústria financeira que estão passando por transformação, as Fintechs aparecem como solução para atender um grande público em particular, consumidores pessoas físicas e microempreendedores.

As pessoas buscam experiência de consumo diferenciada a custo acessível e os microempreendedores veem alternativa de capital de giro com custo mais baixo para investirem em seus negócios.

Quanto aos volumes de investimentos no mercado de Fintechs, o Brasil tem atraído capital de investidores atentos ao potencial de disrupção dessas startups, sendo que nos primeiros meses de 2018, esses aportes já ultrapassavam R$ 1 bilhão, segundo monitoramento da Conexão Fintech.

Comparativamente aos anos anteriores, em 2017 e 2016 apurou-se um aumento substancial no País, derivado de um target, o Nubank, que recebeu US$ 150 milhões e se tornou a primeira Fintech unicórnio brasileira, ou seja, avaliada em US$ 1 bi. De toda maneira, com R$ 457 milhões e R$ 515 milhões, respectivamente em 2017 e 2016, o Brasil tem ocupado a 8º posição em maior volume de investimentos nesse mercado.

Um dos resultados revelados pela pesquisa realizada ao final de 2017, pelo Sebrae e Bacen, foi que apenas 19% dos microempreendedores individuais têm relacionamento com bancos como pessoa jurídica. O cenário de altas taxas de juros e concentração bancária nos grandes conglomerados financeiros brasileiros ilustra e complementa o contexto de oportunidades.

Em se tratando de Fintechs, por definição, na base dessas soluções encontra-se uma variedade de serviços, ferramentas tecnológicas que possibilitam a atual realidade, sendo que o elenco para suportar e viabilizar essas soluções é igualmente vasto. Apenas destacando algumas, tem-se: portal e agregadores de dados, ecossistemas compostos por uma nova infraestrutura, utilizando dados em nuvem, APIs – interfaces que permitem conexão de aplicativos e sistemas, blockchain e a tecnologia de distribuição de registros, ferramentas de identificação e autenticidade do consumidor, internet das coisas, inteligência artificial, uso de algoritmos, entre outros.

Para alguns ou muitos, nada trivial e igualmente inconcebível ficar de fora desse jogo. Definição de estratégia tem-se várias, sendo uma opção o uso do conceito de discovery driven planning. Essa abordagem considera a necessidade de realizar investimentos em aprendizado, com os menores custos possíveis para quantificar as oportunidades e a viabilidade das soluções, o mais rápido possível, identificando e implementando os ajustes necessários para, em seguida, avançar e incrementar valores almejando ganhos de escala e retorno para os investidores.

Acrescentando a uma abordagem estratégica com foco na gestão de custos, uma gestão de riscos altamente eficiente, adequada ao apetite do investidor, será fundamental para alavancagem e sustentabilidade do negócio.

Ou seja, as oportunidades existentes são inúmeras, tanto para novos quanto para consolidados players. Em geral, eles podem viabilizar ganhos de escala, melhoria em eficiência nos processos que, para todos os efeitos, potencializa as possibilidades de acesso a produtos e serviços financeiros de menor custo e maior agilidade.

 

As opiniões e conceitos emitidos no texto [acima] não refletem, necessariamente, o posicionamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF) a respeito do tema, sendo seu conteúdo de responsabilidade do autor.

 

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