CFO da Azul conta como replanejou carreira e orienta associados do IBEF Jovem

Explorar o maior número de oportunidades profissionais possível em um mesmo ambiente de trabalho. Esta foi a principal mensagem durante o Mentoring realizado pelo IBEF Jovem, com Alex Malfitani, CFO e co-fundador da Azul Linhas Aéreas, nesta terça-feira (23).

“Eu acredito que, quando se é jovem, é muito natural querer subir de cargo muito rapidamente. Eu já tive esse pensamento. Mas como não posso voltar no passado, então fica como um pensamento para vocês: não tenham tanta pressa para subir, e experimentem outros campos dentro da empresa que estão hoje.”, destacou.

Ele sugeriu ainda que os jovens entendam isso como uma oportunidade para agregar mais conhecimento e experiência, principalmente para quem almeja ser um bom líder de finanças. “Para ser um CFO completo é importante conhecer todas as áreas de finanças e também outras áreas da empresa, porque, nesse cargo, você será um parceiro de negócios do CEO. Então não basta ser conhecedor de números, é preciso trazer oportunidades de negócios e ajudar a tomar decisões para garantir a longevidade da empresa”, pontuou ainda.

Para o CFO, outra questão relevante é aceitar desafios e não temer mudanças. Quem pondera muito, e pensa em tudo o que pode dar errado, não arrisca e não agrega mais conhecimentos. Malfitani deu como exemplo sua carreira, que começou com um estágio em uma montadora, após se formar em engenharia mecânica, por gostar muito de carros. Até que descobriu sentir mais entusiasmo com os assuntos relacionados aos negócios do que às máquinas.

Fluente em inglês, fato que deve gratidão à mãe pela oportunidade de ter estudado os dois últimos anos do colegial em uma escola bilíngue, Malfitani decidiu então apostar na área financeira, e trabalhou como trader no Credit Agricole Indosuez. “O mundo está cada vez mais globalizado. Se você quer trabalhar com finanças em uma empresa multinacional, o domínio do inglês é indispensável”, frisou.

Posteriormente, foi gestor de fundos de investimentos no Deutsche Bank, mas decidiu sair para fazer um MBA nos Estados Unidos, na Kellogg School of Management – aos 29 anos de idade e 5 de carreira. Neste momento, alguns participantes do Mentoring aproveitaram para questionar sobre a importância da especialização para a carreira. “Em algumas empresas, o MBA ainda é um requisito necessário. Mas acredito que isto varia, então não é algo que considero crucial. No meu caso, utilizei o curso para sair de banco e entrar em outra indústria em outro país. Então foi importante para viabilizar esse replanejamendo de carreira”, afirmou.

O profissional conta que, na instituição, havia uma área de orientação profissional, lugar em que foi conduzido a pensar em um novo caminho considerando os segmentos que naturalmente gostava de acompanhar no noticiário econômico. E estes eram: automobilístico, entretenimento e aviação. A partir daí, ele decidiu buscar oportunidades nessas áreas, nos Estados Unidos, até encontrar a que sentia maior conexão pessoal e profissional. Nesse período, chegou a ter um summer job na Warner Brothers, fazendo valuation de direitos de franquias cinematográficas

Mas sua paixão profissional foi descoberta no emprego seguinte. Após a passagem pela Warner Brothers, ele soube que a United Airlines estava realizando contratações. A gigante aérea estava em processo de reestruturação e apostou na contratação do brasileiro. “O plano inicial era ficar três anos, mas criei uma afinidade muito grande com a indústria de aviação. É uma indústria apaixonante, e, ao mesmo tempo, desafiadora”, comentou Malfitani, que cresceu na empresa e tornou-se diretor administrativo de tesouraria.

Ainda na United, ele soube por meio de um colega que David Neeleman, fundador da JetBlue Airways e empreendedor a quem nutria admiração de longa data, tinha planos de fundar uma companhia aérea no Brasil, que viria a ser a Azul Linhas Aéreas. “Eu busquei essa oportunidade e tive a sorte de ser a pessoa certa no local certo. Integrei o time de profissionais fundadores e aceitei o desafio de construir uma companhia aérea do zero. É algo que tenho muito orgulho”.

A Azul vai comemorar uma década de operações em dezembro de 2018, após encerrar o ano anterior com lucro líquido de R$ 529 milhões, margem operacional de 11% e frota de 122 aeronaves, voando para 100 destinos. Na companhia, Malfitani aceitou iniciar como gerente, avançando posições para a diretoria e depois vice-presidência, além de ter tido a oportunidade de ser head da unidade de negócios Tudo Azul.

Ainda sobre atividades profissionais, o CFO da Azul respondeu a perguntas dos presentes sobre a certificação de Chartered Financial Analyst (CFA), que ele possui há mais de dez anos. Segundo ele, a certificação serviu como um diferencial em seu recrutamento na Azul, e hoje o ajuda com suas responsabilidades como diretor de relações com investidores da empresa. “O CFA certamente me abriu portas, e é um título ainda muito respeitado pelo mercado.”

Além disso, ele frisou o valor do autoconhecimento e de que todo processo de decisão que deve ser refletido sem arrependimentos. “Hoje, olhando para trás, eu vejo que várias resoluções para fazer grandes mudanças em minha vida não foram frutos de análises lógicas, mas sim foram movidas por ímpeto e paixão”, disse. Malfitani ainda compartilhou uma referência que aprendeu em uma aula que levou para vida. “Se você fez a análise correta com as informações disponíveis no momento, você tomou a decisão certa, independente do resultado. Você fez uma escolha, e não há como voltar no tempo.”

IBEF Jovem – O IBEF-SP promove encontros de Mentoring, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento da carreira, por meio do diálogo e do aconselhamento com líderes experientes. O IBEF Jovem é patrocinado pela plataforma Antecipa, que determina, por meio de algoritmos e análise de dados, a taxa de desconto da antecipação de recebíveis para cada transação, usando um mecanismo de leilão por meio de uma avaliação da oferta e demanda. Acesse: www.antecipa.com

 

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