CFOs do IBEF Global têm otimismo moderado em relação a crescimento do país em 2020

Para debater os desafios e as oportunidades para o CFO em 2020, o IBEF Global realizou um evento com o propósito de criar networking e estimular a interação dos participantes para que pudessem expor sua visão sobe as perspectivas de crescimento para o país. Divididos em cinco mesas de discussão, os participantes apresentaram visões otimistas, mas com moderação, a respeito das perspectivas de crescimento do país em 2020.

Cada mesa continha um table master, que representou o grupo nas discussões e expôs as ideias ao economista-chefe do patrocinador do evento, Bank of America Merrill Lynch, David Beker, que traçou seus comentários após a apresentação dos grupos. “Lembrando que o objetivo do IBEF Global é o verdadeiro networking de qualidade, troca de experiências com aprendizados e discussões de temas relevantes com CFOs de empresas globalizadas”, disse o líder do grupo, Pierluigi Scarcella, que também é diretor na Ascensus, outra patrocinadora do evento. “Para 2020, estamos prevendo uma jornada do IBEF Global com três eventos programados. O primeiro será em abril e o tema será a Transformação Digital, sempre no formato de debate e discussões abertas entre os CFOs e especialistas”, complementou.

Debate – Stania Moraes, CFO da Ciena Communications Brasil, foi a representante de uma das mesas de debate e falou que reformas darão oportunidade de desburocratização do sistema, dando maior flexibilidade e abrangência no dia a dia. “Oportunidade também pode ser para brasileiros fazerem abertura de capital através de IPO”. David Beker comentou os fatores apresentados: “estamos vivendo um mundo novo, nunca tivemos uma taxa de juros tão baixa, e não sabemos o quão sustentável é esse processo, mas isso muda a forma de financiamento, investimento, e comportamento”. Segundo ele, o padrão de alavancagem das famílias e das empresas vai mudar. Ele ressaltou que a agenda do governo não é só previdenciária. “Para mudar de patamar, precisamos de uma agenda mais longa”.

Mário Humberg, CFO da Thyssenkrupp, apresentou que sua mesa concluiu que há perspectiva de um crescimento estruturado no Brasil, paulatino, voltado a uma melhoria contínua. David Beker comentou sobre a perspectiva de melhora, que em comparação com outros países, é uma diferenciação. “Existe volatilidade política na América Latina. Por mais que a agenda econômica do Brasil seja positiva, a política gera ruído. Mas estamos construtivos, começamos a revisar números pra cima”, ressaltou.

João Ribeiro, CFO da Dell, falou sobre um otimismo em relação à perspectiva de crescimento para 2020, com alguns setores no Brasil atuando com dinâmica diferente, como infraestrutura, oil and gas, papel e celulose, e exportação de commodities. “Mas temos dúvidas em relação ao patamar da inflação e recado do Banco Central sobre política de juros”, disse, representando sua mesa de debates. David Beker comentou que o Brasil vive em uma muleta fiscal, pois antes havia investimento público, programas sociais, dinheiro emprestado a custo baixo, e isso acabou. “Teremos um processo de recuperação otimista, mas mais lento, com uma dinâmica mais sustentável, e participação do setor privado”. Quanto à inflação, o economista disse que no curto prazo, com o atual patamar de desemprego, não teria o porquê voltar a crescer.

Roberto Cabrera, CFO da Acer, destacou cinco pontos elencados por sua mesa de debate: “vemos bastante fintechs entrando, e isso aumenta negócios e competitividade no país; há uma participação cada vez maior das empresas e associações para discutir ambiente tributário com governo, que é um dos pontos que mais nos preocupa; vemos positiva a redução dos juros, e bancos vão acompanhar essa redução; na simplificação tributária, nada acontece se não tivermos um ambiente político ético; e na questão de governo, temos uma excelente equipe econômica”. David Beker comentou que no ambiente político, o ruído permanece, mas dinâmica é diferente dessa vez. “É difícil explicar para os estrangeiros o que está acontecendo. É um ambiente conturbado. Se o crescimento não chegar, temos que nos preocupar com cenário político. É a variável-chave na instabilidade política”. Na questão tributária, o economista não demonstrou muito otimismo. “Muito mais complicada que a Reforma da Previdência. Não imagino uma reforma ampla nesse momento”.

Renata Muramoto, CFO da Deloitte, representou sua mesa ressaltando otimismo em relação ao crescimento do país. “Há chance de conseguirmos demonstrar uma recuperação, com potencial para redirecionar investimentos, e temos que investir no aumento de produtividade. Além disso, a complexidade tributária não deve diminuir e empresas devem saber como suportar o negócio”. Por fim, Renata destacou a desvalorização cambial. David Beker comentou que empresas devem fazer a lição de casa em relação à produtividade, e é preciso estabelecer uma reforma. “A agenda econômica vai bem, mas há outra agenda ainda pendente. Muitos assuntos pendentes para resolver”, destacou.

Conclusão – Desafios do aprendizado contínuo: “não é mais aprender qualquer fato mas como se manter aprendendo e mudando ao longo da nossa vida profissional”, disse Pierluigi Scarcella. “Vivemos na era da liderança resiliente. Isso exige que os executivos se tornem cada vez mais capacitados às adaptações que o mundo corporativo dos negócios passa. Em 2020, teremos um crescimento com otimismo moderado, mas o momento é favorável, provavelmente único na história recente do Brasil, de retomada do crescimento num ambiente de juros baixo, inflação controlada e avanços das reformas. Isso diferencia o Brasil de outros mercados emergentes com visão positiva, num momento de recessão da economia global”, ressaltou o líder do IBEF Global.

David Beker destacou que o Brasil tem uma chance que não pode ser desperdiçada. “Estamos vivendo um momento muito distinto, e muito dos modelos que olhamos não funcionam mais. A dúvida é sobre a sustentabilidade, que depende das reformas e da estabilidade de política. Mudanças constitucionais são mais difíceis de serem realizadas, e temos um arcabouço de proteção fiscal. Podemos criar uma camada de proteção que torna o país mais estável ao longo do tempo”. Por fim, o economista ressaltou a visão otimista dos participantes do evento. “Finalmente, estamos começando a ver processos de revisão para cima das projeções e é um dos poucos países que podemos esperar aceleração de crescimento para o ano que vem”.

Visão dos participantes –  “Foi bastante rico criar esse compartilhamento das experiências entre CFOs de multinacionais, do ponto de vista de troca de boas práticas, e reforçar a competitividade das empresas no mercado brasileiro. É uma iniciativa simples de networking e com impacto maior.” – Renata Muramoto, da Deloitte

“Importante ter esse tipo de dinâmica. Cada CFO tem suas responsabilidades, mas nesse encontro temos setores diferentes e é importante ver o ponto de cada um. Isso nos ajuda a construir uma nos visão. Essa troca é importante e só agrega para empresas e profissionais.” – Roberto Cabrera, da Acer.

“Tinha uma expectativa diferente em relação ao evento, mas foi muito melhor que o esperado. O grupo de CFOs é muito bom, com indústrias diferentes, com background distintos, e desafios diversos. Outro ponto positivo foi a participação do economista em um bate papo, nos ouvindo e comentando.” – João Ribeiro, da Dell

“Esse é um modelo de dinâmica que me agrada por trocar ideias com pares, o que é difícil de acontecer no dia a dia, porém, muito proveitoso. Temos níveis semelhantes de conhecimento, mas em indústrias distintas, então há visões diferentes. A troca de experiência é interessante e na minha mesa tinha ninguém do mesmo setor.” – Mário Humberg, da Thyssenkrupp.

“O evento foi de grande valor, pois tivemos a oportunidade de debater diferentes visões do grupo de CFOS em diferentes setores de mercado. O formato descontraído proporciona uma maior interação entre os convidados e o debatedor do assunto, trazendo a diversidade de cada setor do mercado, dentro da realidade de cada participante. Este novo formato tem sido de grande valia e maior interação entre os convidados, proporcionando um alto nível de networking profissional.”  Stania Moraes, da Ciena Communications Brasil.

Agradecimentos – O líder do grupo, Pierluigi Scarcella, agradeceu aos participantes, sendo que quase metade dos presentes ainda não havia participado de uma reunião do IBEF Global. Agradeceu ainda o patrocínio da Ascensus e do Bank of America Merrill Lynch, que cedeu o espaço para a realização do evento, e à equipe do IBEF Global, membros executivos de finanças do grupo e diretoria do IBEF-SP. “Essa nova dinâmica do evento tem como principal foco o relacionamento. Até ano passado, o IBEF Global realizava um jantar e não tinha relacionamento, e esse ano decidimos mudar. O protagonista do evento são vocês”.

O presidente do conselho de administração do IBEF-SP, Luis Schiriak, falou sobre a importância desses encontros. “O IBEF-SP é uma associação de amigo e amigas, e o relacionamento faz parte da longevidade do Instituto. Quando IBEF-SP foi lançado, tinha como valores a ética, diversidade e amizade. Essa é uma fórmula que permanece até hoje”. Ele destacou ainda como foi sua chegada ao Instituto. “Cheguei no Brasil em 1995 e não conhecia ninguém em São Paulo. Um dia, vi no jornal um evento do IBEF-SP e foi amor à primeira vista. Estou cheio e amigos e amigas e é muito legal ver como o Instituto se renova e como os eventos têm mais brilho”.

A Ascensus se apresentou como patrocinador, com a fala de Jocemar Costa, que contou um pouco sobre os pilares de atuação da empresa. Ricardo Diniz, do Bank of America Merrill Lynch, agradeceu a presença de todos por estarem no espaço do banco, e destacou: “por mais disruptivo que o mundo seja nunca perderemos o contato e olho no olho”.

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