Como construir uma liderança inspiradora em tempos de crise

Como liderar em um cenário de transformações culturais e de valores nas empresas e ainda inspirar pessoas?

Respostas para essa pergunta permearam a live ¨Jornada da Liderança: propósito e aprendizados¨, realizada pelo IBEF SP em 23 de março.

O bate-papo foi conduzido por Magali Leite, vice-presidente responsável pelo IBEF Conecta – iniciativa que consolidou o IBEF Mulher e o IBEF Jovem – com a convidada Flavia Camanho, CEO do Flux Institute, focado no desenvolvimento de liderança e governança.

Flavia exerceu posições executivas em recursos humanos e gestão da mudança em empresas como Grupo Pão de Açúcar, Johnson&Johnson e a Cia Esa (family office dos acionistas do Itaúsa). Ela é coach e também colunista da Forbes e da 4insiders.

Mundo faz convite à reflexão – As organizações se deparam com um novo momento cultural, catapultado pela pandemia de COVID-19, observou Flavia.

Esse movimento consiste na migração de uma ótica puramente voltada para resultado financeiro, pertencimento e alta performance, para uma ótica de construção colaborativa, alianças estratégicas e serviços à comunidade.

Mas esse movimento não é de agora, ressaltou Flavia. “Não foi a pandemia que fez isso; é um movimento que vem sendo posto pela sociedade: nossa ampliação de consciência ao debater racismo, fobia LGBTQI+, questões de gênero. Começar a trazer para as organizações a representatividade, a diversidade do mundo, e trazer para a mesa conversas sobre humanidade, realidade e conexão com o ecossistema”.

Novo contexto, novas skills Esse novo momento exige dos líderes outros comportamentos, definidos como skills mais femininos dentro das organizações, ressaltou a CEO.

¨Temos a característica, como executivos, de ir para o pragmático, o lugar do resultado, a cobrança do objetivo – o que não deixa de ser papel importantíssimo da liderança: manter o norte em momentos de crise. Mas temos sido convidados a trazer um outro estilo aprimorado de liderança¨, acrescentou Flavia.

Falar em skills femininos não se restringe a mulheres, mas características que podem ser exercidas por ambos sexos, ressaltou a CEO.

“Empatia, diversidade, criatividade, colaboração, sair da ótica do ter para o compartilhar é um movimento do feminino. Então, começamos a trazer isso para a mesa e a convidar homens e mulheres a inserirem esses skills dentro das organizações”, completa a executiva.

Como construir uma liderança inspiradora – A grande qualidade que faz alguém seguir um líder, observa Flávia, é ver a verdade naquela pessoa, o famoso walk the talk. E para propor a sua verdade ao mundo, o primeiro passo é o autoconhecimento.  

“Eu acredito que propósito temos um só na vida: descobrir como viemos para colaborar para o mundo ficar melhor”, disse Flavia.  

“Então, o grande caminho para a construção de uma liderança inspiradora é você entender o que existe dentro de você, o universo de possibilidades. E se apropriar cada vez mais de quem você é: quais são as suas forças, talentos, dons… Se apropriar disso e criar essa narrativa”.

Quando existe o alinhamento entre o que o profissional deseja fazer no mundo e o que a empresa propõe, esse é o propósito comum, completou a executiva.

Como corrigir a rota – Contudo, nem sempre um líder percebe que não cumpre seu papel de forma adequada. Muitas pessoas talentosas chegam a posições de liderança pelo skill técnico, mas sem maturidade emocional compatível com a função.

O que fazer então para desenvolvê-la? Flavia defende que as organizações devem ter um processo estruturado de feedback, que possa trazer a relação de verdade entre líder e liderados.

“A conversa, a proposição do diálogo, é a única ferramenta que a organização tem, inquestionável, para o desenvolvimento de liderança. Você pode dar curso, mentoria, isso funciona muito. Mas, sem dúvida, estabelecer processos de diálogo dentro da empresa – entre liderados e lideres, e seus pares, de como se construir essa liderança”.

Ponto de equilíbrio – Outroponto importante da liderança inspiradora é encontrar o equilíbrio entre o direcionamento do trabalho e o cumprimento de metas com a humanização das relações com os talentos que estão no seu time.

“Muitas vezes estamos tão no piloto automático de gerar resultados que não paramos para questionar quem são as pessoas que estão no nosso time”, alertou Flavia.


Liderança remota – Durante a palestra, ela contou um caso simbólico de um grande líder, reconhecido pelo mercado, que enfrentava dificuldades para engajar o time durante as reuniões virtuais nesses tempos de pandemia. Ele então foi incentivado a perguntar ao próprio time o que poderia fazer de diferente.

E a resposta da equipe foi separar um momento, no início de cada reunião, para que as pessoas pudessem compartilhar suas experiências e falar sobre a vida, replicar o famoso momento do cafezinho que se tinha nas reuniões presenciais.

“Isso foi há 1 mês. E hoje ele disse que percebe o time mais motivado. Esse líder também começou a ver coisas que nunca tinha parado para notar: como eram as casas dos funcionários, como se comportavam. E ele trouxe essa nova percepção para o bate-papo, com leveza e bom humor. Enfim, ele começou a trazer humanidade para essa relação, nesse novo contexto, mesmo sendo um líder já bastante reconhecido”, completou.

Prolongando a carreira – Flavia também deu dicas para que os executivos possam aumentar a longevidade de suas carreiras no universo corporativo.

Ela ressaltou que o mundo faz três convites neste momento: inserir no planejamento de vida o aprendizado contínuo de novas skills – separando tempo e orçamento para isso; buscar o autoconhecimento; e manter-se curioso.

“Tenha um planejamento estruturado das skills e competências que você precisa aprender. Encontre a sua fonte de atualidade, novas tecnologias, disrupções, mudanças culturais. Hoje existem vários serviços que você pode assinar, fazer cursos, e o próprio IBEF SP é um deles”, observou Flavia.

O que você pode fazer pelo mundo – Em sua mensagem final, a CEO incentivou que os executivos, nesse momento de pandemia, descubram o que fazer para melhorar seu entorno, seja ao realizar doações, cuidar das pessoas do time, trazer debates para a organização, doar tempo para alguma causa. 

“Não podemos perder a oportunidade de nos humanizar e inquietar com que o mundo está convidando”, disse Flávia. “Qual é o seu papel? O que você pode fazer com o seu dom em relação ao que o mundo precisa neste momento?”, indagou, convidando cada um a encontrar sua resposta.

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