CT de Mercado Financeiro e de Capitais discute retorno dos IPOs e mudanças estruturais em curso nos mercados, incluindo Open Banking

Em reunião realizada no dia 8 de outubro, a Comissão Técnica de Mercado Financeiro e de Capitais falou sobre a retomada dos IPOs após um breve período de congelamento devido à pandemia de COVID-19. O mercado, contudo, está mais seletivo devido à volatilidade além do volume de ofertas disponíveis. Rosangela Santos, líder da CT de Mercado Financeiro e de Capitais do IBEF-SP, pontuou que as ofertas continuam em valores mais expressivos, com certa dificuldade do mercado para aceitação de transações de valores menores.

Rafaela Araújo, gerente de relacionamento e estruturação de ofertas da B3, lembrou algumas operações com tíquete menores e destacou que um ponto importante que não havia antes e está acontecendo são empresas puramente de tecnologia abrindo capital. “São companhias menores em termos de faturamento e receita, mas que possuem um bom valuation. A oferta acaba sendo grande, mesmo com a companhia sendo de um tamanho menor”, disse.

Ela disse ainda que um dos principais fatores que dificultavam o acesso de companhia menores à bolsa era o fato de não ter demanda o suficiente para isso. “Antes, precisava muito do investidor estrangeiro, que não vai parar para olhar para uma oferta pequena. O que temos visto ultimamente é que as ofertas estão saindo com uma participação maior dos investidores locais, mais de 70% são investidores brasileiros, institucionais, e uma participação relevante de varejo. Isso facilita muito ter ofertas menores, pois o investidor local está procurando diversificação de ativos”, explicou.

Outra questão levantada na reunião é o fato dos custos e requisitos regulatórios para a entrada de empresas na bolsa. Os membros comentaram algumas das iniciativas que dependem de intervenção regulatória para uma simplificação, que todavia ainda estão em estudo. “Mas só o fato da demanda estar mais aquecida acaba facilitando o acesso de empresas menores”, disse Rafaela.

Mudanças no mercado financeiro – Os membros da CT discutiram ainda as mudanças que estão ocorrendo no mercado financeiro, dando destaque para o PIX, já bem próximo de implementação. “Essa é a primeira grande mudança que vem pela frente nesse novo cenário do mercado”, disse Rosangela.

Nesse sentido, a Comissão Técnica está preparando a estruturação de uma série de eventos com o objetivo de abordar o open banking e o movimento de digitalização do mercado financeiro. “O primeiro evento foi com foco em open banking olhando a experiência europeia”, disse Rosangela sobre evento realizado no dia 22 de outubro. Ela destaca que as mudanças no mercado passam pela parte transacional, de crédito e posteriormente investimentos incluindo previdência. “Só de alterações sistêmicas, regulatórias, temos uma agenda de mudanças que se estende até o final de 2021”, reiterou. 

Para contribuir ao longo das próximas semanas e meses, Rosangela sugeriu ainda que a Comissão passe a convidar especialistas para entrevista sobre temas do momento dentro dessa transformação do mercado, fintechs e adoção de novas tecnologias estarão dentro das discussões. “Falar sobre inovação dentro das empresas que podem aproveitar a agenda do open banking, para ganhos de eficiência operacional entre outras estratégias de inovação. Quem não inovar, a possibilidade de ficar pelo caminho será grande”, pontuou Rosangela.

Mercado de capitais – Os avanços na agenda com foco no mercado de capitais também foi tema da reunião. A CT discutiu que empresas têm procurado fontes de financiamento para iniciativas de crescimento. Uma das mudanças, inovações e produtos que a B3 vem trabalhando está relacionada ao mercado secundário de crédito, para apoiar na transparência e precificação, sendo esse um dos desafios, ter acesso a preços praticados no mercado secundário. 

Na reunião, a CT destacou o tema de governança, que está ocupando espaço como um ponto focal para os investidores. Nesse sentido, a governança possui escopo amplo abrangendo aspectos estratégicos para os pilares Ambientais, Sociais e de Governança (ASG), sendo esse um dos temas que deve permanecer recorrente na agenda da CT.

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