CT Mercado e Capitais: a revolução Open Banking e Open Insurance

No último dia 11 de novembro, a Comissão Técnica de Mercado Financeiro e de Capitais do IBEF-SP se reuniu para discutir Open Banking e Open Insurance, tendo como host Rosangela Santos, e recebendo como convidado Luigi Iervolino, chefe de Open Finance e diretor na BIP Brasil Financial Services, empresa de consultoria internacional que tem atuado junto a associações representativas do conselho do Open Banking, grupo de governança formado pelo Banco Central do Brasil para os temas relevantes do modelo brasileiro. . 

Rosangela Santos iniciou o evento destacando a importância do tema e o papel de reguladores e atores do mercado financeiro. “Todo esse movimento de democratização de melhores serviços com as tecnologias, compartilhamento de dados, essa coordenação de atores e reguladores coloca o Brasil, se não como pioneiro, na frente dessas transformações dos sistemas financeiros com uma atitude muito pró-mercado”. 

Adesão ao Open Banking – Apesar de alguns problemas e contratempos iniciais, Iervolino afirmou que o compartilhamento de dados já existe desde agosto de 2021 e que a maioria dos grandes bancos já aderiram ao Open Banking e aqueles menores estão aderindo voluntariamente, pois acreditam que possa ser uma vantagem competitiva. “Os grandes bancos entraram com tudo. Se você entrar no site deles, eles te apresentam vários benefícios se compartilhar os dados. Isso é sinal muito forte de que acreditam no Open Banking e estão acelerando nesse sentido. Bancos menores não são obrigados a aderir no compartilhamento de dados, mas estão enxergando uma vantagem competitiva. A resistência ao compartilhamento de dados do brasileiro é muito menor que na Europa. Open banking vai se desenvolver muito” destacou o especialista em Open Banking. 

Open Insurance – Iervolino explicou que o Open Insurance foi criado com o objetivo de evitar uma assimetria informativa entre instituições financeiras e aquelas de seguros não ligadas a conglomerado financeiro. Em sua última etapa, a fase 4, o Open Banking prevê o compartilhamento de dados de seguros, de investimentos, câmbio, previdência, conta-salário, ou seja, informações que vão além do setor financeiro. As instituições financeiras que possuíssem uma corretora de seguros seriam beneficiadas em relação às empresas que operam unicamente com seguros e não fazem parte de um conglomerado financeiro. Dessa forma, o Open Banking “criaria uma vantagem competitiva porque uma instituição financeira teria acesso a informações que uma seguradora não possuiria, exceto através de parcerias”.  

Por isso foi criado o Open Insurance, “com o mesmo escopo do Open Banking – o compartilhamento de dados –, com o mesmo cronograma e está previsto a interoperabilidade entre Open Insurance e Open Banking. Dessa forma se permitirá que as seguradoras também tenham acesso à conta dos clientes, fato que hoje está restrito aos bancos. E isso vale ouro. Ter acesso aos dados dos clientes permite alavancar e vender mais seguros”, destacou Iervolino. 

Proteção dos dados – Segundo o especialista, o Open Finance é a aplicação prática da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Ele não é incompatível, pelo contrário, ele está aplicando a LGPD. Somente o banco do cliente possui os seus dados. O consentimento para o compartilhamento é individual de cada cliente que decidirá com quais instituições compartilhar, por quanto tempo e qual tipo de dados (cadastrais, financeiros, etc.) ele permite o acesso.  

Segurança do sistema – Iervolino esclareceu que não se trata de um banco de dados comum ou central. Os dados são armazenados pela instituição com a qual o cliente possui um vínculo ou uma conta. As instituições que fazem parte do Open Banking fazem parte de um ecossistema fechado, do qual só faz parte aquelas que possuem uma certificação de segurança das APIs fornecida pela OpenID Foundation. “O standard de segurança FAPI (Financial-grade API) está entre os maiores do mundo, superiores aos do Reino Unido que é considerado um benchmark. São standards que nem os bancos possuem hoje”, explicou o chefe de Open Banking da BIP Brasil. 

Benefícios – Iervolino afirmou que o Open Banking revolucionará muitos negócios. O compartilhamento dos dados por parte do usuário permitirá aos negócios desfrutarem de maior velocidade, acuracidade e facilidade na oferta e na conclusão da venda de produtos ou serviços. “O Open Banking possibilitará a redução dos atritos e, consequentemente, melhorias na jornada do consumidor”. 

Agilidade novos clientes – O speaker afirmou que já existem APIs (application programming interface) e serviços para agilizar e facilitar o cadastramento de novos clientes. Uma empresa pode contratar tais serviços e obter, por exemplo, os dados cadastrais e financeiros de uma pessoa sem que ela deva apresentar comprovantes de residência, renda, etc. Com o Open Banking se abre a possibilidade do indivíduo optar por compartilhar seus dados e não se preocupar mais em levar consigo documentações que de praxe são solicitadas nesses casos.  

“Em caso de falta de algum documento, pode acontecer da pessoa não voltar, fazendo com que a empresa perca o novo cliente. Com o Open Banking temos a possibilidade de mudar e agilizar o processo de validação dos dados de um cliente”, destacou Iervolino. 

Análise de crédito – Outro exemplo de destaque apontado pelo speaker, se refere a possibilidade de uma empresa obter, com a autorização do cliente, dados sobre as entradas e saídas de sua conta corrente, calcular a renda e obter dados mais assertivos. Muitas vezes um comprovante de renda se refere a renda declarada, mas existe um mercado paralelo de renda não declarada. “Com o Open Banking é possível identificar rendas informais e calcular a renda real e a capacidade de ”savings de uma pessoa. O modelo da análise de crédito será melhorado com informações mais detalhadas e tempestivas ”, explicou o diretor na BIP Brasil.  

Economia e atualização – O Open Banking traz economia e dados em “real time”. As empresas poderão não precisar mais contratar serviços oferecidos de outras companhias para reduzir riscos de crédito ou evitar fraudes. “Isso gera economia porque as empresas podem reduzir a contratação de informações dê bureaus”. Além disso, os dados que serão obtidos com essa nova modalidade não serão presumidos ou desatualizados. “A empresa não tomará uma decisão com dados de meses atrás, mas com dados obtidos em tempo real”, explicou Iervolino. 

Personalização consumo – O compartilhamento dos dados possibilitará que as empresas personalizem a experiência de consumo do cliente com base em seu histórico de consumo, suas preferências ou lojas preferidas analisando o percentual de compra (market share) das lojas nas quais o indivíduo realiza aquisições.  

Com relação ao processo de compra, de posse dessas informações acuradas e atualizadas, as empresas poderão enviar propostas de produtos ou serviços sabendo de antemão quais são os custos que o cliente suporta e indicando quais seriam as vantagens e benefícios que estaria recebendo caso aderisse à nova proposta. Com a análise dos dados financeiros e de aquisições, é possível ainda prever o comportamento e o “ciclo de vida” do cliente. “Será possível ver em quais lojas a pessoa está comprando e prever seu ciclo de vida, fazer uma análise comportamental dela e personalizar a sua experiencia de compra”, explicou Iervolino. 

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