Desafios e liderança feminina foram os destaques do bate-papo do IBEF Mulher com a headhunter Camila Junqueira

Há 15 anos na função de gestão de pessoas, Camila Junqueira, headhunter e sócia da FLOW Executive Finders, mostrou que tem como bônus favorável à experiência e ao cargo o fato de ser mulher e mãe. Ela foi a convidada do IBEF Mulher para um bate-papo sobre os desafios e o papel da liderança feminina no mercado de trabalho na área financeira, realizado em 5 de dezembro.

Segundo Camila, a condição feminina e a maternidade agregam uma visão especial para a consultoria de carreira de todos os profissionais. A partir desse prisma, ela conta que é possível traçar os perfis de empresa e candidato, e então identificar de forma mais precisa a melhor sugestão para ambos.

“O meu desafio é fazer o encaixe perfeito. Esse também é o olhar da FLOW! Temos essa missão com todos os públicos, e dedicamos uma atenção especial para as lideranças femininas. Hoje consigo mostrar e enxergar se a mulher teria um lugar suscetível de crescimento em determinada companhia, se teria bom posicionamento, e então encontrar o espaço certo para cada posição.”

Essa perspectiva foi construída por meio da experiência obtida em cargos e situações pessoais pelas quais Camila passou ao longo da carreira. Ela é bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie, com formação em análise de balanços pela FGV, e em coaching pelo ICI International.

Quebra de paradigma – A transformação na carreira começou após escutar a seguinte frase em uma entrevista de emprego: “Você não vai conseguir. Nenhuma mulher consegue, porque tem que trabalhar muitas horas…”. Segundo Camila, aquela sentença se tornou um paradigma que precisava ser quebrado. “Eu estava no momento certo de mergulhar em uma dedicação de trabalho muito intensa, então consegui quebrar recordes de contratações. Isso em uma época em que não havia tantas facilidades que temos hoje com o celular, a possibilidade de fazer uma rápida pesquisa de profissionais em redes sociais, por exemplo”, contou.

Anos mais tarde, a consultora já estava casada e se mudou para o México, onde permaneceu no decorrer de 2006 a 2008, encontrando-se em um universo ainda mais difícil, quando teve que lidar com uma cultura diferente. “Foi um momento bem desafiador, porque me vi em um universo ainda mais machista do que o brasileiro, e onde tive a oportunidade de ajudar a abrir o escritório de uma companhia fora do país. Lá também aprendi como me posicionar melhor e deixar o meu lugar blindado”, disse.

Em seguida, ela retornou ao Brasil para exercer o cargo de gerente executiva, liderando, por mais três anos, três segmentos no Rio de Janeiro: banking, sales & marketing e RH. “Foi quando tive minha primeira filha e decidi sair do mercado por um ano. Um tempo necessário, após oito anos intensos de muito trabalho, de muito aprendizado para saber lidar com todas as situações e decisões que temos que tomar na condição de mãe. Além de valorizar a posição da mulher, que sempre faz tudo ao mesmo tempo”.

Perfis diferentes – Toda essa transformação levou Camila a fazer uma análise mais ampla sobre a carreira e o que deveria buscar em um novo desafio no mundo corporativo. Reflexão, aliás, que ela recomenda às executivas. “É preciso ter convicção da sua função e do que você pode oferecer para manter sua posição. Percebo que, geralmente, a mulher age com um olhar que complementa as ideias do homem em uma empresa. E justamente por atuarem de formas diferentes, acredito que a comparação homem versus mulher não deve ser feita nos mesmos indicadores. Porque a mulher realmente tende a ter que realizar um número maior de funções pois na sua maioria ocupam a posição de CEO do lar”

Camila orienta também que é imprescindível para os executivos financeiros, de forma geral, fazer as perguntas certas. “É válido você entender como funciona o sistema de transição da empresa para a qual poderá ser selecionado. Mas o fator principal é explorar o seu perfil e conhecer a sua rotina”, explica.

Para que cada pessoa possa dar o melhor de si, a profissional fala ainda sobre a relevância de mencionar em uma entrevista de trabalho, por exemplo, o que você não abre mão no seu dia a dia. “É muito significativo que as pessoas tenham consciência do que é importante para a sua performance. Tudo varia de acordo com as mudanças na rotina de trabalho. O horário em que você acorda, se você prefere fazer atividade física pela manhã, se não funciona trabalhando até mais tarde, se precisa levar os filhos na escola etc. Tudo isso interfere.”

Segundo a executiva, a estratégia da FLOW está alinhada com essas decisões e processos para agregar valor. “É nosso papel fazer o candidato pensar em questões e situações reais, coisa que não se vê com frequência no mercado. É um cuidado de consultoria de pessoas que funciona e traz muito resultado”, declarou.

Em relação ao mercado como um todo, a consultora revela que não viu grandes mudanças na participação da mulher em posições de liderança ao longo de seus 15 anos de atuação no ambiente corporativo. Dado comprovado pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), cuja pesquisa mostra que apenas 7,8% de mulheres fazem parte de um Conselho de Administração no Brasil. “Situação que não mudou nos últimos 10 anos, e levará muitos anos para termos uma posição mais equilibrada de gênero no cargo, ainda segundo pesquisas”, acrescentou Maria José Cury, líder da Comissão de Instituições Financeiras e membro do IBEF Mulher e sócia da PwC Brasil.

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