“Green is the new tech”: ESG gera nova onda de transformação nos negócios, destaca live do IBEF Global

Seja por pressão de consumidores, investidores, colaboradores ou parceiros de negócios, as empresas que não se adequarem à pauta ESG (ambiental, social e de governança corporativa), correm o risco de ter cada vez menos espaço no mercado.

Esse tema ganha importância em todo o mundo e impacta empresas internacionais e também locais, observou o Vice-Presidente IBEF Global, Ronaldo Fragoso, na abertura da live “Desafios e Impactos do ESG”, realizada no dia 27 de maio. Ele destacou que a iniciativa IBEF Global, dentro do IBEF-SP, reúne executivos de empresas multinacionais para discutir temas relevantes e atuais.

O painel foi moderado por João Paulo Seibel, CFO da Didi Chuxing (99) para a América Latina. Participaram: Anselmo Bonservizzi, sócio-líder de Risk Advisory da Deloitte; Guilherme Setubal, gerente executivo de ESG na Duratex; e Luciana Ribeiro, cofundadora da gestora de private equity da EB Capital.

Transformação em finanças – O tema ESG em Finanças está no “Radar IBEF-SP”, destacou a presidente da Diretoria Executiva do Instituto, Luciana Medeiros. Recém-lançado, o Radar capta os principais temas que devem estar na agenda dos executivos de finanças, alinhando-os à programação oferecida pelo Instituto aos associados.

A live foi patrocinada pela Accountfy, startup que oferece soluções focadas em gestão financeira, possibilitando a transformação de dados contábeis em informações gerenciais e, assim, auxiliar o planejamento orçamentário, modelagens financeiras, entre outras ações, para decisões mais informadas e ágeis. “Nossa plataforma faz parte da transformação digital da área financeira, que potencializa uma contabilidade e planejamento financeiro mais analíticos, algo cada vez mais importante”, destacou o CEO da empresa, Goldwasser Neto.

ESG é a nova realidade – Na abertura do painel, João Paulo Seibel ressaltou que o movimento ESG começou direcionado por poucas pessoas, mas acabou, em seguida, crescendo em importância, influenciando empresas e ecossistemas, e gerando oportunidades de negócios além de uma melhor qualidade de vida para as pessoas. Nesse sentido, questionou os convidados sobre o que acreditam ser o ESG.

Luciana Ribeiro salientou que a sigla representa uma nova terminologia, mas o conceito da sustentabilidade já ocupa espaço na sociedade há, no mínimo, 40 anos. A painelista foi enfática e mencionou o moto “green is the new tech” para sintetizar sua ideia sobre o ESG, indicando que essa é uma nova realidade. Da mesma forma que a digitalização transformou “pelo amor ou pela dor” todos os negócios, os temas sociais e ambientais assumiram uma relevância e “atingiram um ponto de não retorno” que transformará os negócios, obrigando as empresas a respeitarem o planeta e os indivíduos. “A cultura é do CNPJ mas o tema do ESG nasce do CPF. Então é importante incentivar o CPF a formarem essa cultura no CNPJ quando ela não existe”, concluiu.

Guilherme Setubal acrescentou que há muitos anos a palavra em voga era ecologia, tendo o conceito evoluído, passando por sustentabilidade, para chegar a “ESG”. Segundo o executivo, atualmente não basta mais gerar empregos e pagar impostos, a nova realidade exige um empenho mais global das organizações. Esse conceito representa “uma nova geração de valor não só para os shareholders, mas principalmente para toda a sociedade como um todo.”

Há 10 anos, a missão das empresas era a geração de valor para o shareholder, uma visão focada no individualismo, complementou Anselmo Bonservizzi. O ESG é um game changer pois trouxe consigo uma transformação: hoje, além do acionista, a empresa deve dispensar muita atenção aos stakeholders, inserindo-se em uma coletividade maior. “O ESG é pensar no negócio de uma forma diferente, uma forma boa de se criar valor sem ter a destruição e os efeitos colaterais que temos visto no mundo dos negócios”, completou.

Ecossistema de valores – João Paulo questionou se já é possível perceber que as empresas estão levando em conta valores e o ESG quando escolhem seus fornecedores e clientes, parte de seus ecossistemas.

Anselmo afirmou que o ESG é “uma jornada de médio e longo prazo” e que a maturidade ainda não é aquela desejada. É possível perceber um certo grau de intencionalidade nesse sentido e a utilização de filtros negativos, ou seja, empresas que começam a excluir do seu ecossistema outras organizações envolvidas em práticas corruptivas, de desmatamento ou de más condições laborais, por exemplo. Muitas vezes essas escolhas não são fáceis pois podem afetar a cadeia de valor ou receita da empresa, acrescentou o executivo da Deloitte. Assim, nem sempre é possível fazer escolhas disruptivas, sendo que a transição será progressiva com a adição gradual de outros filtros positivos para se transformar em uma realidade mais estruturada.

Guilherme, por sua vez, destacou que a Duratex possui há muitos anos o programa GFD – Gestão de Fornecedores Duratex – que começou uma seleção de fornecedores de forma muito sutil e foi evoluindo ao longo dos anos. Ele observou que atualmente é “importante olhar menos a foto e mais o filme”; ou seja, talvez a situação atual não seja a ideal, mas é necessário olhar para o futuro que se busca construir.

Muitas vezes uma empresa não pode abrir mão de um fornecedor importante ou de um cliente top line do dia para a noite, mas ela pode fazer uma programação de phase-out, acrescentou o gerente da Duratex. O importante é adotar critérios claros e segui-los, pois a não observância poderá acarretar prejuízos de imagem perante a sociedade e consumidores. Esse será um processo obrigatório e é “melhor que as empresas se mobilizem pelo amor, pois pela dor é muito mais custoso para todos”, concluiu.

Papel educativo das empresas – Muitas vezes uma empresa se posiciona sobre o tema ESG, mas o parceiro ou fornecedor não tem a mesma estrutura e mesma velocidade na adoção das mesmas medidas, ponderou João Paulo. Então, o importante é que a empresa deixe clara as suas escolhas e posicionamento para que seus parceiros possam se adequar no longo período.

Guilherme relatou que durante a pandemia a Duratex introduziu a iniciativa “Papo aberto com o presidente” a qual abriu um canal de comunicação e se difundiu a todos colaboradores. Ela representa o “S interno” do ESG na empresa. O programa se revelou um grande sucesso, pois muitas vezes essa é uma oportunidade única para os membros da família de um colaborador ouvirem o CEO de uma grande companhia. Com esse programa, a Duratex consegue gerar impactos positivos no seu entorno que vão além do ambiente da organização, transformando a iniciativa em uma grande oportunidade de conscientização e educação.

ESG na agenda de investimento – Luciana recordou que em períodos pretéritos o tema ESG “era abordado sobre a perspectiva de risco do seu não cumprimento”. Porém a speaker salientou que os investimentos ESG, sob a perspectiva de retorno no médio e longo prazo, retornam mais valor do que investimentos que não atentam para esses critérios. Além disso, afirmou que o cenário atual evolui para “entender os temas sociais e ambientais como oportunidade”.

A cofundadora da EB Capital salientou que pesquisas mundiais demonstram que 66% dos private equities começam a olhar para o ESG como geração de valor, ou seja, uma mentalidade que vê os problemas como oportunidades de negócios do tipo “ganha-ganha”. De forma prática, o ESG se relaciona “à descarbonização da economia, ao uso eficiente de recursos naturais e à inclusão social, e atualmente o private equity está muito mobilizado em torno da inclusão”, completou.

Métricas de ESG – Os convidados também opinaram sobre o papel das métricas e se haveria uma forma de padronização e comparação das empresas.

Luciana afirmou que esse tema, sob a lente do private equity, é muito complicado e discutido. Disse que se busca aproximar as métricas ao core do negócio. Quanto mais as metas estiverem relacionadas ao core business da organização, mais fácil será o acompanhamento e menor será a discussão sobre a dualidade entre “propósito e resultado”.

Guilherme concordou que é importante ter as metas ligadas ao core business. Acrescentou que as metas ESG devem ser poucas, factíveis e ligadas à estratégia da empresa. “Não adianta a empresa ter uma meta de descarbonização se ela não discute a sua matriz energética”.

Anselmo recordou como no World Economic Forum as quatro grandes empresas de auditoria se reuniram para tentar padronizar as métricas. Disse ainda acreditar que muitas empresas sairão do mercado, pois não cumpriram com a realidade do ESG, e haverá o constrangimento de profissionais e parceiros de negócios em relação às organizações que não adotam boas práticas.

ESG como evolução – A live contou com a participação do Vice-Presidente de Finanças do IBEF-SP, Mário Mafra, que questionou os participantes se a cultura ESG é uma novidade ou um rebrand de outras normas brasileiras que tratavam de responsabilidade social corporativa.

Guilherme disse acreditar se tratar de uma modernização do tema. Informou que na Duratex já existia o ESG em três áreas de forma diferente, o que mudou foi que ele passou a ser trabalhado de forma transversal.

Anselmo concordou que o tema passa por evolução. Recordou que nos anos ‘80 o CREA regulamentou a atividade do engenheiro ambiental. Em seguida, a preocupação das empresas se voltou ao compliance para, posteriormente, iniciar os primeiros relatórios sobre sustentabilidade na virada do século XXI. “Agora estamos juntando todas essas coisas, por isso entendo esse processo como uma evolução”, concluiu.

Reports Accountfy: https://descubra.accountfy.com/novo-modulo-reporte .

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