IBEF Conecta-Mulher: Para ser ¨Future Ready¨ é preciso se libertar de mindsets antigos e abandonar os Canvas de negócios tradicionais

Você está pronto para o futuro? A iniciativa IBEF Conecta – Mulher realizou a live “Future Ready”, que teve como palestrante Daniela Klaiman, futurista e consultora de negócios que atuou para empresas da Fortune 500. O evento, realizado no dia 1º de dezembro, foi moderado por Magali Leite, vice-presidente do IBEF Conecta, CFO e conselheira. 

Antes da live foi realizado um warm-up, bate-papo descontraído com a plateia sobre o papel das lideranças nesse novo futuro, com Ana Paula Zamper, vice-presidente comercial do IBEF-SP e vice-presidente da IBM Systems América Latina, e Jacques Moszkowicz, sócio da área de estratégia da Strategy&PwC Brasil. 

O que é ser ¨Future Ready¨? – O termo remete às organizações prontas para o futuro, ou seja, aquelas que utilizam uma metodologia ágil se colocando à frente dos concorrentes, que inovam buscando oferecer ao cliente uma experiência nova e, ao mesmo tempo, reduzem os custos através da tecnologia e geram novas fontes de receitas.  

Conselhos precisam se adaptar – Após receber alguns convites para integrar conselhos de administração, a futurista Daniela Klaiman disse que se preparou, realizou formações, mas percebeu que muitas empresas não estavam prontas para pensar no futuro.  

“Eu percebi que o conselho precisa se adaptar de forma que os seus novos membros possam ter abertura para falar de outros assuntos relevantes, não necessariamente números e finanças da empresa, mas estratégias para novos problemas de negócios, tendências para o futuro, olhar para frente e saber de pessoas. Dessa forma o conselho terá uma verdadeira diversidade”, ressaltou Klaiman. 

Tipos de futuro – Klaiman disse trabalhar com dois tipos de futuro. Aquele de curto prazo, de 0 a 5 anos, no qual é feito um estudo sobre as pessoas para prever os cenários possíveis, buscando entender estilos de vida, hábitos, consumos, angústias, medos e valores. “Isso é transformado em informação usada pelas empresas para fazer seus famosos planejamentos para os próximos cinco anos, pensando em posicionamento de marca, em lançamentos de novos produtos, testes de produto, em branding”. 

Para o futuro de longo prazo –  futurismo –  se faz projeções de 5 até 50 anos sobre cenários possíveis. “Para fazer esse tipo de projeção estudamos todas as novas tecnologias, incluindo as que poderão surgir, e como elas influenciarão o comportamento das pessoas e dos mercados”, acrescentou a especialista. 

Generalistas estratégicos – Segundo a speaker, no mundo pós-pandêmico o profissional não pode se limitar a ser um expert apenas em sua área ou setor de atuação. Como a próxima disrupção do mercado poderá vir dos 10% de mudanças para os quais muitas companhias não estão olhando, os profissionais que somam conhecimentos em diversas áreas – os generalistas – serão mais estratégicos a partir de agora, em especial nos conselhos e funções executivas.

“A estratégia virá de pessoas generalistas que têm uma visão infinitamente mais ampla”, afirmou a futurista. 

Drive de inovação – O desenvolvimento de novas tecnologias, seguido da sua transferência dos laboratórios para a sociedade, fez com que os custos de produtos e serviços diminuíssem. “Essa é a Lei de Moore: quanto mais cresce a escala da tecnologia, mais cai o custo. A grande questão é que os consumidores se acostumaram com isso e vão querer que tudo custe menos. Eles, cada vez mais, pedirão que os preços fiquem mais baixos”, afirmou Klaiman.  

Mindset para o futuro – Segundo a futurista, as empresas devem passar por quatro grandes mudanças de mindset para sobreviver no futuro. Para ser “future ready” é preciso que o foco passe do individual para o coletivo, do racional para o emocional, do linear para o exponencial, e da escassez para a abundância. “Esse novo tipo de empresa, ao invés de buscar ser um top of mind, ela busca ser um top of heart, pois são empresas que mudam a vida das pessoas para melhor”, afirmou Klaiman. 

Daniela afirmou que as empresas podem  dispor de várias alternativas para cultivar um mindset exponencial e vislumbrar novas oportunidades. São exemplos: viagens de inovação, um conselho de administração que possua visão de inovação, iniciativas de open innovation,  match startups e/ou venture building

5 D’s do Canva exponencial – A especialista também recomendou que as organizações abandonem Canvas tradicionais para repensar seu modelo de negócios, pois estes se tornaram obsoletos. No novo Canvas, com olhar exponencial, a empresa deve considerar 5 D’s: digitalização, disrupção, desmaterialização, desmonetização e democratização.

O primeior passo é a empresa analisar quais áreas ou serviços podem ser digitalizados. O segundo passo é verificar o que pode ser feito para realizar uma disrupção, mudar completamente a área da empresa ou o mercado. Em seguida, proceder a uma desmaterialização (a necessidade de grandes escritórios, por exemplo) de tudo o que é possível. O quarto passo envolve um estudo de desmonetização, ou seja, cobrar de uma maneira diferente, aceitar novas moedas e realidades. Enfim, a empresa deve realizar uma democratização dos seus produtos e serviços. 

“Esse é o novo Canvas que usamos sempre quando falamos de futuro. Se utilizarmos somente o Canvas antigo, estaremos fazendo coisas velhas, irrelevantes. Por isso a empresa precisa efetivamente começar a se planejar olhando com variáveis de futuro, incluindo esse Canvas exponencial dentro do seu planejamento”, afirmou a futurista. 

Pronto para o futuro – Segundo Daniela, várias das mudanças aceleradas pela pandemia de COVID-19 já estavam previstas há pelo menos cinco anos antes, como trabalho remoto, digitalização do varejo e novas plataformas de educação. O problema é que muitos não olharam para isso ou não se preparam, e tiveram que adaptar em uma semana o que poderiam ter se planejado para fazer há anos.

Sua recomendação é que os executivos dediquem uma parte de seu dia para estudar tendências e novas tecnologias, não só de seu mercado, mas em outras áreas também. “Todo mundo tem de ser um pouco futurista, olhar para frente, saber o que está acontecendo e conectar os pontos. A partir disso, conseguiremos entender o que acontecerá, sendo capazes, no mínimo, de planejar vários caminhos possíveis e levar isso para dentro da empresa. Não precisa ser formado, nem especialista. Vocês começam a conectar sinais, imaginar um pouco do que vem por aí, planejar diversos caminhos e situações possíveis. Aí sim, estaremos muito mais future ready”, concluiu Klaiman. 

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