IBEF Mulher promove encontro sobre governança corporativa com Gabriela Baumgart

No Encontro com CEO do IBEF Mulher, realizado na segunda-feira, 2 de março, Gabriela Baumgart foi convidada a compartilhar sua experiência em governança no Grupo Baumgart e em diversas outras organizações. Maria José De Mula Cury, líder do IBEF Mulher e sócia da PwC Brasil, abriu o evento agradecendo aos participantes e à Saint Paul, que oferece o local para esses encontros. “Gabriela traz uma experiência diferenciada, tanto na atividade que já exerceu como diretora executiva do Grupo Baumgart, quanto exercendo o papel de conselheira de empresas familiares, assim como apoiando a implantação da governança nos negócios de sua família e em outras companhias”, destacou Maria José.

Advogada e administradora de empresas, Gabriela dividiu com os participantes suas experiências de vida, falou sobre governança, ciclos de carreira e dos desafios de uma empresa familiar. “O Grupo Baumgart empreende no Brasil há 84 anos. Sempre tive muito cuidado com a minha carreira profissional e, no Grupo, fui uma das pessoas que ajudou a instalar a governança. Foi uma grande oportunidade e passei a viver isso em outras companhias”. Hoje, Gabriela atua como conselheira e mentora em outras empresas familiares, além de ser coordenadora da Comissão de Empresas de Controle Familiar do IBGC. “Tenho como bandeira impactar empresas, principalmente pequenas e médias no Brasil “, compartilhou.

Gabriela contou que advogou por um bom tempo, no início da carreira, mas quando foi convidada a participar da empresa de sua família foi um desafio, pois tinha um orgulho da sua carreira como advogada de um grande escritório. “Aceitei e passei por várias áreas na empresa, tive a oportunidade de atuar na administração, fui feliz ao contratar bons profissionais e ao levantar, com meus irmãos, primos e tios, a bandeira da governança. Saí da diretoria executiva da Cidade Center Norte para fortalecer a governança do Grupo Baumgart”, destacou.

Grupo Baumgart – Gabriela contou um pouco da história do Grupo Baumgart, fundado pelos seus avós Otto e Marianne. “Em 1936, o Grupo começou com a primeira fábrica da Vedacit. Nossa família, de Santa Catarina, veio para São Paulo e se instalou na Zona Norte. Queremos continuar sendo reconhecidos como pioneiros onde atuamos”, disse. Hoje, o Grupo Baumgart possui, além da Vedacit, as Fazendas Reunidas Baumgart e a Cidade Center Norte, onde foram construídos o Shopping Center Norte, o Shopping Lar Center, o Expo Center Norte e o Novotel, além de ter também seus braços sociais, os Institutos Center Norte e Vedacit.

Na terceira geração da Família Baumgart, a presidência executiva dos negócios passou a ser não familiar, com a contratação de executivos no mercado. Os membros da família começaram a atuar nos conselhos e comitês do Grupo. “Percebemos que geramos mais valor em órgãos de governança e comitês. Optamos, sabiamente, por sair da gestão e esse foi um processo de transição de três anos. Hoje, somente contratamos presidentes não familiares para os negócios”, disse Gabriela. Em 2012, a empresa instalou um conselho consultivo, convidando dois conselheiros independentes com experiência em empresas de controle familiar. “Esse conselho consultivo se tornou o nosso conselho de administração, subindo de dois para quatro conselheiros independentes, de um total de sete conselheiros”.

Nessa transição, o mais importante era não perder os conhecimentos que os familiares tinham dos negócios, conforme contou Gabriela. “Tenho irmãos, primos e tios que viveram nos negócios e conhecem profundamente a indústria. Não queríamos perder isso e criamos os outros comitês onde estão alguns familiares que foram executivos. Em todos os comitês convidamos membros independentes e em todos eles temos, no mínimo, uma integrante mulher”.

Governança – “Quando falamos sobre governança, falamos sobre processos, controles, compliance, estratégia, cultura, riscos, inovação e sustentabilidade. Na verdade, a governança deve ajudar as empresas a tomarem decisões melhores, mudando das decisões individuais para as coletivas”, disse Gabriela durante a sua apresentação. Para ser conselheiro é preciso conhecer o mercado e se atualizar. “Nosso conselho de administração acompanha o desempenho do Grupo como um todo. A boa governança é aquela possível para aquele momento, dentro de cada sistema e cada estrutura. É preciso também de soft skills para saber o que é adequado para o momento, definir o perfil do conselheiro e suas competências, alinhados aos desafios da empresa”, destacou.

Além da governança corporativa, o Grupo Baumgart investiu ainda na governança familiar para manter, assim, as gerações da família unidas e alinhadas aos negócios. “Trabalhamos a união familiar. Acompanhamos muito de perto os processos sucessórios de familiares e estamos sempre desenvolvendo os membros da família, estimulando-os dentro do seu interesse e competência. Alinhamos a história para ter um senso de pertencimento e tornar esses valores vivos de geração em geração, devendo preservar o patrimônio e a história, pois reinvestimos muito nos negócios e trabalhamos para a geração de valor futuro”, compartilhou.

Valores familiares – Para atuar com esse nível de governança, o Grupo passou por um processo de aprendizado durante a saída da família da gestão executiva dos negócios, mantendo o seu DNA empreendedor. “Precisamos resgatar esses valores e mantê-los vivos dentro da família, para que as próximas gerações cresçam com vínculo aos negócios e não se desprendam, criando um ambiente favorável para o empreendedorismo no grupo familiar”.

Para Gabriela, os principais desafios de atuar em uma empresa familiar são zelar pela interação dos familiares com os negócios da família, investir na união da família e sua aproximação, apoiar os novos papéis dos familiares na estrutura de governança, conhecer e cumprir as regras, desenvolver e aperfeiçoar acionistas e futuros acionistas, preservar a cultura da família, fazer a manutenção do controle familiar sobre os negócios, integrar o importante papel dos cônjuges na governança familiar, ter clareza e facilitar a comunicação, e migrar de um modelo de representatividade para um modelo meritocrático nos órgãos de governança. De modo geral, os desafios se concentram na preservação e no desenvolvimento dos negócios, da família e da propriedade, que visam gerar valor para todos os stakeholders e impacto positivo na sociedade.

Gabriela contou ainda que, em 2019, foi feita uma revisão do protocolo familiar, a partir da qual o conselho de família foi reestruturado, envolvendo, também os cônjuges. “Este ano, vamos investir em comitês de apoio ao Conselho de Família nas frentes de educação e desenvolvimento e de comunicação da família, em todas as gerações”, complementou.

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