IBEF SP na Imprensa: Entrevista para DCI

Demanda por empréstimo se manterá enfraquecida ao longo do semestre |

Segundo estudo, empresários acreditam em uma alta restrição da concessão no curto prazo, ao mesmo tempo que estão incertos com relação à economia. Melhora pode vir somente em 2017

Por Isabela Bolzani – 09/06/2016

SÃO PAULO ­- Os executivos financeiros acreditam na continuidade de um fraco mercado de crédito para o segundo semestre deste ano. A incerteza econômica gera forte insegurança de empresários, que ainda esperam alta inadimplência e desemprego para o período.

Um levantamento realizado pela GoOn, empresa especializada em gestão e risco de crédito, aponta que o negativismo ainda faz parte das empresas, principalmente sobre calotes e em relação à tomada de recursos.

Segundo o estudo, 51,4% dos executivos financeiros acreditam que a concessão de crédito deve permanecer nos patamares de alta restrição e fraco movimento no segundo semestre deste ano.

Para Eduardo Tambellini, sócio da GoOn, as incertezas a respeito da economia são condizentes ao plano de medidas anunciado pelo atual presidente interino Michel Temer (PSDB), que “de resultado concreto, só mostra ter impacto de crescimento em um período de longo prazo”.

“Muita coisa pode ser feita, mas os frutos só serão colhidos nos próximos anos. Além disso, o que acontece, hoje, é que estamos vivendo mais do que uma crise apenas política ou econômica, mas de confiança. E nesse cenário, ainda temos que acrescentar a questão da política interna de cada empresa. Cada um deve ditar o caminho a seguir, mas não adianta só ficar esperando algo do governo ou da economia. E os empresários estão sentindo isso”, afirma.

A pesquisa também mostra que mais da metade (55,1%) dos entrevistados ainda não consegue formar uma expectativa concreta para os meses de julho a dezembro deste ano, mas 43% acredita que, no mínimo, o período será melhor do que o observado até agora.

De acordo com José Claudio Securato, economista e presidente do Instituo Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), apesar da melhora das variáveis ser algo de longo prazo, os empresários estão “de mangas arregaçadas para trabalhar” nas questões internas.

“Os dados reais são muito ruins, e temos que estar cientes de que estamos vivendo um momento de muito trabalho e pouco resultado. Além disso, outro fator a ser considerado é o baixo nível de confiança do próprio consumidor. De forma geral, as pessoas físicas já mostram uma disposição maior de consumo, por exemplo, mas efetivar a compra de fato, não é algo que elas pretendem fazer”, explica.

O economista ainda ressalta que os dados de concessão de crédito se deterioraram e se estabilizaram no começo do ano, mas que é preciso tempo para “transformar a expectativa em realidade”. “Elas são coisas diferentes. A expectativa negativa começa a mudar gradativamente a partir de agora, mas os números ainda vão demorar um pouco mais”, complementa Securato, do Ibef.

Já em relação à inadimplência futura, 45,3% dos executivos acreditam que a falta de pagamentos vai se manter nos níveis atuais, enquanto 34,9%
são mais pessimistas e vislumbram uma alta nos calotes.

“Os indicadores do Banco Central mostram uma estabilidade, mas quando a gente olha os dados que englobam o mercado, a gente vê um recorde de inadimplência. O crédito chegou em um nível de maturidade onde talvez a gente não tenha mais a perspectiva de se criar um problema imenso. Até porque já estamos no meio do ano, muita coisa que se intencione fazer tem um tempo de maturação”, diz Tambellini.

Ele ressalta que esse movimento pode ser explicado porque, “em um primeiro momento, as pessoas ainda tinham o seguro desemprego, e isso está acabando, agora”.

Para Securato, um elemento relevante no cenário é a renda em regressão por conta da inflação elevada do ano passado. “Isso tira a capacidade de pagamento do crédito já tomado. A demanda está mais restrita e o acesso ao crédito continua menor por conta da dificuldade de pagamento”, identifica.

Demissões

Dentre os piores índices, o “Termômetro de Crédito” da GoOn também aponta que quase 60% dos executivos financeiros tem intenção de reduzir o quadro de pessoal no próximo semestre. Foram 58,9% que afirmaram pretender demitir, ainda que poucas pessoas, contra 41,1% que vão manter as vagas.

Segundo Securato, isso acontece porque o desemprego melhora em velocidade bem menor do que o Produto Interno Bruto (PIB). “Quando tivemos nosso pico no PIB, não estávamos no pico de empregabilidade. É um comportamento muito diferente entre geração de riqueza e de emprego”, opina o economista.

Os executivos ainda ressaltam que o ano de 2016 “não é um ano perdido, mas é de muito trabalho para conseguir sustentar todas as operações”, lembra o sócio da GoOn.

“O Brasil vai virar o ano com um ânimo um pouco melhor, mas a mudança só vem do segundo trimestre de 2017 pra f re n t e”, diz Securato.

“E o progresso não vem no começo do ano não, vem no decorrer. Os primeiros trimestres são só o começo da melhora”, completa Tambellini.

Fonte: DCI

Compartilhe: