“O time financeiro precisa ser resolutivo”, destaca Fernando Leão, CFO do Grupo Fleury

Inspirando jovens profissionais que anseiam cargos de liderança no mercado financeiro, Fernando Leão, CFO do Grupo Fleury, trouxe recomendações valiosas para o encontro de mentoring do IBEF Jovem realizado no dia 27 de novembro.

Entre os principais conselhos, o convidado comentou sobre a importância da postura, atitude e maturidade em um profissional. “Considero postura questão mandatória. Mas, além disso, o time como um todo precisa ser resolutivo. Isso imprime outra cara para a equipe de finanças”, comenta ele, que enxerga o gestor como peça importante para estimular um ambiente com mais engajamento.

Os conselhos são endossados pelas experiências que Leão conquistou ao longo dos 24 anos de carreira nos setores de saúde e educação. Embora formado em Engenharia Civil, pela Universidade Federal de Minas Gerais, o início de sua vida profissional foi na Andrade Gutierrez, empresa em que trabalhou por oito anos em Controladoria e Finanças. Nesse período, fez um MBA em Mercado de Capitais no Ibmec.

Mudar é preciso – “Foi um momento ímpar de muito aprendizado, mas eu sentia necessidade de pleitear novas oportunidades. Eu precisava movimentar minha carreira. Então, em 2001, saí de Belo Horizonte para São Paulo”, contou. Leão também decidiu enriquecer seu currículo com um MBA fora do país: recebeu uma bolsa para estudar em Washington, DC, e cursou um Master Degree em Administração na Universidade de Maryland, em 2003, aos 29 anos de idade.

O CFO ponderou que este foi um período que agregou em sua vida pessoal e, consequentemente, na vida profissional. “Fazer esse MBA nos Estados Unidos me proporcionou muito mais do que conhecimento técnico. Foi o que me ajudou a ter mais coragem para encarar novos desafios”, disse. Para complementar isso, nas férias de verão do calendário estadunidense, ficou quatro meses no cargo de Supply Chain Finance na Black & Decker, oportunidade em que liderou um time de auditoria.

Em 2005, antes de retornar definitivamente ao Brasil, Leão assinou um contrato com a Johnson & Johnson, que teria início com um trabalho na operação no Caribe. Assumiu a cadeira de controladoria de negócios latam após um ano de empresa. “Isso aconteceu porque tive a oportunidade de desenvolver projetos que possibilitaram esse rápido crescimento de posição”.

Crescimento acelerado – Após dois anos, mirando novas possibilidades, Leão dedicou-se ao projeto de início das operações Brasil da farmacêutica Schering-Plough, no qual participou de toda a criação da área de planejamento financeiro, e também teve a chance de gerenciar um time, como fazia parte de seus planos.

Mas um novo ciclo estava por vir no ano em que a companhia farmacêutica Merck adquiriu a Schering, quando Leão já estava com novos projetos delineados para uma posição de direção financeira. O salto na ocupação foi em 2009, quando encarou o desafio de mudar de setor. Ele entrou para o time da rede global de instituições acadêmicas privadas Laureate Education, empresa em que trabalhou como Corporate FP&A, head de Tesouraria e conquistou a posição de CFO pela primeira vez.

Segundo ele, foi o ápice de novas práticas profissionais e a experiência mais dura, devido à cobrança por resultados. “Ajudei a estruturar o operação no Brasil”, afirmou. Em 2010, ficou com a operação em Manaus, durante quase três anos, na qual conquistou a experiência de trabalhar com outro grupo de pessoas e ter uma dinâmica diferente de trabalho. “Tivemos um bom time técnico, mas também pude me posicionar com o estilo de liderança que eu mais gosto: aquela baseada no exemplo, de colocar a mão na massa com a equipe.”

Aprendizado e resiliência – Leão contou que foi um período em que pôde exercitar a qualidade de resiliência, para entender que “ali existia a oportunidade de crescimento”. A mesma percepção o levou a retornar ao setor da saúde, em 2013, quando foi convidado para ser CFO do Hospital Albert Einstein. “Do ponto de vista de amadurecimento, foi um ganho enorme ter saído de uma empresa com média de R$ 300 a R$ 400 milhões de faturamento para um salto de R$ 2 bilhões. Isso revela a força do hospital, com excelência e gestão de grande empresa”, comentou.

Ainda no setor de saúde, ele fez um novo movimento de carreira em abril de 2017, quando assumiu a posição de CFO no Grupo Fleury. Ele se declarou realizado na empresa. “Gosto da proposta de saúde com excelência, e dinamismo na entrega, como temos hoje”, afirmou. “Além disso, temos espaço para implementar novas automações e técnicas inovadoras, absorvendo o começo de uma série de mudanças que virão. É muito interessante fazer parte de soluções e processos que se transformam. Temos um time consistente e muito consciente disso”, comentou.

Segundo ele, o pensamento do executivo precisa manter o questionamento de tudo o que está sendo feito e contar com um time que tenha mentalidade voltada à inovação. “Nossa função na liderança é estimular o que está surgindo”, pontuou.

Leitura de ambiente – O CFO destacou a importância de o profissional saber fazer a leitura do ambiente ao entrar em uma nova empresa, para identificar oportunidades. “Aprendi também que é válido exercer uma liderança analisando o cargo em que você está, independente de qual seja a sua cadeira.”

Leão relembrou, em vários momentos, fatores que considera muito importante nas relações de trabalho. “O meu papel como gestor é trabalhar para criar um ambiente de boa comunicação, relacionamento e de postura. Eu me cobro bastante quando percebo que falhei nessa missão”, disse ainda. Para ele, a finalidade de um líder é provocar engajamento, ao mesmo tempo em que estimula o time a se envolver com o que há de novo no mercado.

Liderar por influência – Com relação ao papel dos profissionais de finanças, o CFO enfatiza que é preciso oferecer soluções construtivas e atuar de maneira a dar importância para áreas distintas. “Mais que isso! Conforme você assume um papel de liderança ou determinadas funções, é importante saber fazer as perguntas certas, sem ter receio de questionar; escolher o time certo, conhecer a força da sua equipe e extrair o melhor de cada um”.

“Tive gerentes técnicos que foram excelentes em ensinar e oferecer respostas para que eu pudesse aprender tudo o que sei hoje. Por isso, gosto dessa postura de liderança por influência, que é fundamental quando você tem que lidar com ambientes muito diversificados”, ressaltou Leão.

Leão também comentou o atual cenário de inovação e transformação digital no mercado. Ele ressalta que as rotinas de trabalho mudarão radicalmente e os profissionais terão que se adaptar. “Temos que acompanhar as ideias e implementar novas soluções. O executivo financeiro terá o desafio de lidar com isso”.

IBEF Jovem – Este ano, o IBEF Jovem promoveu um total de 23 encontros de Mentoring, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento da carreira, por meio do diálogo e do aconselhamento com líderes experientes. O IBEF Jovem é patrocinado pela plataforma Antecipa, que determina, por meio de algoritmos e análise de dados, a taxa de desconto da antecipação de recebíveis para cada transação, usando um mecanismo de leilão por meio de uma avaliação da oferta e demanda. www.antecipa.com

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