Open banking: o gerenciamento inteligente das informações será o grande diferencial competitivo

O IBEF-SP realizou mais uma live do seu programa de certificação, no qual especialistas abordaram o tema “Desafios e oportunidades do Open Banking e o cenário atual do mercado financeiro”, no dia 14 de outubro.  

O evento foi moderado por Aury Luiz Ermel, executivo financeiro de ALM e treasurer do Banco CCB – subsidiária do China Construction Bank, CFO certificado pelo IBEF-SP desde 2019, e teve como convidados: Ingrid Barth, membro do Comitê de Open Banking do Banco Central; Gustavo Cunha, CEO da Fintrender; e Maurício Fernandes, CFO e VP Financeiro Brasil e South Latin America da Mastercard. 

Atualidade e novo paradigma – Aury Ermel destacou a atualidade do tema open banking, pois é de interesse de todos e cada vez mais estará presente no dia a dia dos brasileiros. “Há pouco tempo, o gerente de banco era a pessoa que conhecia os empresários da cidade, que concedia crédito, negociava taxa. Esse conceito de que o gerente de banco era o dono do negócio, era o dono do cliente, vem se perdendo no tempo e o open banking veio para desmistificar isso. Atualmente, o dono do cliente é o próprio cliente, o dono dos dados do cliente é o próprio cliente. É ele que decide quais informações compartilhar e a quem conceder acesso aos seus dados”, explicou Ermel. 

Divisor de águas – Ingrid Barth acrescentou que a iniciativa open banking será um divisor de águas, mudando o dia a dia das pessoas e o relacionamento dos clientes com as instituições financeiras: “é uma experiência realmente única. Na minha concepção, teremos um Brasil antes e um Brasil depois do open banking”.  

Membro do Comitê de Open Banking do Banco Central, Ingrid esclareceu que o open banking é um conceito mais simples do que parece. De fato, ele é o compartilhamento dos dados e do comportamento de consumo dos clientes do mercado financeiro entre as instituições participantes, dependendo do consentimento dos próprios consumidores. Apesar de atualmente ser direcionada às instituições financeiras, essa iniciativa se estenderá em breve para outros setores e indústrias, informou. 

O open banking está apoiado em três grandes pilares: a busca pela democratização do acesso ao sistema financeiro, a democratização do crédito auxiliando pessoas que se encontram à margem do sistema financeiro, e a preocupação em melhorar a experiência do usuário. Dentre seus benefícios, por exemplo, está a realização de análises de crédito mais precisas, pois com a possibilidade de verificar o comportamento de consumo e de conhecer melhor o cliente será mais fácil desenvolver um modelo preditivo que apoie e agilize as decisões. 

Segurança – Questionada sobre a questão da segurança do compartilhamento das informaçõesIngrid Barth informou que o open banking é um ambiente seguro, desenvolvido de forma alinhada à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD. Para tudo o que for compartilhado, deve existir o consentimento expresso do cliente, a quem cabe a escolha dos destinatários e do tempo de compartilhamento dos dados. Para participar do open banking, tanto a empresa que informa quanto a que recebe os dados precisam cumprir todas as exigências de segurança, de tecnologia e de especificações técnicas requeridas.   A segurança é, assim, garantida nas “duas pontas”. 

Ambiente para inovação – Em complemento, Gustavo Cunha afirmou que em 2015 já existiam preocupações e discussões referentes à propriedade dos dados presentes nos bancos de dados das instituições. O Brasil ainda estava um passo atrás em relação ao open banking, se comparado a países da Europa, e ainda mais distante dos da Ásia, principalmente China, que está um estágio muito mais avançado.  Todavia, nos últimos anos houve no país uma aceleração na aceitação de novas tecnologias e na construção de um ambiente favorável para as fintechs e inovações. “Nesse sentido, a LGPD foi um passo importante para possibilitar o open banking”, destacou Cunha. 

Gestão unificada e competitividade – Na visão do CEO da Fintrender, após o estágio de auxílio na análise de crédito, o open banking entrará em uma nova etapa de gestão unificada de serviços por meio de um aplicativo ou uma plataforma digital que possibilitará a interação com uma única ferramenta capaz de movimentar contas em diversos bancos.  

“Para a pessoa física e para as empresas isso é muito bom pois haverá a opção de concentrar informações em um aplicativo escolhendo aquele que oferece a melhor experiência do usuário – UX – sem a necessidade de acessar diversos aplicativos de bancos diferentesO Brasil está em uma trajetória muito boa conseguindo democratizar o acesso, de melhorar o crédito, gerar uma melhor experiência para o usuário e fomentar um ambiente mais competitivo”, explicou Cunha. 

Transformação e soluções personalizadas – “Com o avanço da tecnologia e o surgimento das fintechs, o mercado cresceu muito e se tornou mais complexo. O surgimento da pandemia também contribuiu para influenciar o comportamento do consumidor – acelerando, por exemplo, a adoção de pagamentos contactless, a adoção do e-commerce, as formas de pagamento e bancarização de milhões de pessoas”, completou Maurício Fernandes.  

Nesse novo contexto de mercado, mais complexo, o VP Financeiro para o Brasil e South Latin America da Mastercard destacou a necessidade e a capacidade de transformação das empresas, sendo possível observar, por exemplo, marketplaces que estão se tornando carteira digitais, grandes bancos criando seus bancos digitais e estes e fintechs criando os seus marketplaces. “É nesse ambiente que o open banking está entrando.”  

O executivo acrescentou que o cliente busca produtos flexíveis e mais personalizados. Ele quer escolher o que precisa e não mais que ofereçam o que ele precisa usar ou mesmo “produtos de prateleira”. Nesse ambiente, a inteligência artificial e o data analytics podem ser aliados no desafio de transformar dados em informações úteis, em decisões de crédito instantâneas, em produtos mais personalizados e de entregar a melhor experiência para o usuário, “permitindo ao consumidor quase criar o seu próprio banco”, destacou Fernandes. 

O gerenciamento inteligente das informações internas, aliado ao auxílio de empresas que permitam enriquecer os dados já presentes no open banking com informações externas, será o grande diferencial competitivo, completou o executivo da Mastercard. 

O vídeo da live, com todos os assuntos abordados, ficará disponível para acesso exclusivo dos associados do IBEF-SP.    

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