Painel CEOs: Liderança, adaptabilidade e aprendizado contínuo são requisitos para a transição de CFO a CEO

CEOs brasileiros de destaque compartilharam as suas jornadas na transição de CFO a presidente de empresas na live “Painel CEOs: de CFO à Presidência”, realizada no dia 18 de novembro, pelo IBEF-SP, com o patrocínio da Coface. 

O evento teve como painelistas Rosana Passos de Pádua, CEO da Coface, Cristina Betts, presidente da Iguatemi Empresa de Shopping Centers, Britaldo Soares, membro do Conselho de Administração do IBEF-SP e conselheiro de empresas, e foi moderado por João Márcio Souza, CEO da Talenses Executive Latam e vice-presidente de marketing e comunicação do IBEF-SP. 

Perspectiva histórica – Os painelistas destacaram o papel das lideranças no mundo corporativo em meio às mudanças pelas quais o Brasil passou nas últimas décadas. Britaldo Soares relembrou que durante sua carreira atuou em situações de mercado regulado e fechado, com crises de dívida externa, planos econômicos que se sucediam, mudança de regime político, inflação de 100% ao mês, além de um fluxo de informações muito inferior ao atual. Desde então, ressaltou que “o mercado mudou muito, com a velocidade da informação exigindo uma adaptação completa dos profissionais. Como executivo você precisa se moldar e saber transitar nesses diferentes ambientes. A sociedade exige muito mais do que antes”.  

Rosana Passos de Pádua lembrou a abertura de mercado muito rápida nos anos 1990, que mudou a forma das empresas interagirem com seus clientes, e destacou que, antes do advento dos computadores e com uma tecnologia ainda incipiente, os profissionais eram mais suscetíveis a erros no mundo corporativo. “Por isso era um ambiente em que as pessoas deviam confiar muito umas nas outras e no qual era fundamental que elas se responsabilizassem pelos seus atos”.  

Frente às constantes mudanças, os painelistas concordaram que o executivo líder deve possuir resiliência e capacidade de adaptação. “Todas essas mudanças e situações serviram de aprendizado e mostraram que a adaptabilidade e resiliência são fundamentais”, completou Cristina Betts. 

Planejamento de carreira – Aproveitar cada passo da carreira no mundo acadêmico e no profissional, colher todas as oportunidades que uma cadeira na faculdade possa te oferecer são os conselhos de Betts. “Não pense só no que você pode fazer, mas também além da sua caixinha. Pois cada oportunidade é um aprendizado. Um esforço adicional significa que você vai dedicar mais horas. Acredito que é importante fazer mais do que simplesmente o seu job description”. 

Ao relembrar sua trajetória, Britaldo destacou que o planejamento de carreira precisa ser realizado, mas se deve estar ciente de que acidentes de percurso, para o bem ou para o mal, acontecem. Segundo o executivo, o aprendizado constante é importante. Existem vários fatores em perspectiva, como a capacidade de adaptação, o apetite pelo risco, a energia, além do ‘sangue, suor e lágrimas’. “Por melhor que seja o planejamento, a vontade de fazer acontecer e o compromisso com as pessoas vão impulsionar muito o profissional que apresente essas qualidades”, concluiu o CEO. 

No Caos a Oportunidade – Em períodos de crises e grandes adversidades há muitas oportunidades para o profissional de finanças ocupar e consolidar o seu espaço. “Muitas vezes o desafio certo e mais motivador para o CFO é o próprio caos. É conseguir sair do outro lado da tempestade ainda mais forte emocionalmente, preparado estratégica e tecnicamente e reconhecido pelas entregas feitas. Competências como habilidade de negociação e influência estratégica de múltiplos stakeholders estão entre as mais importantes para aqueles(as) que pretendem ocupar cadeiras no alto escalão das organizações”, afirmou João Marcio Souza.

Ao longo do planejamento de carreira é preciso estudar, pois o mundo se transforma rapidamente e o profissional acaba por se desatualizar com a mesma velocidade. “Precisamos continuamente fazer uma análise de gaps e correr atrás para fechá-los”, afirmou Rosana. Também é importante ter claro o momento profissional para poder fazer as escolhas – muitas vezes difíceis – da carreira. Por fim, a executiva alertou que é preciso saber onde se quer chegar. “Você não vai chegar a lugar nenhum na carreira se não tiver um objetivo muito claro. Para o planejamento de carreira é crucial saber onde se quer chegar, se esforçar para atingir os objetivos e ter coragem. Assim, seguramente, a sua trajetória terá sucesso”, completou a CEO da Coface. 

Transição de CFO a CEO – Betts afirmou que o CFO tem a companhia “na mão” – traduzida em números – e que as finanças são uma ferramenta incrível para enxergar tudo o que está acontecendo na empresa, a partir de uma única cadeira. “É preciso saber usar essas informações: o que você faz com aquele número, como você utilizará esses dados para estimular stakeholders diferentes, para se mover e fazer alguma coisa nova ou buscar um resultado melhor. O CFO traduz em números a estratégia e a visão futura da companhia, e adquire uma bagagem muito grande para dar esse passo à frente em direção à posição de CEO”, afirmou a presidente do Iguatemi. 

Britaldo contou que sua passagem de CFO para assumir pela primeira vez o cargo de CEO foi em meio a uma crise na Jari Celulose quando o “piloto sumiu”, ou seja, quando o CEO havia renunciado ao cargo e os acionistas o chamaram para a liderança da companhia. Apesar de assumir a empresa em uma situação complexa, disse que sempre teve “um perfil de CFO que olhava o negócio de forma estrutural”. Ainda que se dedicasse “ao mundo das planilhas, dos fluxos de caixa, a ter sempre tudo bem monitorado, essas características permitiram ter mais segurança, possibilitando olhar para a fronteira maior do negócio e fazer as reestruturações necessárias no momento”. 

Rosana de Pádua afirmou que um fator chave na sua escolha como CEO da atual empresa foi a sua experiência como cliente uma vez que sempre utilizou seguros de crédito como ferramenta de mitigação de riscos, produto oferecido pela Coface. “Eu sempre usei o seguro de crédito. Desde o início dos anos 2000 era cliente. Então conheço muito bem o produto e acho que esse foi, sem sombra de dúvida, um dos fatores que me levaram à cadeira de CEO”. Além disso, a executiva apontou que a sua capacidade de liderança e o seu modo de tratar e entender as pessoas também foram essenciais para atingir o cargo atual.  

A “ida para cima” precisa ser legítima – João Márcio Souza destacou que para atingir a cadeira de CEO o profissional vai gradativamente legitimando uma trajetória ascendente, “comprovando e confirmando com stakeholders, pares, acionistas e conselho de administração que possui a elegibilidade e a legitimidade para ocupar aquela cadeira”.

Segundo Rosana, são competências principais para uma posição de CEO o conhecimento técnico do negócio da empresa e a capacidade de liderança. “Sem o conhecimento vai ser difícil liderar e tomar as decisões mais importantes. E ter um time que trabalha com você, principalmente em um negócio como o nosso, no qual dependo muito das pessoas, é fundamental. O nosso ativo mais importante são as pessoas e por isso friso muito essa questão da liderança”. 

Formação e sucessão – A CEO da Coface acrescentou que a companhia se preocupa muito com a formação dos novos. “A empresa trabalha desenvolvendo os novos entrantes, fazendo sempre as escadinhas de carreira para que as pessoas tenham a oportunidade de crescer e trabalhar de forma assertiva em planos de sucessão”. 

Betts, de forma bem-humorada, relembrou os dizeres de seu antigo chefe: “se você não tiver alguém embaixo para fazer o que você faz, a chance de você subir é nenhuma porque não terá como ser substituído”. Brincadeira à parte, ela destacou que é necessário um planejamento que englobe treinamento e a linha de sucessão para a saúde e perenidade da companhia. “Na minha ascensão a CEO, fizemos uma sucessão 100% interna porque todos estávamos preparados para se sentar na próxima cadeira”, lembrou a CEO do Iguatemi. 

Melhor que você – Na visão de Britaldo, é essencial que a empresa se preocupe com a formação das pessoas para o negócio como um todo. Alertou ainda que é fundamental contratar quem vai ser melhor que você. “Para isso, é preciso ter coragem. É necessário contribuir para o desenvolvimento das pessoas, pois os caminhos se cruzam sempre e você não faz sua trajetória sozinho”.  

Ir além – Os presidentes alertaram que o CFO não pode mais ser self-contained. Os executivos de finanças devem se colocar e entender as outras áreas da companhia. Atualmente a dinâmica do mundo e as exigências são maiores de forma que o aprendizado deve ser constante: o profissional precisa ir além o tempo todo e ter resiliência para se adaptar continuamente.  

O vídeo da live, com todos os assuntos abordados, ficará disponível para acesso exclusivo dos associados do IBEF-SP. 

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