Carreira em finanças: os desafios para o profissional em desenvolvimento

CFOs compartilham aprendizados de suas trajetórias profissionais em Seminário do IBEF Jovem

Evento aconteceu na Saint Paul Escola de Negócios

O IBEF Jovem, em parceria com a Saint Paul Escola de Negócios, realizou o seminário Carreira em Finanças: Os Desafios para o Profissional em Desenvolvimento”. O evento teve como convidados Clóvis Poggetti Jr., vice-presidente de Finanças e RI da Cielo, e Mário Mafra, CFO da Wheaton Brasil. Renan Riedel, coordenador acadêmico da Saint Paul, foi responsável por mediar o debate, realizado na escola de negócios, em 30 de agosto.

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Líder do IBEF Jovem (centro) e CFO convidados

O líder do IBEF Jovem, José Vinicius de Oliveira Alves, conduziu a abertura do evento, momento em que destacou os benefícios da associação para os jovens executivos. Dentre os quais, o programa de mentoring com CFOs, descontos em cursos de formação e pós-graduação em instituições de ensino renomadas, e o networking de qualidade.

José Vinicius e Mário Mafra ressaltaram ainda a oportunidade para os jovens participarem do Prêmio Revelação em Finanças IBEF SP/KPMG, a mais importante iniciativa do País voltada a premiar trabalhos inovadores em finanças. As inscrições para o prêmio seguem abertas até 16 de setembro, e devem ser realizadas por meio do site oficial.

Clóvis Poggetti Jr., vice-presidente de Finanças e RI da Cielo

Ponto de inflexão – Iniciando o debate, Renan Riedel perguntou aos CFOs qual foi o ponto, em suas trajetórias de carreira, que consideraram ter sido essencial para atingirem um cargo de alta gestão.

“Confie e trabalhe” foi o lema enfatizado por Clóvis Poggetti Jr. Ele relembrou que um ponto de virada em sua carreira começou com um “não”, vindo do CEO. Na época, Clóvis era diretor de controladoria da empresa, e estava ocupando, interinamente, a cadeira do CFO. A intenção de ser efetivado no posto sofreu um banho de água fria quando o presidente afirmou que ele não seria a pessoa escolhida para a posição, listando as razões para essa avaliação.

Executivos contaram como chegaram à alta gestão

Resiliência e paciência – “Outra pessoa, naquela situação, poderia ter se demitido e partido em busca da posição de CFO em outra companhia”, ressaltou Poggetti, lembrando que na época a Cielo havia acabado de realizar uma das aberturas de capital mais bem-sucedidas da história do País. “Minha decisão foi ficar”, contou o executivo. “Eu confiava no meu trabalho”.

Um novo CFO assumiu o cargo, e Poggetti não esmoreceu em sua determinação. Em vez disso, procurou se aperfeiçoar em cada ponto do feedback dado pelo presidente. Ao mesmo tempo, ofereceu todo o suporte necessário ao recém-chegado líder de finanças.

“Sempre me coloquei como o braço direito do meu chefe. Para mim, o sucesso do meu líder é um bom caminho para o meu sucesso”, afirmou Poggetti. A paciência e a resiliência, somadas ao esforço pessoal de trabalhar as próprias lacunas, foram recompensadas. 1 ano depois, quando a posição de CFO ficou novamente vaga, Poggetti foi convidado por iniciativa do próprio CEO a assumir a posição.

Mário Mafra, CFO da Wheaton Brasil

Experiência e networking – Mário Mafra destacou dois pontos em sua carreira que abriram o caminho para o cargo de alta gestão. O primeiro foi a experiência obtida com a interinidade. “Antes de ser CFO, eu ocupei o cargo interinamente na empresa”, disse Mafra, apontando uma coincidência com a história de Poggetti. O segundo ponto importante para o salto na carreira, destacou o executivo, foram as relações construídas com outros profissionais.

“Quando eu falo em networking, não me refiro a colecionar cartões de visitas ou nunca almoçar sozinho. Para mim, o importante do networking é ser lembrado como alguém que ajudou outra pessoa no passado”, ressaltou Mafra.

Evento teve grande participação do público

Mário Mafra contou que foi justamente por meio de um amigo, a quem auxiliou anos antes em um trabalho de contabilidade rural, que surgiu o convite para trabalhar na Wheaton. O profissional que Mafra ajudou naquela época era o CEO da empresa, e quando a oportunidade apareceu, tempos depois, ele foi lembrado.

“Manter o networking é valioso. Ser importante para alguém no passado pode fazer a diferença para você conseguir uma posição no futuro”, afirmou o CFO. Estudos sobre carreira reforçam essa tese. Uma pesquisa internacional concluiu que 70% dos cargos de alta gerência e C-level são preenchidos por meio de indicação, observou Mafra.

Membros do IBEF Jovem e estudantes da Saint Paul participaram do seminário

Conselhos para os jovens – Prestar real atenção ao que o outro tem a dizer, cultivar uma curiosidade incansável e demonstrar respeito às pessoas, independente de sua posição hierárquica, são algumas características destacadas por Mario Mafra como comuns aos executivos de sucesso.

Na mesma linha, Clóvis Poggetti Jr. ressaltou o valor das soft skills, o desenvolvimento das habilidades interpessoais e de relacionamento com o time, imprescindíveis para quem deseja galgar posições de liderança na empresa.

Questionados por Renan Riedel sobre o que falta aos jovens de hoje para que se tornem os líderes de amanhã, os CFOs destacaram a importância da paciência.

Conselhos para os jovens: menos ansiedade para atingir o topo e mais foco nos aprendizados da jornada

Mário Mafra pontuou que os jovens esbanjam preparo, mas é preciso ter serenidade e cuidado com a soberba. “Falta um pouquinho de paciência. A pessoa mal entra na empresa e já quer ser presidente no segundo mês”, disse em tom bem-humorado.

“Há uma ansiedade que faz com os jovens percam a beleza do caminho, do processo”, completou Clóvis Poggetti Jr. “Chegar lá é bom, mas trilhar o caminho para atingir o objetivo é muito melhor”, acrescentou. Outro ponto destacado pelo CFO é a pressão pelo “sucesso” imposta à nova geração. “Quem disse que você não será feliz se não ‘chegar lá’? Há tempo e oportunidade para tudo”, sublinhou.

(Reportagem: Débora Soares / Fotos: Mario Palhares)

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