Seminário IBEF Jovem: Fintech – “O novo banco”

Investidor e empreendedores debatem como as startups de tecnologia estão mudando o cenário financeiro

Fotos: Mario Palhares/ IBEF SP

Uma fusão entre Finanças e Tecnologia. O nome “Fintech” dá uma pequena pista do que significa o fenômeno explosivo das startups de tecnologia financeira. Segundo estimativas – ainda pouco precisas – as fintechs somam mais de 400 no Brasil e se espalham aos milhares no mundo.

Atento a esse mercado em ebulição, que conta com “cérebros” e “dinheiro” para mudar a indústria – nas palavras do presidente do JP Morgan, Jamie Dimon – o IBEF Jovem realizou o Seminário “Fintech – O novo banco”, na última quinta-feira (19). Na ocasião, um investidor e cinco empreendedores compartilharam suas visões sobre o mercado.

Esse debate instigante ocorreu em uma data mais que especial, pois no dia 19 de maio o IBEF São Paulo completou 45 anos de sua fundação.

O futuro do dinheiro – O líder do IBEF Jovem, José Vinicius de Oliveira, deu boas-vindas ao público. Em seguida, apresentou Rodrigo Dantas, associado IBEF Jovem e CEO da Vindi (fintech de pagamentos online), que tocou a condução do evento.

Rodrigo Dantas, CEO da Vindi

Em sua apresentação, Rodrigo Dantas fez uma breve retrospectiva sobre as três eras do dinheiro. Na primeira, a moeda de troca eram commodities. A segunda baseou-se em documentos chancelados pelos governos para comprovar posses. E, por fim, chegamos à era atual, baseada em algoritmos matemáticos.

Assim como o e-mail revolucionou a forma como nos comunicamos, sendo um protocolo de envio de mensagens, a “moeda virtual” criada com o protocolo bitcoin abre caminho para novas transformações. No Brasil, instituições financeiras investem tempo e recursos para entender o mercado bitcoin. “Quando um grande banco faz esse tipo de movimento é porque algo significativo está acontecendo. Eu acredito nessa mudança”, completou Rodrigo.

Quebra de paradigmas – As fintechs já fazem parte do nosso cotidiano. A plataforma “Sem Parar”, por exemplo, é considerada a maior fintech brasileira. No mundo, a super fintech PayPal tornou-se a principal empresa de pagamentos. Atentos a esse novo mercado, gigantes de tecnologia já lançaram iniciativas como Google Wallet, Samsung Pay e Apple Pay.

No Brasil, a soma das principais fintechs (cada qual especializada em um nicho de serviço financeiro) já corresponde em volume de ativos administrados a um grande banco.

Durante o evento, o público foi apresentado a dois exemplos brasileiros de inovação: a fintech Easy Crédito, marketplace que conecta pessoas com pouco ou nenhum acesso a crédito a empresas ofertantes; e a fintech Smarttbot, que automatiza estratégias de investimento em renda variável, com um custo acessível para pequenos investidores.

Marcos Tulio Ramos, CEO da Easy Crédito
Mateus Lana, cofundador da Smarttbot

 

 

 

 

 

 

 

A visão do investidor – Em sua apresentação, Fernando Gemi, corresponsável pelo evento inovaBRA, do Bradesco, afirmou que o comportamento do consumidor mudou, e o mercado está em rápida adaptação.

Fernando Gemi, sócio da Centria Partners

Se há até pouco tempo o banco é que estava no centro da relação com o cliente, levando produtos e serviços, hoje já é possível fazer transferências financeiras entre pessoas sem esse tipo de intermediação.

“O que aconteceu na indústria financeira é que há alguns anos se falava em infraestrutura; hoje falamos da experiência do consumidor”, acrescentou o sócio da Centria Partners, boutique de M&A que ajuda as fintechs a se aproximarem de grandes investidores. Fernando chamou atenção para o comportamento da geração Millenium, que está muito mais próxima da onda de economia compartilhada.

 

Painel 

A relação das fintechs com os grandes bancos, a entrada de novos players, e a regulação do mercado estiveram no centro do debate realizado na última parte do evento. O painel teve como convidados: Felipe Sotto-Maior, cofundador e CEO da Vérios (fintech gestora de recursos); Pedro Conrade, fundador do Controly (banco virtual); e Fernando Gemi, sócio da Centria Partners. Rodrigo Dantas, fundador e CEO da Vindi, atuou como mediador.

Painelistas

Novos players – Rodrigo Dantas questionou os convidados sobre se empresas consolidadas no mercado e – que já possuem amplos canais de distribuição – poderiam vir se tornar super fintechs e representar uma ameaça para as menores. Felipe Sotto-Maior disse que empresas com uma alta penetração junto aos consumidores, como redes sociais e outras ligadas à internet das coisas, podem vir a entrar nesse mercado. Um famoso aplicativo de envio de mensagens na China, por exemplo, já realiza transferências financeiras entre usuários.

Relação com os bancos – Na visão de Pedro Conrade, as fintechs trabalharão futuramente junto aos bancos, numa relação de cooperação. Por meio das startups, as instituições financeiras ganharão acesso a novos consumidores e poderão oferecer diferentes formas de abrir contas e fazer investimentos, por exemplo. Fernando Sotto-Maior ressaltou que mais de um terço dos investimentos feitos em startups advêm de corporate ventures de bancos – mais um sinal de que a relação poderá ser mais de parceria do que competição.
Interação com o público foi intensa

A vinda dos “cabelos brancos” – Do ponto de vista do investidor, além do retorno financeiro, a fintech poderá dar acesso a novos mercados, possibilitando o crescimento do seu negócio, observou Fernando Gemi. Outro ponto interessante é que as fintechs estão atraindo profissionais muito experientes, os chamados “cabelos brancos”. Eles vêm para somar com sua competência e vivência. “Esses profissionais não estão nas fintechs porque estão fora do mercado financeiro; é o contrário: eles estão deixando seus empregos para trabalhar nas fintechs”.

Regulação – Questionado sobre o papel da regulação, Pedro Conrade disse considerar a regulação importante, pois dá segurança para que novos negócios possam surgir. Ele comparou a regulação a uma corrida de obstáculos e que, ao superar cada barreira, apenas os melhores permanecerão. No entanto, a principal dificuldade para os reguladores será acompanhar a velocidade das mudanças neste segmento. Talvez a autorregulação seja uma saída, quando o mercado estiver mais maduro. Mas isso é tema para outra conversa.

Associados do IBEF Jovem e convidados