“Somos a história construída desde o primeiro dia em que trabalhamos”, destaca a CFO da Eli Lilly

Aos 34 anos e mãe de dois filhos – o segundo está a caminho, ainda no ventre -, Helena Pécora é parte do grupo crescente de ibefianas que mostra ser possível galgar altas posições no mundo corporativo, conciliando a carreira e a maternidade. Os sacrifícios existem, é verdade, mas não devem afastar as mulheres de sua realização profissional e pessoal. A CFO da Eli Lilly do Brasil foi a convidada do encontro de mentoring do IBEF Jovem, realizado no dia 23 de abril.

Além de ser a CFO no Brasil da organização farmacêutica estadunidense, que mundialmente fatura US$ 35 bilhões – dos quais US$ 6 bi são aplicados em pesquisa e inovação -, Helena também é membro do Conselho Fiscal da ONG United Way, participa da Amcham, além é claro, do IBEF-SP.

Conhecida por seu time como uma “líder humana”, desmistificando a ideia de que o líder de finanças é alguém frio e impessoal, voltado mais para números do que gente, Helena gosta de trabalhar em equipe e considera importante influenciar e envolver as pessoas de uma forma genuína. Para ela, esse foi um dos segredos para o sucesso.

Ouvindo bons conselhos – Helena se formou em Economia pela USP, escolha influenciada pelos avós paternos que eram ambos economistas. Durante um estágio em um MBA da faculdade, um dos alunos recomendou que ela viajasse, aproveitando a oportunidade de intercâmbios internacionais oferecidos pela universidade. “Essa é a primeira lição: ouçam bons conselhos”, destacou bem-humorada.

Ela seguiu a dica e fez um intercâmbio na Universidade Bocconi em Milão, aproveitando a fluência no idioma italiano obtida nos tempos de estudante do Colégio Dante Alighieri. A experiência ampliou seus horizontes profissionais e lhe rendeu uma grande bagagem cultural, somando para seu domínio de línguas estrangeiras.

Ao voltar da Itália, Helena começou a trabalhar na multinacional alemã Basf, a maior empresa química do mundo. Iniciou como controller corporativo e migrou para avaliação de projetos. “A Basf foi uma grande escola para mim. É uma empresa muito boa em termos de processos”, conta a executiva. Contudo, após quatro anos na companhia, a executiva conta que se sentia um pouco frustrada, pois apesar de seus esforços e o investimento do próprio bolso em uma pós-graduação em Administração, não avançava profissionalmente na velocidade em que gostaria.

Entrada no mundo farmacêutico – Foi então que Helena decidiu ouvir mais um conselho. Um colega que trabalhava na farmacêutica estadunidense Abbott falou sobre uma vaga que seria perfeita para ela. Helena fez a entrevista, gostou da empresa e entrou como consultora financeira na área de diagnósticos para a América Latina.

Helena recomendou o aprendizado de línguas, em especial o espanhol, tendo em vista a relevante posição do Brasil para as operações de multinacionais no mercado latino. A fluência foi algo muito útil no dia a dia da companhia, pois seu chefe era colombiano. Ela trabalhou 1 ano na empresa, aprendendo sobre um mercado novo.

Decisão acertada e evolução – Foi então que um headhunter a informou sobre uma vaga estratégica na Eli Lilly. Depois de muito refletir, Helena decidiu seguir seus instintos e se candidatou à posição. Hoje ela considera essa a melhor decisão de carreira da sua vida, pois a companhia lhe deu espaço e oportunidades para crescer. Em cinco anos, ela se tornou CFO para o Brasil.

“A Eli Lilly tem um plano de carreira e sucessão muito forte. Há uma grande cultura de meritocracia. Se você entrega, você é reconhecido. E eu sempre tive iniciativa e muito comprometimento com os resultados. Eu não fazia apenas o que esperavam de mim, mas o que eu achava que era certo para empresa”, ressaltou a CFO. “Minha atitude é sempre buscar a solução, mesmo quando não sei a fundo sobre um tema. E a empresa valoriza isso: fazer o melhor e entregar, sempre da forma certa”.

Helena começou na organização como coordenadora de preços e, em seis meses, foi promovida para gerente de preços e order to cash, liderando um time de 15 pessoas. Aprendeu sobre logística e participou de um projeto que revolucionou a área, gerando economias para a empresa. Tornou-se gerente sênior e internalizou crédito e cobrança. Depois de 1 ano, passou a ter sob sua responsabilidade o planejamento financeiro.

Caminho para CFO – Helena passou por vários desafios, inclusive o momento de quebra de patentes no mercado farmacêutico, período crítico para a empresa. Ela participou de importantes decisões da companhia e ajudou a implantar o orçamento base zero, quando foi necessário redesenhar toda a operação. As estratégias para contornar a crise aproximaram ela dos altos executivos da empresa. Para Helena, participar desse momento foi uma grande prova de confiança em sua capacidade e um enorme aprendizado.

Em outro momento crucial de sua carreira, Helena foi convidada pelo CEO para ir para uma área de projetos que estava sendo criada. Depois de ponderar sobre o desafio – e até mesmo ter recebido o conselho do chefe da área financeira para não ir – ela confiou mais uma vez em seus instintos, seu conhecimento da companhia e em seu poder de entregar resultados nessa área.

Sua expertise em finanças fez a diferença na área de projetos e as iniciativas foram acumulando sucessos. Foi então que ela recebeu uma proposta do ex-presidente da Eli Lilly Brasil, que na época estava na cadeira de VP de marketing internacional, para fazer projetos junto à matriz. Ela conta que essa experiência lhe rendeu muita exposição com o time corporativo e, logo após retornar de uma licença maternidade, foi convidada a se tornar CFO. Helena foi a primeira CFO mulher da Eli Lilly Brasil e passou a comandar, aos 32 anos de idade, um time de 40 pessoas. Ela acredita que o fato de a empresa enxergar seu potencial falou mais alto na hora da escolha para o cargo.

Dicas para a carreira
“Nós temos nossa credibilidade como profissionais. Somos a história que vem sendo construída desde o primeiro dia em que trabalhamos”, destacou, como conselho para quem está iniciando sua jornada.

Sobre liderança, a executiva ressaltou que sempre gostou de trabalhar em equipe, mas naturalmente teve erros e acertos na primeira vez em que comandou um time. Lição aprendida, quando fez a transição para CFO, ela buscou o aconselhamento de uma coach e, por recomendação de outra executiva, começou a frequentar o IBEF Mulher para trocar experiências. “Se vocês estão passando por um momento de transição ou transformação na carreira, recomendo que façam coaching e busquem mentores. Peçam conselhos, porque isso me ajudou muito”.

Questionada como faz a conciliação entre carreira e maternidade, Helena disse que é necessário fazer escolhas – em alguns dias, sai do trabalho mais cedo para estar com a família, em outros é preciso ir além do horário do expediente. Disciplina e organização também ajudam. “Ter a estrutura e o apoio da família é fundamental”, ressaltou, ao destacar a importância da divisão de tarefas.

“Isso não veio de graça. Conversei muito com meu marido sobre o que é ser uma mulher executiva. Há sacrifícios, mas também contrapartidas bacanas. Hoje ele me dá uma super força na carreira, a pensar nos próximos passos, os assignments internacionais… Tem que ser uma escolha da família. Como disse, Sheryl Sandberg (COO do Facebook e autora do livro ¨Faça Acontecer¨): a primeira coisa é ter um marido que jogue o jogo”, destacou Helena.

Com relação a projetos fora da empresa, ela contou que faz parte do Conselho Fiscal da United Way – ONG que investe para projetos de primeira infância de 0 a 3 anos e inclusão de jovens no mercado de trabalho. Helena considera importante o trabalho voluntário como forma de contribuir para a sociedade.

Setor de alto potencial – A executiva também apresentou um breve panorama sobre o mercado de saúde no Brasil, que gira em torno de R$ 496 bilhões no ano, cerca de 8% do PIB. Ela explicou que a participação no setor é aproximadamente metade privada e metade pública, porém 77% da população depende dos serviços públicos. “As farmacêuticas tiveram um crescimento de 11% em 2018 em relação ao ano anterior, o que é uma posição privilegiada num país em crise. Alguns fatores podem explicar isso, como o fato de serem produtos essenciais e a constante inovação para lançar novos medicamentos, por meio de pesquisa e desenvolvimento”.

IBEF Jovem – O núcleo é patrocinado pela plataforma Antecipa, que determina, por meio de algoritmos e análise de dados, a taxa de desconto da antecipação de recebíveis para cada transação, usando um mecanismo de leilão por meio de uma avaliação da oferta e demanda. Saiba mais em: www.antecipa.com

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