Trilha IBEF-SP: “Quando conciliamos o gestor com o líder, temos o melhor cenário para uma cultura de alta performance”, afirma especialista

Luis Vabo Jr. E Ricardo Basaglia discutiram na live temas como a cultura de alta performance, os dilemas e desafios que o líder deve enfrentar e as habilidades que deve possuir para engajar os colaboradores na busca dos objetivos e metas organizacionais. 

Com o apoio da Michael Page, o IBEF-SP realizou no dia 01 de setembro a live da Trilha IBEF-SP & Michael Page com o tema “Transformando a liderança: Como construir uma cultura de alta performance”. O webinar teve como palestrante o empreendedor Luis Vabo Jr., CEO da Além da Facul e professor na Link SB, e como host Ricardo Basaglia, vice-presidente de Educação do IBEF-SP e Managing Director na Michael Page. 

Cultura de alta performance – Segundo Luis Vabo Jr., um dos grandes objetivos das organizações é encontrar um diferencial competitivo sustentável. Ele pode variar – preço, posicionamento, produto, serviço etc. –, mas o único que não pode ser copiado pelos concorrentes é a cultura organizacional.  

“Quando a empresa saiu de sua fase inicial, deixou de ser uma expectativa de companhia (startup), e passou a crescer, a atrair, engajar e desenvolver pessoas, nesse momento a cultura passa a ser algo muito importante. Ela é a verdadeira fonte de vantagem competitiva porque todas as demais são derivadas da capacidade de atrair, engajar e desenvolver pessoas que estejam alinhadas à cultura empresarial. Nesse sentido, você constrói uma cultura de alta performance”, ressaltou o CEO. 

Ricardo Basaglia lembrou que não existe uma cultura boa ou ruim, certa ou errada para uma organização. ¨O que existe é a cultura e o mais importante é que ela tenha uma identidade clara”, completou. 

Momentos cruciais – Como a cultura influencia tudo o que acontece na empresa, Vabo ressaltou quatro momentos que são cruciais no estabelecimento da cultura organizacional. “São os momentos da verdade da cultura”, enfatizou. O primeiro é a contratação de um indivíduo, em que se avaliam as habilidades técnicas e comportamentais. O segundo momento diz respeito à avaliação, quando se cria um plano de desenvolvimento para as pessoas evoluírem. “Quando avalio alguém e dou feedback, eu atesto que aquele resultado ou comportamento está aderente à cultura.”   

O terceiro momento é aquele da promoção, que apresenta no stock-option o “suprassumo” da política de gestão de pessoas na empresa. “Isso significa que quero trabalhar com determinado profissional para o resto da minha vida, desejo que seja meu sócio.” Enfim, existe ainda o crucial momento da demissão – situação que todo líder deverá enfrentar cedo ou tarde – no qual se comunica a uma pessoa que ela não atingiu o resultado ou o comportamento esperado. 

Dilemas – Questionado por Basaglia, Vabo disse que existem dois dilemas clássicos da liderança. O primeiro se dá quando os pilares fundamentais – cultura e resultado – entram em conflito. Nesse caso, o líder deve buscar a melhor solução observando e ponderando as consequências de curto e longo prazo para os resultados da empresa. “Essa reflexão é muito importante, porque assim se consegue saber que tipo de organização se está criando”.  

O segundo dilema se relaciona com a cultura e o crescimento: “Quando a empresa cresce e amplia o seu número de colaboradores, ela tem muita dor de crescimento, correndo o risco de perder sua principal vantagem competitiva que é a sua cultura organizacional”, ressaltou o empreendedor. 

Comunicação 7-38-55 – Basaglia e Vabo debateram sobre a importância da comunicação para os líderes, colaboradores e empresas. Vabo afirmou que a responsabilidade pela transmissão da mensagem é do comunicador, responsável por fazê-la chegar da maneira mais inteligível possível ao receptor. Disse ainda ser a linguagem não-verbal aquela mais importante.  

De fato, um estudo sobre a comunicação não verbal conduzido por Albert Mehrabian elencou a relação 7-38-55, significando que 7% da comunicação se dá com as palavras, 38% com o tom de voz e 55% com a linguagem corporal. “Especificamente, 93% da comunicação é feita pela linguagem não-verbal e apenas 7% pela linguagem verbal”, sintetizou. 

Papel do líder – Atualmente se fala muito sobre a diferença entre o papel do líder e do gestor, sendo o chefe um caso especial dessa última tipologia. Esse apresenta comportamentos e formas tradicionais de gerenciamento do tipo ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’. Enquanto o líder busca influenciar positivamente as pessoas. “Quando se consegue conciliar gestor de pessoas com o líder, nesse caso temos o melhor dos cenários. Por isso, os principais papéis que o líder possui – do ponto de vista de funções de responsabilidades – são atrair as melhores pessoas para a organização, engajá-las, desenvolvê-las e inspirá-las”, salientou Vabo. 

Principal habilidade – Dentre as diversas habilidades fundamentais de um líder, o palestrante disse acreditar que – para o executivo que deseja liderar pessoas – a principal delas é o ‘saber ouvir’. “Todo mundo quer aprender a falar, mas ninguém quer aprender a ouvir. Essa é a característica número 1 do líder, praticar a escuta ativa, estabelecer um canal de diálogo com seu time, ter empatia” elucidou. 

Aperfeiçoamento e autoconhecimento – Em uma era de ambientes em constante transformação, se manter atualizado e ao mesmo tempo disseminar tendências se torna um desafio para o líder. Como opção para contrastar essa situação, Vabo recomenda o lifelong learning, ou seja, o líder deveria adotar uma postura voltada ao aprendizado contínuo durante a vida, associada à capacidade de autoconhecimento. “Os analfabetos do futuro serão aquelas pessoas que não tiveram a capacidade de desaprender para reaprender”, provocou o palestrante. 

O vídeo da live, com todos os assuntos abordados, ficará disponível para acesso exclusivo dos associados do IBEF-SP. 

Compartilhe:

Deixe um comentário