CFO Forum 2017: Finanças na era da reinvenção digital

agosto 11, 2017 10:33 am Publicado por

Computação cognitiva, blockchain, internet das coisas e segurança de dados. Engana-se quem acha que esses temas só devem interessar a equipe de TI. O futuro de muitos negócios passa pelo entendimento e patrocínio do C-Level às novas tecnologias.

Evento celebrou 100 anos da IBM Brasil

A 9a. edição do CFO Forum abordou os impactos e possibilidades advindas da transformação digital sobre os modelos de negócios. O evento foi realizado pela IBM em parceria com o IBEF SP nos dias 5 e 6 de agosto, em Campos do Jordão.

Marco Castro, presidente da Diretoria Executiva do Instituto, ressaltou a longevidade da parceria com a Big Blue. “É uma honra para o IBEF SP estar com a IBM em mais uma edição do CFO Forum, especialmente neste momento, em que a IBM está celebrando 100 anos no Brasil”.
Para o CEO da IBM Brasil, Marcelo Porto, o maior desafio para as empresas realizarem a reinvenção digital não está na tecnologia, mas na mudança de cultura “Se não conseguirmos provocar as pessoas a fazerem coisas novas, de forma diferente, não será possível fazer essa mudança”, afirmou.

Mudança de paradigma

Mais de 50% das empresas listadas na Fortune 500, no ano 2000, simplesmente desapareceram. Isso se deve, em grande parte, à ascensão de novos modelos de negócio.

Marco Castro, presidente do IBEF SP

Cerca de 274 mil startups surgem a cada dia. São players que estão utilizando a tecnologia para romper paradigmas, virtualizar cadeias de valor e formar novos ecossistemas, gerando pressão sobre os modelos tradicionais.

O CEO da IBM Brasil destacou quatro tecnologias emergentes que desafiam os atuais modelos de negócios: IoT (Internet das Coisas) e seu impacto na segurança de dados; “data economy”, dados como o próximo recurso natural; economia das APIs; e blockchain.

Porto ressaltou que as companhias líderes em inovação utilizam pelo menos três grandes alavancas: propiciar uma experiência única para os clientes;

preparar-se para os “invasores digitais” (novos players que estão virtualizando as cadeias de valor); e pioneirismo na adoção de novas tecnologias.

Reinvenção digital

Marcelo Porto, CEO da IBM Brasil

“O maior competidor da sua empresa pode ter menos de cinco anos de existência”, afirmou Daniel Pagano, partner de Global Business Services da IBM, ao destacar o profundo impacto das novas tecnologias nos modelos de negócio.

Um exemplo conhecido vem do varejo. Em 2000, as oito maiores empresas tradicionais de varejo faturavam juntas 400 bilhões de dólares no mundo, e o e-commerce da Amazon, 17,5 bilhões de dólares. Em 2016, o faturamento da Amazon ultrapassou a soma das receitas das oito maiores varejistas.

Os implacáveis efeitos da transformação digital pressionam os executivos C-level a repensarem o futuro de seus negócios.
Estudo recente da IBM apontou que 67% dos CEOs sentem que a disrupção tecnológica está fazendo com que reavaliem direcionamentos estratégicos. Para 68% dos CEOs, suas companhias terão um novo e diferente papel no ecossistema da indústria nos próximos anos.

O maior desafio da reinvenção digital está na mudança de cultura

“A reinvenção digital exige repensar e redesenhar a forma como a organização inova, opera e se relaciona com clientes, funcionários e seu ecossistema”, afirmou Pagano. “Maximizando o potencial das tecnologias digitais para gerar valor ao negócio, em uma cultura de inovação constante”.

Várias empresas já iniciaram a jornada de reinvenção digital. A fabricante de artigos esportivos Under Armour, por exemplo, caminha para se tornar uma consultora de saúde de seus clientes.

Para isso, utiliza tecnologias como IoT, big data e inteligência cognitiva para se aproximar e interagir com o consumidor por meio de comunidades online e aplicativos.
Segmentos tradicionais não ficam de fora. A indústria de cimentos CEMEX redesenhou recentemente todo seu modelo de negócio, por iniciativa do CEO, como resposta às novas tecnologias e captação de oportunidades de mercado. O objetivo é criar uma experiência superior para o consumidor do produto, criar e nutrir uma cultura de inovação interna.

Daniel Pagano, partner de Global Business Services da IBM

Blockchain: a internet do valor

Dentre as novas tecnologias, o blockchain precisa estar no radar do CFO, destacou o CTO da IBM Brasil, Luis Fernando Liguori. “O blockchain veio para criar um padrão que vai gerar mais confiança e transparência de informações para os players de mercado”.
A cadeia de blocos (“blockchain”) é um sistema de registro padronizado que garante a segurança das operações realizadas. O blockchain permite a rastreabilidade de ponta a ponta de uma cadeia de produção ou de transações monetárias, por exemplo. Isso porque todo o ecossistema compartilha um único “livro” de informações.

Cada bloco de informações (transação) só pode ser atualizado mediante o consenso dos agentes daquela cadeia de negócios. Assim, todos os participantes têm acesso à mesma informação autorizada e atualizada em tempo real, através de uma rede confiável e com escalabilidade.

Dentre os principais benefícios do blockchain, segundo o CTO, estão: economia do tempo da transação (de dias para instantâneo); redução de custos dos agentes com disputas de informação e intermediários; e diminuição de riscos de adulterações, fraudes e crimes cibernéticos.

Luis Fernando Liguori, CTO da IBM Brasil

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), por exemplo, já possui um grupo de trabalho sobre blockchain. Em abril deste ano, o grupo fez uma simulação com a nova tecnologia, demonstrando como o cadastro de cliente poderia ser compartilhado entre instituições financeiras de forma rápida e segura.

A IBM e o Walmart trabalham juntos desde outubro de 2016 em um projeto-piloto para demonstrar os benefícios do rastreamento de produtos alimentícios via blockchain.

Inteligência artificial dentro do negócio

Cerca de 2,5 bilhões de gigabytes de dados são gerados diariamente no mundo. Mas a maioria são dados não estruturados – ou seja, dependem de análise e interpretação de uma pessoa para gerar algum valor, explicou Alexandre Dietrich, líder da Plataforma Watson para a América Latina.

Alexandre Dietrich, líder da Plataforma Watson para a América Latina

Os sistemas cognitivos ou de inteligência artificial conseguem compreender essas informações à semelhança dos seres humanos. E vão além: podem aprender e interagir.

“Um sistema de inteligência artificial consegue interpretar milhões de dados, raciocinar sobre eles e ajudar a empresa a encontrar novas possibilidades”, destacou o especialista.

Dietrich apresentou casos de sucesso com a aplicação da plataforma Watson.

O Bradesco, por exemplo, utiliza o Watson para potencializar o atendimento ao cliente. A inteligência artificial auxilia 65 mil gerentes a solucionarem dúvidas de consumidores sobre produtos e serviços do banco. Hoje 94% das perguntas feitas ao sistema são respondidas sem a necessidade de consulta a um ser humano.

Serafim de Abreu, CFO da IBM Brasil

A empresa de telecomunicações Algar Telecom criou a assistente virtual Ana, que também utiliza inteligência cognitiva. Ela faz perguntas ao cliente e, baseada nas respostas de cada pessoa, ajuda o consumidor a comprar o plano que melhor atenderá suas necessidades.

O Banco de Crédito do Peru (BCP) criou o personagem Arturito, assistente virtual que atende e responde dúvidas dos clientes via chat no Messenger, ferramenta de troca de mensagens do Facebook.

O caso Fink: Financeiros desenvolvendo tecnologia

O CFO da IBM Brasil, Serafim de Abreu, apresentou o projeto desenvolvido pela equipe de finanças da empresa, com a utilização da inteligência artificial Watson.

Business game

O que motivou a iniciativa foi o desejo de reduzir o uso de planilhas eletrônicas no ciclo de planejamento financeiro e usar a tecnologia para trazer mais insights para o negócio.

A empresa promoveu em 2016 um workshop de inovação com o time de finanças. Em seis semanas, um analista financeiro e dois estagiários desenvolveram a ferramenta, sem a ajuda de TI. De um projeto simples, criado para atender uma unidade de negócios no Brasil, a ferramenta evoluiu e hoje é utilizada para todas operações na América Latina.

“O Fink é o assistente cognitivo do CFO. Por meio da conversação, ele responde questões sobre o negócio, como os resultados da empresa por trimestre”, explicou Abreu. “Ele também dá acesso a dashboards, o que nos permite visualizar e acompanhar em tempo real a contribuição de cada unidade de negócio para o resultado”.

Paschoal D’Auria, líder de Analytics da IBM Brasil

Hoje a IBM continua incentivando a inovação do time de finanças. A cada semestre, a equipe desenvolve novos projetos. Os criadores dos protótipos que fazem mais sentido para o negócio são premiados e o projeto recebe investimentos – que podem aumentar conforme o retorno financeiro alcançado.

Além desta ferramenta, destacam-se outras três soluções criadas pelo time de finanças, usando o Watson:
Pricing Snap – ferramenta de preços de GBS unit, que compara dados internos e de mercado para a tomada de decisão;
SEDA – dashboard cognitivo que permite comparar resultados de diferentes unidades de negócios e contratos;
ARCA – modelo que realiza projeções, com base no histórico de resultados e dados não estruturados, sobre crescimento e lucratividade dos negócios.

“Tudo isso foi desenvolvido pelo time de finanças da IBM “, completou o CFO, fazendo um convite para que os líderes incentivem suas equipes a irem além das planilhas, abraçando a criatividade e a reinvenção digital.

Executivos utilizaram ¨Watson Analytics¨ para fazer análise preditiva e tomar decisões

Business Game: O papel do CFO no novo mundo digital

A dinâmica “Analytics Experience” foi um dos pontos altos do CFO Forum. Divididos em equipes, os executivos traçaram estratégias para o crescimento de uma empresa fictícia do segmento de eletrônicos para consumo.

Os integrantes contaram com a ajuda de consultores da IBM e do sistema de inteligência cognitiva Watson para obter dicas sobre produtos e dados de mercado. A equipe vencedora foi a condutora da estratégia empresarial com melhores resultados, em termos de lucratividade e market share.

A dinâmica foi conduzida por Paschoal D’Auria, líder de Analytics da IBM Brasil.

Ele contou que a ideia do game foi criar uma experiência dos executivos com a aplicação “Watson Analytics”.
D’Auria ressaltou que o papel do CFO está migrando para a governança de insight: ajudar a empresa a extrair informações estratégicas dos dados

Competição entre ibefianos foi animada

financeiros e trazer mais inteligência para o negócio. Nessa jornada, a figura do Chief Data Officer (CDO) será o braço direito do líder de finanças.

 

“Dado não é apenas o novo recurso natural. Dado é um ativo, e o CFO precisa trabalhá-lo”, completou o líder de Analytics da IBM Brasil.

Por meio de um dashboard, eles conseguiram acompanhar em tempo real as variações nos resultados das linhas de produto. Também foi possível fazer análises preditivas sobre o impacto das decisões, com base no histórico dos resultados, fontes de mercado e tendências nas redes sociais.

 

 

Vencedores do Business Game

Com o uso do Watson, Projeto ¨A Voz da Arte¨ permite ¨conversar¨ com uma obra de arte (Parceria entre IBM e Pinacoteca de São Paulo)

 

 

 

 

 

 

 

Crianças participaram de oficina sobre programação

Aprendizado foi aplicado em robôs e drones

 

 

 

 

 

 

 

(Reportagem: Débora Soares / Fotos: Mario Palhares e Nico Nemer)