CFO moderno agrega valor, é flexível e sabe ouvir, afirma Fernando Mendonça de Barros

dezembro 7, 2017 11:35 am Publicado por

É preciso desmistificar a posição do executivo de finanças. Fernando Mendonça de Barros, CFO da Nextel, carrega essa certeza e a transmitiu aos profissionais reunidos no mentoring promovido pelo IBEF Jovem.

“Um objetivo que busco alcançar na vida é reconstruir a imagem do CFO tradicional. O CFO moderno é a pessoa executiva que consegue ver o core finance, entender o negócio e agregar valor. O CFO que não agrega valor não é um CFO pleno”, disse Fernando. “É muito importante nessa posição ter a habilidade de flexibilidade de pensamento, saber ouvir.”

Com 43 anos e mais de 20 de carreira, Barros já teve a oportunidade de morar e trabalhar nos EUA, Suécia, Colômbia, Espanha e Austrália, para empresas como Ericsson e ESPN Networks.

Fernando Mendonça de Barros, CFO da Nextel

Com formação, como define, multifacetada, é graduado em administração de empresas pela PUC-SP e certificado em finanças corporativas pela Universidade da Califórnia – Berkeley. Também realizou diversos programas de educação executiva, incluindo gestão e liderança (ALP) na Universidade de Cambridge e inovação sistemática de produtos e serviços pelo Massachusetts Institute of Technology.

Quase ao mesmo tempo em que iniciava a vida acadêmica, ele foi em busca do primeiro emprego. “Eu senti que a faculdade apenas não era suficiente e que eu já deveria começar a ter uma experiência profissional. Sempre acreditei que deveria de ter o técnico, o hard skill, e o soft skill vivencial, flexibilidade, conhecimento de mercado, para poder unir as duas coisas e agregar valor.”

Descontraído, Barros contou que o primeiro emprego foi no Banco Nacional, “mas que não teve participação na desconstrução da empresa”, notou com bom humor. Em seguida, trabalhou em banco de investimentos e corretoras, com a possibilidade para se tornar sócio. Então surgiu sua primeira crise existencial profissional.

“Tive vários momentos na minha carreira de reflexão, em geral em cinco ou sete anos, quando eu paro, olho e falo: Estou realmente fazendo aquilo que eu amo? Estou fazendo da melhor maneira possível? Está trazendo o benefício que eu gostaria que trouxesse – e esse benefício não é financeiro. É o que eu vou querer fazer daqui pra frente?”

Experiência em outros países

Aos 23 anos, partiu para a Califórnia, a princípio, para estudar marketing e finanças corporativas. Entrou para a Berkeley e decidiu conhecer o mercado de investimentos dos EUA em uma corretora de valores. E vislumbrou ali a chance de prospectar clientes no Vale do Silício.

“Dentro da Cisco (cliente da corretora), comecei a ser educado com o que seria a internet móvel. Gostei dessa história de telecomunicações, de internet móvel. Isso tem a ver com o que eu quero fazer na vida. Tem a ver com mercado em desenvolvimento e grande poder de expansão, com muito viés financeiro, mas, além de tudo isso, ele traz um benefício tangível para as pessoas.”

“O CFO que não agrega valor não é um CFO pleno”, observou o mentor, sobre a importância de entender o negócio

Com a experiência norte-americana, fez contato com a Ericsson e voltou para o Brasil, como trainee. Depois de seis meses, foi convidado a participar de um programa global de talentos executivos. “O treinamento inicial foi vivencial em uma spin-off que fazia consultoria de estratégia de negócios para operadoras. Ali eu aprendi a lidar com clientes, a modelar negócios e a ter ideias disruptivas. E que pensar diferente, pensar fora da caixa, faz parte da função de um financeiro.”

O próximo desafio a que se propôs – e a Ericsson topou – foi na área de vendas, na qual não tinha domínio técnico nem vivência. Barros foi enviado para a Espanha, mesmo sem dominar o idioma espanhol, para trabalhar em uma licitação de 3G. Na terceira fase do programa de talentos, prestou consultoria estratégica para um cliente na Austrália. Ao fim do ciclo, ainda na empresa de telecomunicações, voltou para o Brasil para atuar na área de finanças.

Barros passou a integrar o grupo Nextel em agosto deste ano. E está motivado em fazer parte da transformação da empresa, que tem planos para um ano, dois anos e até cinco anos, com chegada de novo acionista e possível aporte de capital no final do ano.

O melhor do CFO

Segundo Barros, o CFO é um privilegiado. “Ele (ela) analisa passado, presente e futuro em termos de performance operacional, financeira. Ele enxerga todos os processos da empresa, enxerga todos os grandes projetos, os riscos e as oportunidades.”

O executivo ressaltou que o maior ativo de uma empresa são as pessoas. “Uma das habilidades fundamentais do CFO, nesse aspecto de catalizador, de mobilizador, de inovador, é a questão de como se trata nossos ativos humanos. É um investimento. Talvez o maior investimento da empresa.”

Uma postura que Barros tem adotado no seu dia a dia é um relacionamento muito próximo ao CEO da empresa. A ponto de dividirem a mesma sala durante a carreira. “A divisão do meu tempo é 50% de excelência operacional plena em finanças e 50% olhar o negócio visando crescimento , sentar perto do presidente, sentar perto dos acionistas, ler o que está acontecendo: interpretar com os dados internos e externos. E baseado em inteligência, transformação de dados em informações, sempre ocupar esse espaço de wingman do CEO.”

O executivo aconselha: “É muito importante ser uma pessoa só: dentro do escritório e fora do escritório. Continuem sendo quem vocês são. E tratem as outras pessoas como vocês querem ser tratados.”

Participantes do mentoring

Vida pessoal

Além de ser um executivo bem-sucedido, separado, Barros brinca que também é “pãe” (pai e mãe) de Beatriz, 16 anos, e de Fernando, 13 anos. “Faço todo esse trabalho de, ao mesmo tempo, dar bronca e andar de kart, ver se estudou e falar de sexualidade. A vida de pãe é multifacetada.”

Ele conta que tenta equilibrar “muito bem” a vida pessoal com a vida profissional. “Em alguns momentos é impossível. É importante que a nossa família saiba disso, que são períodos.”

Barros pratica esportes três vezes por semana e faz meditação.

Conta que “utiliza” duas estrelas que são sobrepostas formando uma de seis pontas. A primeira tem os aspectos espiritual, emocional e físico; e na outra estão família, trabalho e relacionamentos. “Quase tudo o que eu faço vida, verifico com segurança se está alinhado aos meus conceitos.”

(Texto: Silvia de Moura)