“Saia da sua zona de conforto”, aconselha CFO da Iochpe-Maxion

agosto 1, 2017 9:06 am Publicado por

Augusto Ribeiro Jr. foi o convidado de julho do programa de mentoring do IBEF Jovem.

Para o CFO, sair da zona de conforto é uma oportunidade para se autoconhecer, testar limites e obter novos aprendizados.

“Se você está confortável demais em uma posição, fique atento. Pode ser a hora de fazer uma mudança”, ressaltou o diretor vice-presidente de finanças da Iochpe-Maxion no encontro com jovens profissionais. O evento foi realizado na última quinta-feira (27), na sede do IBEF SP.

Poucas empresas, grandes experiências – “Augusto tem um currículo impecável, por isso fizemos questão de convidá-lo”, destacou na abertura do evento Felipe Brunieri, membro da organização do IBEF Jovem responsável pela pasta de carreira.

Criado em Itajaí, município de 208 mil habitantes, Augusto Ribeiro Jr. conserva o sotaque e o jeito simples de sua terra natal, mas é um monstro profissional.

Com 20 anos de carreira executiva, ele acumulou muitas experiências em poucas empresas (Unilever, BASF, Kraft, BRF e Iochpe-Maxion), fator valorizado pelo mercado ao avaliar a trajetória de um profissional.

Participantes do mentoring com Augusto Ribeiro Jr., diretor vice-presidente de finanças da Iochpe-Maxion

“É importante buscar algum desconforto na carreira, seja intelectual ou de experiência. É isso o que te movimenta”, frisou o CFO.

Motores para a mudança – Usando como exemplo sua trajetória, Ribeiro Jr. destacou que o desconforto profissional e o desconforto pessoal podem incentivar grandes mudanças na carreira.

Engenheiro mecânico por formação, Ribeiro Jr. iniciou sua trajetória na Unilever, onde ingressou como trainee. Trabalhou na companhia por 11 anos, período em que migrou da área de manufatura para posições em auditoria corporativa e finanças.

“A vantagem de trabalhar em grandes empresas é que a possibilidade de mudar de área se torna mais acessível. Para quem está aprendendo é algo fantástico “, observou o executivo.

Apesar de gostar muito da companhia, foi o desconforto profissional que motivou sua saída. “Eu já havia atingido o meu objetivo de liderar a área financeira de um negócio, mas faltava a experiência de controladoria. E as posições disponíveis não me satisfaziam”.

Equilibrando o lado pessoal e o profissional – Ribeiro Jr. ingressou então na BASF, onde teve a oportunidade de atuar em controladoria, como gerente de finanças para a América do Sul.

O desconforto voltou novamente. Desta vez, do lado pessoal. A segunda filha de Ribeiro Jr., ainda com poucos meses de vida, sofreu uma queda e ficou internada por uma semana. O cenário contribuiu para a decisão familiar de sair da agitada São Paulo e retornar ao Sul do País.

“Vivenciei muitas situações de bifurcação na vida. E sempre pesei mais o lado pessoal do que o profissional nas decisões”, afirmou o executivo.

Desconforto pode incentivar a busca por novos conhecimentos e experiências, destacou o CFO

Foi nessa época que Ribeiro Jr. recebeu a proposta para trabalhar em Curitiba, na Kraft, na área de planejamento e controladoria. Naquele período de 1 ano, a qualidade de vida da família melhorou, mas o aspecto profissional sofreu. A adaptação à cultura da empresa foi difícil, contou ele, e a posição não agregava conhecimentos.

Como diferenciar o desconforto que faz crescer da ansiedade que pode levar a decisões precipitadas? Questionado sobre o tema por uma participante, Ribeiro Jr. disse que o profissional deve entender o seu momento.

“Quando você sente o desconforto como driver de crescimento profissional, deve ter apetite ao risco. Mas quando o desconforto é pessoal, não há dúvida: aquela situação vai te fazer mal”.

Um novo desafio – Ribeiro Jr. recebeu então o convite para se tornar controller da Sadia. Com apenas 1 mês e meio na função, recebeu a ligação de seu chefe informando que precisavam montar uma equipe com urgência em São Paulo.

Era o estopim da crise da Sadia gerada por operações de derivativos cambiais, que causaram prejuízos de R$ 2,48 bilhões à organização em 2008. A empresa precisava de um time estratégico para sobreviver e ganhar fôlego para a reestruturação.

Oportunidade de aprendizado – O desconforto voltou. Mas veio do ponto de vista profissional. “Decidi apertar o cinto e ficar na companhia. E foi uma das melhores coisas que fiz: foi o período em que profissionalmente mais aprendi na vida”, contou o executivo.

Por um acaso do destino, seu chefe teve uma crise de labirintite, e Ribeiro Jr. assumiu interinamente a diretoria de finanças da empresa, tendo sob seu comando 1 mil pessoas, incluindo as áreas jurídica, tributária, contas a pagar e receber.

Felipe Brunieri, membro do IBEF Jovem responsável pela pasta de carreira

O caminho estava pavimentado para Ribeiro Jr. se tornar o diretor financeiro global da BRF, posição exercida de 2013 a 2016. Foi também responsável pelas áreas de fusões e aquisições e planejamento estratégico da multinacional brasileira.

A decisão de sair, após 9 anos na empresa, foi realizada com o sentimento de ter encerrado um ciclo, após sua contribuição para a reorganização e implantação de controles relevantes na companhia.

Espaço para execução – Hoje em outra multinacional brasileira, a Iochpe-Maxion, os desafios de Augusto Ribeiro Jr. são diferentes. Voltada ao mercado B2B, a companhia tem capital aberto e produz componentes para a indústria automotiva e ferroviária. Fatura anualmente quase R$ 8 bilhões.

Há 1 ano e meio, o executivo tem colaborado para o processo de reestruturação e desalavancagem da empresa, que adquiriu em 2012 uma organização americana/europeia três vezes maior: o Grupo Hayes Lemmerz.

“É interessante porque é uma empresa B2B com um ciclo de inovação de 5 a 6 anos, em que tenho a oportunidade de implantar muitos processos que desenvolvi na BRF”.

Para o CFO, a principal vantagem de trabalhar com empresas brasileiras é que há um grande espaço para execução e implantação de melhorias.

Influência no negócio – Questionado sobre como o executivo de finanças pode ter mais voz ativa no negócio, Ribeiro Jr. destacou a importância de ter iniciativa.

“Mesmo quando exercia cargos em que não tinha muita voz ativa, sempre procurei me posicionar e participar das discussões”, contou o executivo. “Na medida em que você faz contribuições relevantes, mais espaço terá para que as pessoas o escutem”.

Ribeiro Jr.: ¨Quanto mais você fizer contribuições relevantes, mais espaço terá para ser escutado¨

E é justamente a atitude que chama a atenção do CFO na hora da contratação de um profissional. “Não tenho problema em contratar uma pessoa que não sabe 100% da função tecnicamente, se ela souber se relacionar, solucionar problemas e ir além do que foi pedido. O técnico pode ser aprendido”, disse Ribeiro Jr. “Para funções generalistas dou mais atenção às competências”.

Gestão do tempo – Augusto Ribeiro Jr. não se considera workaholic. A disciplina é a chave para conciliar a vida pessoal e a profissional.

“Nunca acumulei férias na minha vida profissional. Isso é disciplina pessoal. Não existe essa historia de que se você tirar férias o mundo vai acabar”, destacou o CFO, que é casado e pai de duas filhas. “Você tem que planejar isso com a empresa”.

O dia dele começa às 5 horas da manhã, com exercícios físicos. Às 8 horas, já está no escritório. Depois das 19 horas, vira a chave: o momento é para a família e seu hobby, aprender a tocar violão.

O executivo adota como regra não trabalhar aos finais de semana, para dedicar mais tempo à família. Só quebra a norma para grandes projetos e situações especiais. “Não adianta você reclamar que não tem qualidade de vida. É você quem deve buscá-la”, completou o mentor.

VISÃO DE QUEM PARTICIPOU

“A experiência do mentoring é excelente, nos coloca em contato com pessoas que estão no lugar em que queremos chegar algum dia. O IBEF Jovem está de parabéns pela iniciativa”, dito por Juliana Marcondes, gerente financeira e de controladoria da Brio Investimentos

“Foi uma troca de experiências enriquecedora para a minha vida profissional”, dito por Gabriella Chiarelli, analista de custos e orçamento na SAS.

(Reportagem: Débora Soares)