Retomada da confiança depende de agenda positiva do governo, dizem economistas

Durante o painel econômico apresentado no 35º Encontro Socioesportivo, no sábado (18), economistas foram convidados para falar sobre as perspectivas de recuperação do país e possíveis indicadores para o final do ano. A abertura do painel foi realizada por João Marcio Souza, managing partner & CEO da Talenses Executive e vice-presidente do IBEF Jovem, e por Fernando Andraus, senior partner na América Latina da Michael Page e vice-presidente de Admissão e Frequência do Instituto.

O painel contou com a apresentação da economista-chefe do Banco Alfa, Tatiana Gomes, que destacou os desafios para o crescimento da economia, dado o complicado cenário externo e doméstico. “Em abril, já tínhamos uma perspectiva de desaceleração mundial. A guerra comercial entre Estados Unidos e China tem atrapalhado nosso cenário desde fevereiro do ano passado”, destacou Tatiana, enfatizando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acaba sendo uma figura imprevisível à frente de decisões que impactam os rumos da economia global. Ela citou que a expectativa de alta de juros no país e o aumento das tarifas impostas sobre os produtos chineses ocasionou um crescimento global menor. “Uma guerra comercial provoca incertezas. Esperávamos que essas tarifas fossem revertidas, mas vemos Trump ameaçando uma nova rodada de taxas que atingiriam 100% dos produtos chineses”.

Tatiana disse ainda que do lado da economia brasileira, o otimismo que era esperado no final do ano passado com a entrada do governo de Jair Bolsonaro, gerando uma proteção contra o cenário internacional, já não é mais o mesmo. “A recuperação que esperávamos para a economia não ocorreu, e a confiança sobre o crescimento em relação às reformas no Brasil mudou muito”.

Agenda positiva – Também presente no painel, Mauricio Molan, economista-chefe do Banco Santander, disse que, atualmente, o cenário macroeconômico está condicionado à capacidade e vontade do governo de fazer ou não as reformas, mas que medidas devem ser tomadas além disso. “A reforma da Previdência é uma condição necessária, mas não suficiente. Ela é urgente, pois tem como objetivo equilibrar gastos do governo, mas está longe de ser a única condição para arrumar as contas públicas”, destacou.

Tatiana, por sua vez, acrescentou que o Brasil passa por um momento de frustração da confiança na atividade econômica, e que o maior receio dos economistas é de a reforma da previdência ser aprovada e o crescimento não vir. “No início do ano, tínhamos uma expectativa com o Ministro da Economia, Paulo Guedes, e uma equipe econômica muito boa, o que acho que continua, mas as promessas não aconteceram na velocidade esperada”.

Mauricio Molan ressaltou que o governo precisa manter uma agenda positiva e se comunicar com a sociedade como um todo, governando para a maioria. “Se a reforma da Previdência for aprovada em setembro ou novembro, já se terá passado quase um ano de governo e o ideal é que, até lá, se conseguisse gerar notícias positivas. O governo tem que ditar a agenda e mostrar para o País que as coisas podem avançar enquanto a previdência não muda”.

Mediando o painel, o economista José Cláudio Securato, CEO da Saint Paul Escola de Negócios, observou as notícias negativas relativas ao governo que foram divulgadas nas últimas semanas e como isso pode atrapalhar o andamento das reformas no país. “Não conseguimos gerar confiança”. Já para Tatiana, a confiança no ministro Paulo Guedes abre uma agenda positiva após a reforma. “Estamos aprendendo quem é o governo. São cinco meses. Concluímos que o governo está disposto a cometer erros para ir rápido, e com isso, vai errar, mas vai corrigir. No caso de Guedes, vemos a disposição em fazer as reformas e isso leva a uma aproximação com o Congresso Nacional”, disse.

Projeções – Tatiana Gomes prevê um PIB negativo para o 1º trimestre do ano. “O PIB do ano passado foi 1%, do ano anterior também, e talvez este ano tenha novamente esse índice de crescimento”. Ela disse ainda que a previsão para a inflação é continuar abaixo da meta de 4,25%, fechando o ano em 4,1%, enquanto a Selic deve ser mantida em 6,5%. Já para o  câmbio, o cenário é otimista. “Passando as reformas, mesmo que o cenário de crescimento não seja brilhante, o câmbio será apreciado. Prevemos fechamento do dólar em R$ 3,70 no final de 2019”.

A visão de Mauricio Molan difere um pouco de Tatiana Gomes no que se refere ao câmbio. “Para nós, o viés é de enfraquecimento, e não de fortalecimento, mas não deve subir tanto. Nossa projeção é R$ 4,00 no final do ano”. Ele acrescentou que para os juros a perspectiva é de baixa.

 

(Reportagem: Bruna Chieco)

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