O meu interesse me deu visibilidade na empresa, diz Head de Finanças na América Latina da Pirelli

Leonardo Martins, Head of Planning, Controlling & Finance Latin America da Pirelli, foi o convidado do encontro de mentoring realizado pelo IBEF Jovem no dia 18 de abril. O executivo expôs um pouco da sua experiência profissional e disse o que aprendeu na sua trajetória na Pirelli e nas empresas do grupo, onde atua desde que era universitário.
Paulistano, Leonardo é formado ciências contábeis na Universidade São Judas, conta com MBA em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vagas e especialização em Contabilidade e Negócios pela Universidade da Califórnia.

Da primeira gravata ao estágio – Quando era criança, Leonardo sonhava em trabalhar com gravata. No seu primeiro emprego, em uma empresa perto de casa, ele não perdeu a oportunidade de realizar o seu sonho e era o único office-boy da empresa que usava gravata. “Eu tinha 14 para 15 anos e isso era motivo de brincadeiras pelos outros jovens”. Ficou nesse primeiro emprego durante sete anos. Na mesma época, fez um curso técnico de administração e só saiu quando já estava no último ano da faculdade e conseguiu uma vaga de estágio na Pirelli.

Em 2000, o executivo começou a trabalhar na fabricante de pneus de origem italiana. “Foi quando começou essa história bacana, que eu divido em três fases (Analista, Coordenador/Gerente e Diretor). A primeira, nos seis anos iniciais, eu trabalhei como analista (júnior, pleno e sênior), sem liderar pessoas. Entrei na área de contabilidade e, depois de dois anos, fui para a Controladoria. Eu não conseguia ficar mais de dois anos em uma mesma função porque eu sempre fui um cara muito interessado em tudo. O tempo todo eu pergunto o por quê e para quê servia cada atividade que eu faço”, relembra.

Leonardo diz que sempre que acabava uma tarefa, buscava mais trabalho, inclusive em outros departamentos. “Eu não me limitava à administração. Quando atuava como analista de bens patrimoniais, eu não me contentei em digitar os itens no sistema e colocar as placas de identificação dos ativos. Busquei entender como funcionavam os projetos com a equipe de engenharia”, observa. “Sempre fui muito interessado, mais do que fazer a atividade, eu queria entender o que estava por trás dela. Com isso, à medida que o tempo foi passando, as responsabilidades foram chegando e fui crescendo dentro da empresa”.

Novas etapas – Depois de seis anos, Leonardo sentiu que não tinha uma boa comunicação com a coordenação e estava um pouco desmotivado. “Já tinha investido em um MBA e eu não estava na lista de talentos da empresa, onde há uma verba para investir na formação desse pessoal”.
Na mesma época, apareceu uma oportunidade de trabalho no Unibanco. “No dia em que fui entregar a minha carta de demissão na Pirelli, o meu gerente questionou por que eu estava indo embora. E falei que estava com o MBA no bolso e queria fazer um MBA internacional, mas sabia que empresa não faria o investimento, já que não tinha contribuído para o primeiro. Então, eles me fizeram uma contraproposta e me apresentaram uma oportunidade de crescimento como Business Controller na América Latina e me convenceram a ficar. Já tinha até feito o exame médico no outro trabalho, entregue a carteira de trabalho e voltei atrás”.

Experiência internacional – Depois disso, Leonardo entrou na segunda etapa da carreira e teve a oportunidade de ser Business Controller das operações da Pirelli do Chile, México e Colômbia, baseado no Brasil. “Ficava poucas semanas aqui e o resto viajando. Foi uma época complicada e permaneci nessa vida por quase dois anos”.

Então, em 2008, surgiu a oportunidade de trabalhar como controller na Pirelli Venezuela, onde assumiu uma equipe com 14 pessoas. Além do desafio de liderar um time internacional, teve que se adaptar ao fato de o país ter adotado naquela época as normas internacionais de contabilidade e conviver com uma inflação que ultrapassava 100% ao ano. “Todos os meses eu precisava explicar para a matriz o que acontecia no balanço da Venezuela, porque aquele cenário era insano”, explica o executivo. No país, conheceu a sua esposa, mãe das suas duas filhas.

Em 2011, o executivo voltou para o Brasil para ser controller para a América Latina, função que ocupou durante dois anos. ”Foi um grande desafio, pois eu tinha sido estagiário de pessoas que estavam sob a minha coordenação. Tive de aposentar a pessoa com quem aprendi no começo da carreira. Foi muito difícil”, lembra.

Sobre os aprendizados, destaca a importância de separar questões profissionais das pessoais na convivência com colegas de trabalho. Ele observa que na cultura europeia há um entendimento claro sobre a separação dos dois aspectos. “Na italiana, especificamente, podemos ter uma discussão gigante em uma reunião, mas quando acaba, vamos todos tomar um café e fica clara que não é nada pessoal, somente o trabalho”.

Depois disso, o executivo foi convidado para ocupar o posto de CFO da Campneus, uma rede de varejo e distribuição da Pirelli. “Foi um aprendizado interessante porque passei a lidar com questões mais específicas de governança corporativa, como criação de Conselho de Administração e a necessidade de reportar ao sócio minoritário.” Dessa experiência, também leva o aprendizado de ter desenvolvido canais de relacionamento e estado mais próximo do consumidor final.

Em dezembro de 2015, Leonardo voltou para a Pirelli Latin America como CFO, onde ficou até abril de 2017, quando assumiu o posto de CFO Latin America da Prometeon, empresa do grupo focada em pneus de veículos pesados (caminhões e máquinas agrícolas). Desde dezembro último, ocupa a posição de Head of Planning, Controlling & Finance Latin America da Pirelli.

Conselhos – Leonardo diz que a primeira preocupação que teve, ao terminar a faculdade, foi continuar estudando. Por isso, cursou o MBA naquela época. “Eu era muito novo e hoje faria diferente. Eu teria investido no inglês, com uma vivência fora do país para aperfeiçoar o idioma, pois é preciso ter um inglês tão bom como o português”, observa o executivo, que teve a necessidade de aprender italiano para trabalhar na Pirelli e também o espanhol, quando atuou em outros países da América Latina. “Além disso, se eu tivesse feito o MBA mais tarde, eu teria aproveitado muito mais, utilizando a teoria mais perto da prática. Muita coisa, eu só fui empregar depois de muitos anos”, completa.

Leonardo também sugeriu aos jovens executivos que invistam em networking e em habilidades que vão além das hard skills. “Daqui a alguns anos vocês poderão ser Controllers, CFOs e vão querer compartilhar informações com seus pares. Também aconselho fazerem um curso de liderança, pois precisamos entender as diferenças.” Ao final, deu mais duas orientações: é importante manter-se informado, especialmente no mercado de finanças, e continuar estudando para encontrar soluções, dar insights e gerar valor para a empresa.

 

IBEF Jovem

O IBEF SP promove encontros de mentoring, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento da carreira, por meio do diálogo e do aconselhamento com líderes experientes.
O núcleo conta com o patrocínio da plataforma Antecipa, que determina, por meio de algoritmos e análise de dados, a taxa de desconto da antecipação de recebíveis para cada transação, usando um mecanismo de leilão por meio de uma avaliação da oferta e demanda. www.antecipa.com

 

 

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