O perfil do CFO nas companhias brasileiras de capital aberto


Cerca de 7% de CFOs das empresas nacionais listadas na Bolsa brasileira são mulheres. O dado retrata uma pequena participação feminina, apesar do avanço da bandeira da diversidade no mundo corporativo.

A informação foi extraída de uma profunda pesquisa, conduzida pela Spencer Stuart, sobre o perfil dos líderes financeiros nas empresas listadas nos diferentes segmentos da Bolsa: Nível 1, Nível 2 e Novo Mercado. As conclusões desse estudo foram apresentadas por Karin Karay, líder da prática de CFOs da Spencer Stuart, no Encontro com Headhunter, evento realizado pelo IBEF Mulher no dia 26 de fevereiro.

O número reduzido de mulheres em posição de CFO não é uma jabuticaba brasileira. “Para efeito de comparação, nos Estados Unidos esse número não é alto, cerca de 12%, mas é um pouco maior”, observa Karin.

Por trás desse dado estão os desafios que a mulher enfrenta para chegar a essa posição, destaca a gestora da empresa de recrutamento executivo. “Em dado momento da carreira, a mulher tem, além do trabalho, a questão da maternidade, da conciliação do tempo, da priorização, enfim… Então, existem desafios, e a mulher realmente tem um caminho mais árduo para chegar ao topo da empresa. E isso não só para posições de CFO, mas também para posição de CEO e outros C-level”.

Maior participação em tecnologia – Grande parte das CFOs de empresas listadas estão em companhias com faturamento de R$ 1 bilhão a R$ 5 bi, e em organizações relacionadas ao universo da tecnologia. Para Karin, uma explicação para esse fato é que as empresas ligadas à nova economia costumam ser disruptivas, ágeis, e abertas a novos formatos de trabalho. “Empresas com esse perfil costumam valorizar mais a diversidade, e não só de gênero, mas também de raça, entre outros aspectos.”

Cerca de 45% das empresas de capital aberto no Brasil são da área industrial (setor secundário), de setores tradicionais, o que pode favorecer, por outro lado, a contratação ainda dominante de gestores que se identifiquem com uma cultura mais conservadora.

Aumento da rotatividade dos CFOs – Outro dado revelado pela pesquisa é que a rotatividade de CFOs cresceu. Em 2010, a média de permanência de CFO em uma companhia listada era de 5.7 anos. No ano de 2017, caiu para 3.1 anos.

“A maior rotatividade se dá no setor de tecnologia”, ressalta Karin. “Já o setor de saúde se destaca por ser o que apresenta maior estabilidade na permanência dos líderes financeiros.”

A maior troca de executivos, principalmente em empresas de tecnologia, pode ter como explicação os ciclos muito rápidos de crescimento pelos quais passam essas companhias – podendo necessitar de perfis diferentes de CFOs para cada fase – um para expansão acelerada e outro para implementação de processos. “A contratação, considerando diferentes perfis, faz parte do desafio. O CFO que vai fazer um turnaround, por exemplo, não costuma ser o CFO que irá manter a operação rodando no dia a dia.”

Menor exigência de background similar – O peso da experiência anterior no mesmo setor como ponto fundamental para a contratação do CFO também tem diminuído. Se em 2010, 77% dos CFOs tinham background na área da companhia em que estavam trabalhando naquele momento, em 2017 esse número diminuiu para 57%. “Há maior abertura para CFOs provenientes de outros setores. O que é positivo, por trazer um pouco mais de diversidade de experiências para dentro da organização.”

Outro dado curioso é que quando uma empresa de capital aberto busca um novo executivo, cerca de 65% das vezes esse CFO é contratado no mercado. Karin aponta alguns motivos: primeiro por conta da confidencialidade que envolve a troca de um CFO, e, segundo, porque o executivo precisa ser alguém bastante sênior.

“Tem que ser uma pessoa que tem uma experiência forte em tesouraria, controladoria, RI… E, muitas vezes, a companhia não encontra outro executivo com essa envergadura e experiência em seus quadros. Então, busca-se uma opção no mercado para trazer um CFO com esse perfil”, completa Karin.

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