Acreditando no binômio “trabalho árduo e muito estudo”, Alexandre Garcia conquistou o posto do CEO do Cel.Lep

Certo de que suas conquistas profissionais se devem essencialmente ao trabalho árduo e muito estudo, Alexandre Garcia, presidente do Cel.Lep, participou, no dia 15 de outubro, como convidado do Mentoring IBEF Jovem. “O universo conspira a seu favor quando você se esforça”, afirmou ele, ao contar a jornada profissional que culminou em sua promoção de CFO para CEO no Cel.Lep.

O aprendizado prático do executivo teve início ainda na faculdade de economia, quando participou ativamente da Empresa Jr. da instituição, por volta de 1993. “Foi uma experiência extremamente importante para incentivar o empreendedorismo e o ‘se virar’.” Nessa época, ele começou a perceber como funcionam as questões políticas: “Tinha de negociar com o reitor da faculdade e diversas outras instituições, flexibilizar e engajar”.

Alexandre possui mais de 25 anos de carreira profissional desenvolvida em empresas nacionais e multinacionais, incluindo companhias investidas por fundos de private equity (HIG Capital e Equity International), liderando as áreas de finanças, controladoria e administração, além de auditoria e consultoria. Ele foi diretor-financeiro da Locar Guindastes e Transportes Intermodais, diretor de consultoria da EY e acumulou experiências em outras empresas como: Bracor Empreendimentos Imobiliários, Boston Scientific, KPMG e Terco.

O executivo é bacharel em economia e em ciências contábeis, possui MBA em finanças pelo Insper e PMD (Program for Management Development) pelo ISE/IESE – University of Navarra.

Criando “casco de tartaruga” – No primeiro emprego, na auditoria e consultoria, ele trabalhava durante o dia e estudava à noite. “Essa vida dura vai nos ajudando a criar um casco de tartaruga: você fica mais resistente e mais resiliente.” Ele contou que o primeiro carro foi adquirido quando estava no terceiro ano da faculdade e se deslocava por trens e ônibus entre o ABC e a capital. Alexandre disse ser importante para os profissionais que compartilhem com suas equipes e as pessoas, de forma geral, esse tipo de vivência, pois “mostra que já esteve naquele lugar e passou por muitas dificuldades para chegar lá e realizar seus sonhos”. “É duro (trabalhar e estudar, pegar transporte coletivo), é difícil, mas dá pra fazer”, salientou.

Um pouco mais para frente em sua carreira, no período em que esteve na KPMG, para conquistar uma promoção de acordo com o sistema de pontuação da empresa ele precisava ter mais conhecimento da língua inglesa. “Em vez de eu entrar em um curso regular de alta qualidade, optei pelas facilidades das aulas particulares e isso foi um erro. Porque você acaba se enganando: liga para o professor cancelando a aula, não faz a lição de casa etc. Hoje, conhecendo mais a fundo e refletindo sobre isso, para se aprender inglês é imperativo ter muita disciplina e perseverança, além de repetição e exposição ao idioma.”

Aprendizado em outros países – Em 2003, ele partiu para um curso de inglês em Toronto, Canadá. “Outra decisão errada, porque escolhi um dos países mais baratos para estudar. Para se ter uma ideia, a secretaria da escola de lá tinha uma equipe de brasileiros dedicada para atender brasileiros”, notou Alexandre referindo-se ao fato de que interagiu pouco com outras nacionalidades para aprender o idioma.

Ele comentou que as suas férias de um mês na África do Sul, antes de embarcar para o Canadá, valeram muito mais, como aprendizado. “Morava com uma família muçulmana. E conversávamos muito em inglês sobre religião e sobre o Brasil, Carnaval, futebol, no horário do jantar.” Na escola de idiomas, o grupo do executivo era formado por um francês e um alemão, o que potencializava o aprendizado do inglês ainda mais.

Importância do controle da ansiedade – Entre os erros e acertos de sua jornada, Alexandre destacou que, se pudesse fazer algo diferente, tentaria ser menos ansioso. “Teria vivido melhor esses 25 anos. Teria até sido mais feliz, se tivesse sido 1/3 menos ansioso.” O executivo reconheceu que essa equação é de extrema dificuldade: “Queremos fazer, ‘chegar lá’, sermos reconhecidos e tudo isso cada vez mais rápido. Mas, na verdade, temos que fazer nosso melhor e darmos tempo ao tempo, que os reconhecimentos e as conquistas virão, sempre com trabalho árduo e muito estudo”, destacou.

Em 2009, aos 35 anos, Alexandre poderia ter cursado um MBA fora do país, mas acabou desistindo. “Eu não era casado, não tinha filhos, então não tinha impedimentos. Passar 18 meses ou dois anos fora do país, me dedicando ao estudo, teria sido uma vivência enriquecedora. Além da experiência pessoal, o mercado valoriza e é possível financiar (o pagamento do curso) no longo prazo. Eu não segui meu coração; segui a razão e me arrependo um pouco.”

Promoção de CFO para CEO – Antes de assumir como presidente do Cel.Lep em 2017, Alexandre havia trabalhado por cinco anos na instituição como CFO. Além de ter gerenciado todas as áreas financeiras e administrativas, incluindo RH, Jurídico e TI, implantou todo o processo de turnaround, bem como a estruturação da dívida (LBO). Atuou também no processo de expansão, inclusive nas operações de M&A, além da elaboração do planejamento estratégico da companhia.

O executivo disse que um CFO pode ser “duro e exigente”. Já para um CEO, que é um cargo mais “isolado” e de “última instância”, uma postura mais dura deve ser a “exceção das exceções”. “O CEO tem de ser democrático para ouvir e autocrático para decidir, sempre com bom senso, com base no que ouviu de seu time e no seu próprio julgamento. O presidente precisa necessariamente olhar a organização vislumbrando o médio e o longo prazo.”

A primeira filha do executivo, Maria Helena, nasceu em julho de 2017, no mês da comemoração de 50 anos do Cel.Lep, e logo após sua promoção ao cargo de presidente. Bem-humorado, ele contou que após ter assumido o principal posto da empresa, os colegas diretores não o convidavam mais para almoçarem juntos. Para dividir esse e outros dramas com colegas na mesma função, ele participa de fóruns de CEOs.

Como dica aos participantes do encontro, Alexandre recomendou que, tão logo entrem em uma nova empresa, passem a entender rapidamente os meandros daquele business; daí a necessidade de estudar muito. Ele sugeriu que os executivos ajudem as equipes que comandam a ver que as finanças pessoais são superimportantes para quem quer gerir o caixa de uma empresa. “Se você não faz dentro de casa o certo, como vai querer criar credibilidade para fazer na organização?”

Atualmente Alexandre é membro do comitê executivo para CEOs e Presidentes da AMCHAM e diretor-vogal do IBEF-SP.

IBEF Jovem – O IBEF SP promove encontros de Mentoring, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento da carreira, por meio do diálogo e do aconselhamento com líderes experientes. A iniciativa é patrocinada pela empresa Antecipa, focada no mercado de antecipação de recebíveis. www.antecipa.com

Deixe um comentário