Cenário atual exige maior resiliência de CFOs e foco em soft skills

As competências comportamentais (soft skills) já eram abordadas e trabalhadas dentro das companhias há algum tempo, mas diante do atual cenário de crise, decorrente da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), essas habilidades serão cada vez mais exigidas dentro das organizações, especialmente dos profissionais de finanças. O tema foi abordado no Webinar Certificação CFO, realizado pelo IBEF-SP na sexta-feira, 17 de julho, com o tema Os Principais Hard & Soft Skills na Carreira do CFO. 

Participaram do debate Luis Felipe Schiriak, Presidente do Conselho de Administração do IBEF-SP; Cynthia Hobbs, CFO, atuante no IBEF Mulher e líder do grupo de trabalho de Educação Continuada do IBEF-SP; Jamile Aun, VP de Finanças LAM, atuante no IBEF mulher e membro do Women Corporate Directors; Ernesto Schlesinger, Diretor Financeiro e Tributário da Logicalis Brasil; e Alexandre Benedetti, Diretor da Talenses e membro do grupo de trabalho de Educação Continuada do IBEF-SP, que mediou o painel, enfatizando que esse tipo de tema precisa ser debatido, principalmente, em um cenário pós-pandemia. 

Para Luis Felipe Schiriak, o projeto de certificação requer um esforço, e foram investidos mais de cinco anos de planejamento do IBEF-SP nesse sentido. “A execução desse projeto superou muito a minha expectativa, e temos mais de 160 executivos certificados, atraindo mais pessoas para o Instituto”. Segundo ele, o papel do CFO evolui constantemente, assim como as próprias empresas e até a sociedade. Compartilhando essas experiências, os participantes falaram sobre os equilíbrios entre soft skills e hard skills dentro das empresas. 

Eles destacaram a importância da educação continuada aos CFOs para que mantenham, inclusive, o desenvolvimento dessas competências em suas posições.  Cynthia Hobbs explicou que através dos créditos de cursos, os CFOs conseguem manter sua certificação junto ao IBEF-SP. “Nas discussões iniciais do projeto, identificamos que os cursos deveriam visar o aprimoramento contínuo e empregabilidade do CFO. Por isso, foram convidados headhunters, que estão recrutando CFO no mercado e têm a informação sobre as competências mais demandadas pelas empresas, além de líderes da área de Recursos Humanos”, disse. 

Hard Skills x Soft Skills Continuar a estudar e ter valores como a transparência, trabalhar em equipe são considerados pontos fundamentais para progredir na carreira na visão de Jamile Aun sendo inegociáveis. Para ela, soft skills sozinhas não cobrem esses valores. “A inquietação é positiva para questionar e tentar fazer algo melhor, de maneira correta, rápida e eficiente, ter em conta que aquilo será base para uma decisão”, destaca. “A informação não é pasteurizada, é bom olhar o que você está gerando e para que será usado no processo decisório. A visão holística também é importante, e trabalhar além do job description”, pontua. 

Equilibrar essas características com hard skills é uma habilidade que um profissional de finanças deve desenvolver, mas Ernesto Schlesinger acredita que jovens que almejam o cargo de CFO ainda estão prezando mais hard skills, que são importantes, porém, muitas vezes, já ficaram para trás. “É preciso ter mais equilíbrio, pois o CFO de hoje precisa ser mais fora da caixa, e isso é um grande desafio”, diz. Segundo ele, dentro da área financeira, a hard skill é valorizada, mas provavelmente os líderes vão comandar times com muito soft skills, e por isso é importante balancear os dois pontos.

Schiriak ressalta que são as soft skills que devem ser trabalhadas, enquanto as hard skills já devem ser o básico dentro do perfil do CFO. Além disso, é preciso ter a certeza que há uma equipe que o apoia e que está atuante. “Somos CFOs provavelmente na região mais difícil do mundo. Por isso, além da hard skill, temos que ter adaptabilidade, politicamente e socialmente, por estarmos em uma região instável”, diz. “As hard skills não reduziram, mas as soft skills exigem muito mais”. Delegação e a importância de montar bons times foi outro ponto ressaltado por Schiriak. Além disso, o CFO deve sentar à mesa com para entender o negócio tão bem quanto os demais colegas. “É esperada uma contribuição material, e para isso é preciso conhecer o negócio”, complementa.

Essas habilidades levam o profissional de finanças a ser parceiro do negócio, e não um bloqueador, e essa é a postura que Schlesinger sempre adotou na sua posição de CFO nas empresas. “Muita gente trabalha na área financeira, mas tem pouca curiosidade e mal sabe o que a empresa faz, ou como funcionam os processos mais importantes dentro de uma organização”, ressalta. A resiliência também foi citada como uma skill de peso. “O mundo corporativo não é para amadores. Precisamos ter resiliência para as dificuldades que vamos passar. Isso leva o CFO para caminhos mais duradouros dentro da companhia”, complementa. 

Abordando um pouco a área tributária, na qual tem experiência, Schlesinger diz que os ganhos desse segmento ocorrem através de técnica e gestão. “Antigamente, a área tributária era vista como transacional, de nota fiscal e lançamento de documento para pagamento de imposto, e hoje é uma área estratégica, que agrega valor dentro do resultado”, diz. Jamile Aun complementa dizendo que a área de Tax deve atuar no dia a dia junto ao CFO, pois os impostos podem ser vistos como inviabilizadores de negócios e se mal geridos realmente podem ser, mas, por outro lado, se bem administrados e com o correto planejamento, podem gerar um diferencial competitivo. “É essencial esse trabalho conjunto”.

Nessa linha,as soft skills também fazem diferença e dão maior visibilidade dentro das organizações, e segundo Cynthia Hobbs, as oportunidades surgem a partir daí. “Sempre busquei trazer resultados melhores para as companhias onde trabalhei”, diz. “A característica da curiosidade também me ajudou bastante, sempre envolvida com o negócio. Isso me deu maior amplitude nas discussões”. Ela ressalta que a área financeira deve, junto com as demais áreas da companhia, entender e viabilizar os projetos, compreendendo a demanda e não apenas negando o que aparece. A comunicação foi enfatizada também por Cynthia. “Muitos problemas corporativos vêm da falta de transparência na comunicação”, destaca.

Empatia, liderança e diversidade – A empatia ficou mais evidente no momento atual de transformação, diz Ernesto Schlesinger, e o papel do CFO está cada vez mais se colocar no lugar da outra pessoa e entender que os pensamentos estão mais avançados. Ele diz que, como líder, o CFO precisa capturar o valor de cada indivíduo. “Aconselho a todos a se abrirem para esse tipo de convergência”. Administrar minorias, comunidades e liderar indivíduos está cada vez mais evidente nas atribuições do CFO. Jamile Aun enfatiza que times são formados por pessoas com aspirações, vontades e demandas diferentes, e tanto a visão dos clientes como dos times internos são conversíveis para o objetivo da empresa. 

A diversidade é um grande desafio a ser trabalhado nas empresas, e Cynthia Hobbs ressalta que a participação das mulheres dentro do quadro de CFOs ainda é muito pequena, além da atuação em conselhos de empresas ser extremamente baixa. “A complementaridade dos gêneros é o que faz a diferença e traz valor às organizações. E ainda temos um caminho longo a seguir nesse sentido”, destaca. Schiriak complementa dizendo que é importante avaliar porque ainda há essa diferenciação dentro das companhias para que oportunidades se abram para todos igualmente.

Essential SkillsConhecimento, diversidade e meio ambiente são agendas que devem ter o foco dos líderes e não podem estar marginalizadas na cadeira de um CFO. Além disso, a transformação digital é um caminho sem volta, segundo Schlesinger. “O CFO é chave para esse processo”, destaca. “Essa skill deve estar contida no perfil do CFO, que precisa saber como aplicá-la. Muitas vezes, chegamos no cliente através do CFO que está pensando em longevidade, perpetuidade, agregação de valor e eficiência, e ele deve agir junto com o CIO, CEO e COO para que a transformação digital ocorra dentro da organização”.

Cynthia Hobbs diz também que o processo digital das empresas foi acelerado após o início da pandemia do novo coronavírus no Brasil, gerando consequências positivas na produtividade, que teve um aumento a partir da implantação do home office. “No mundo financeiro e pós-pandemia, precisaremos ser mais flexíveis e resilientes”, destaca, enfatizando que o aprendizado contínuo é importante para manter essa evolução. “A essential skill de querer aprender mais é o divisor de águas para continuar sendo bem sucedido”, complementa. 

Certificação CFO – O IBEF-SP iniciou seu programa de certificação CFO (BR)® em 2018, e hoje já conta com mais de 160 CFOs certificados. O candidato à certificação CFO (BR)® deve comprovar experiência profissional de pelo menos cinco anos como executivo de finanças em empresas ou instituições com receita líquida anual superior a R$ 100 milhões. Pelo menos metade do tempo de experiência deverá ter ocorrido nos últimos três anos. O programa abriu também a certificação para as modalidades de controller e tesoureiro. Saiba mais em https://ibefsp.com.br/certificacao

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