Diretoria Vogal realiza reunião por videoconferência e aborda impactos da crise nos setores

Diretoria Vogal realiza reunião por videoconferência e aborda impactos da crise nos setores

Diante do cenário de contenção da disseminação da pandemia do no novo coronavírus (COVID-19), a Diretoria Vogal do IBEF-SP realizou nesta sexta-feira, 27 de março, pela primeira vez, uma reunião totalmente on-line, na qual estiveram presentes cerca de 70 participantes, a grande maioria CFOs e líderes de finanças em suas empresas. O intuito da reunião foi abordar os principais impactos da atual crise nos diferentes setores. A reunião foi conduzida pela 1ª Vice-Presidente do Instituto, Luciana Medeiros, que é sócia da PwC e destacou na abertura do evento os desafios pessoais e profissionais que todos passam no atual momento. “Essa trajetória modifica a todos e estamos correndo atrás pra ficarmos atualizados. Dentro desse universo, para apoiar os associados nessa jornada, trouxemos uma nova dinâmica via web, e estamos preparando outros eventos on-line”, disse.

Luciana reiterou a participação, da reunião, das consultorias Deloitte, KPMG e PwC, que contribuíram com uma visão sobre o atual cenário de crise que o país se encontra e possíveis ações para minimizar os impactos, principalmente, nas empresas. Anselmo Bonservizzi, da Deloitte, iniciou a apresentação destacando que desde que o coronavírus chegou ao Brasil, a consultoria tomou uma iniciativa de atuar junto ao governo para ajudar na busca de informações e estruturar determinadas medidas. “Fizemos um trabalho pensando na saída, em como atravessar essa crise, que não é fácil pra ninguém, mas vimos que alguns estavam menos preparados, outros em uma situação melhor, mas ninguém está confortável”, reiterou.

Resposta à crise – Analisando a situação econômica, Bonservizzi destacou que a situação de liquidez e caixa das empresas é crítica neste momento, pois disso depende a sobrevivência das empresas. “Algumas iniciativas estão andando, mas ninguém está tão preparado assim. Outro ponto que preocupa o setor é a logística, e governos estaduais têm revisado suas políticas para manter estradas abertas e a infraestrutura que suporta essas estradas”. O consultor adiantou também alguns pontos a serem divulgados em um paper preparado pela Deloitte para orientar sobre a crise. “Entendemos que todas as empresas estão empenhadas em manter a saúde dos profissionais. A maioria que consegue fazer home office faz, mas quem consegue produzir deve fazê-lo dentro dos critérios de segurança”, destacou.

Ele ressaltou a necessidade de definir prioridades praticando uma visão do longo prazo. Entre os principais pontos a serem trabalhados pelas empresas está a governança, com auxílio de um comitê de crise, estratégias de comunicação em linha com stakeholders, as relações trabalhistas, capital de giro e liquidez, a relação com fornecedores e clientes, e tecnologia.

Resiliência – Em seguida, André Coutinho, da KPMG, destacou a necessidade de um trabalho feito com muita resiliência, e de forma colaborativa. “Fato é que há pouco conhecimento sobre o que deve ser feito. Há de se tomar cuidado com isso para não propagar informações que não são assertivas”, destacou. Para orientar quem exerce papel de liderança nas companhias, Coutinho alertou para o cuidado na forma de se comunicar, pois não há certezas, mas é possível trabalhar em fatos com calma para poder tomar a melhor decisão. “Na gestão financeira, acreditamos que o custo de capital deve aumentar, mas haverá uma redução de receita e nesse momento é preciso separar gastos dispensáveis dos indispensáveis, e monitorá-los”. Ele ressaltou ainda a importância de se estabelecer comitês de crises que trabalhem em protocolos antes de uma situação adversa ocorrer. “Minha dica é que, quando acabar essa crise, que convoquem seus times de gestão de riscos e compliance e façam um protocolo estabelecido para a gestão de crise, pois ele faz diferença na condução dos negócios”. 

Unir forças – Hercules Maimone, da PwC, iniciou sua apresentação destacando a importância de se unir forças para enfrentar esse cenário desafiador. “A PwC trabalhou com a Organização Mundial da Saúde para traçar cenários sobre a evolução da COVID-19, uma perspectiva que foi sendo amadurecida”. Ele disse que ações tomadas pelo governo, como quarentena e isolamento social, fazem com que se tenha algum controle sobre a disseminação da doença, mas que foram traçados ainda panoramas com base em um aumento grande dos casos até 2021 e outro que contempla êxito das medidas adotadas em baixar a curva das contaminações. “Entendemos que isso deve perdurar entre 2020 e 2021, pois a linha de combate efetiva acontecerá com a vacina”, destacou.

Os cenários traçados pela PwC trazem uma abordagem sobre como fazer a gestão de crise. “Temos uma perspectiva de governança, comunicação, impacto nos aspectos financeiros e impostos, e avaliamos a perspectiva da legislação trabalhista, e essas capacidades devem ser analisadas à luz desses cenários”, disse Maimone. “Vamos ter muitos desafios importantes, mas será distinto o tempo de resposta. Já estamos apoiando hospitais nos aspectos de gestão, em especial no estabelecimento do comitê de crise, e ajudamos a aumentar a capacidade de respostas dentro da telemedicina”, destacou.

Rodada dos setores – Ao final das apresentações das consultorias, o conselheiro de administração Charles Putz iniciou a rodada de setores falando um pouco sobre as diferentes divisões em que tem atuado. “No setor de energia, apesar da crise, estamos vendo M&A ocorrendo. Na BR Properties, aproveitamos a oportunidade de fazer buyback de ações. Também atuo no conselho do Porto de Santos, que é uma operação complexa, que não pode parar, e todas as medidas de higiene foram tomadas, e as operações seguem quase que normalmente”. Ele ressaltou ainda que os líderes das companhias têm que lidar com o paradoxo de serem muito honestos no atual momento, mas encontrando um racional para que todos tenham esperança, dando perspectiva e luz no fim do túnel. “Tudo é muito incerto, e para isso temos que ter capacidade de rever as decisões”, complementou.

Tecnologia – No setor de tecnologia, Ednaldo Silveira, CFO do Google na América Latina e Canadá, compartilhou ações que a empresa tem realizado para minimizar os impactos da crise nos negócios. “Já tínhamos comitês de crise e recuperação de desastres, e foi uma de coisas essenciais para conseguirmos tomar decisões rápidas. Na América Latina, colocamos os colaboradores em trabalho remoto, mas nas configurações da perspectiva da empresa que é de tecnologia, se tornou mais fácil fazer isso acontecer. Criamos comitês globais e regionais para ter a comunicação com funcionários, e um site com informações e políticas da empresa”, disse.

Do ponto de vista financeiro, o Google criou um comitê para mapear os riscos operacionais, evitando ruptura do funcionamento dos negócios. “Temos feito reuniões diárias. Lançamos ainda um site com uma série de dicas sobre como manter a performance no home office, cuidando da saúde e gerenciando o negócio”, complementou.

Saúde – No setor de saúde, Helena Pecora Galan, CFO da Eli Lilly, destacou a experiência da indústria farmacêutica diante do atual cenário, ressaltou que o mercado cresce uma média de 12% ao ano no Brasil, e é um mercado sólido, porém, muito complexo. “O Lilly vive seu melhor momento no país, com maior faturamento da história, crescemos dois dígitos no ano passado, e carregamos uma grande responsabilidade no cenário de coronavírus, onde as pessoas com diabetes, que é a nossa maior área de atuação, possuem grande risco. Portanto, nossa prioridade tem sido garantir supply e distribuição de medicamentos”.

Helena ressaltou que para poder atender a essa demanda, a principal prioridade foi a segurança dos funcionários. “Parte está em home office, mas temos fábricas em funcionamento para continuar produzindo nossos medicamentos. Temos trabalhado em conexão com o time para termos respostas e ajustes rápidos. Globalmente, a Lilly também está estudando anticorpos para um possível tratamento e prevenção da COVID-19 e esperamos iniciar testes clínicos nos próximos quatro meses, engajados em combater essa epidemia global. É uma honra participar desse movimento”, complementou.

Magali Leite, CFO da Beneficência Portuguesa (BP), abordou o nível de pressão expressivo pelo qual a indústria na qual atua está passando. “Saímos de 2019 com performance boa, crescendo mais de 10% em receita, estávamos em um caminho de agenda de expansão e aquisição, que se estenderia para 2020, mas no começo do ano, tomando ciência da crise do coronavírus na China, percebemos uma lenta redução de demanda”. Em fevereiro, com a explosão da crise italiana e aparecimento dos primeiros casos de COVID-19 no Brasil, cientistas brasileiros passaram a ter mais entendimento sobre a mutação do vírus, o que ajudou no desenvolvimento de testes e diagnósticos. “Ao mesmo tempo, os comitês de crise foram implantados na BP, aumentando as atividades preventivas contra aumento dos casos, e tivemos ainda impacto de redução de receita quando diminuímos atendimento de cirurgias eletivas dentro do hospital, seguindo a recomendação da OMS”.

Dentro do comitê de crise, a BP realizou uma série de iniciativas, como o fortalecimento da equipe para fazer gestão do atendimento em pronto-socorro, revisão de protocolo, equipes em home office imediatamente, além de iniciativas para garantia de liquidez, foco no caixa, e gestão de crédito mais intensa perante os bancos. “Disponibilizamos leitos para pacientes com COVID-19, temos um trabalho operacional forte da equipe assistencial, e trabalhamos com crise intensa nos primeiros quadrimestres, prevendo retomada a partir de setembro”, complementou.

Encerramento – José Claudio Securato, CEO do Saint Paul, encerrou a rodada como conselheiro do IBEF-SP falando um pouco sobre o setor de educação, onde atua. “Temos um desafio para tornar as operações on-line, até por uma resistência que existia no passado, embora seja uma tendência. Essa é uma grande oportunidade de investimento nesse processo de digitalização”. Sobre a apresentação dos demais setores, Securato expressou a preocupação de todos na formação de um comitê de risco no tratamento da crise, além da adoção de medidas financeiras em itens como caixa e operação. “Em relação a liderança, sempre foi exigido de nós resiliência, e é hora de agir assim. Temos que começar a nos preparar para o impacto de líderes e ficarmos abertos a mudanças”, complementou.

Luciana Medeiros encerrou a reunião agradecendo aos participantes, os convidados, e os mantenedores do IBEF-SP.

 

 

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