IBEF Conecta – Jovem: CFOs compartilham as experiências da jornada de IPO de suas empresas

As oportunidades, os desafios e as transformações das empresas e dos profissionais envolvidos na jornada de abertura de capital foram assuntos do Seminário IBEF Conecta – Jovem. Intitulado “Mesa Redonda – A Jornada do IPO”, o evento foi realizado no dia 17 de novembro, com o patrocínio da Antecipa. 

O Seminário teve como convidados André Spolidoro, CFO da Vtex, Cynthia Hobbs, CFO da GetNinjas e Emílio Sanches, CFO da Estapar.  A moderação foi realizada por Sandra Calcado, Head de Estratégia, RI e ESG na Log-In Logística Intermodal. 

Desafios do IPO – Cynthia Hobbs afirmou que o IPO – oferta pública inicial de ações – é um processo caro, motivo pelo qual ela aconselha que a empresa tenha reservas financeiras suficientes para enfrentá-lo. Outro ponto muito importante se relaciona à preparação das demonstrações contábeis, financeiras e de governança em linha com o que será exigido para uma companhia de capital aberto. Por fim, Hobbs ressaltou que é fundamental que a empresa tenha um objetivo e saiba fazer um bom pitch aos potenciais investidores. “Você está vendendo a empresa para novos sócios. Os futuros acionistas estão comprando uma história de crescimento, o que a companhia pode entregar nos próximos anos. É fundamental ela esteja preparada para que não haja complicações”. 

Ainda sobre desafios, André Spolidoro relatou que entre as dificuldades encontradas pela VTEX, vista a decisão de fazer o IPO nos Estados Unidos, estava a necessidade de adaptar todos os padrões contábeis e realizar nova auditoria devido à troca do real pelo dólar como moeda funcional.  

Antecipação dos preparativos e papel do CFO – A dica de Emílio Sanches é que a empresa já opere como uma empresa de capital aberto mesmo antes do IPO, adequando seus processos. Assim, quando a janela de oportunidade para a abertura de capital surgir, a companhia estará preparada. Segundo o CFO, a oferta não é um fim, mas um “processo de meio, uma alternativa de financiamento no qual cada empresa o utiliza segundo sua necessidade, que pode ser liquidez para o investidor, liquidez para realizar investimentos, seguir um plano de negócios ou outros usos”.  

Em linha com os demais palestrantes, André Spolidoro afirmou que a empresa e o CFO têm de se preparar com antecedência. “A VTEX sempre teve o IPO em mente e já tinha o passo a passo elaborado. Nós, como CFOs, temos que antecipar o que o investidor e o CEO irão fazer. Eu tinha que me preocupar em adiantar os processos, a estruturação da empresa e do meu time, ao invés de esperar a hora que os controladores decidissem fazer a oferta”, relatou o CFO. 

Habilidades requeridas – Cynthia Hobbs disse acreditar que para desempenhar de forma otimizada a função de RI – Relações com Investidores, o profissional deve dominar a contabilidade, que é o estágio primeiro no início da carreira, mas principalmente ter experiência com FP&A (financial planning and analysis). “FP&A é a área que consolida os resultados da companhia, que tem o pitch, que sabe o que está acontecendo na empresa e tem o entendimento do business. Isso é fundamental para a área de RI, pois o profissional dessa área é quem vai vender a companhia para o mercado financeiro. E para fazer uma boa venda você precisa conhecer o negócio”, completou a CFO da GetNinjas. 

Diferentes emissões – Hobbs explicou ao público as diferenças entre as diversas formas de emissões e os cuidados que devem ser tomados. Segundo a CFO, todo IPO apresenta a emissão primária – “um recurso que vai entrar no caixa da companhia que proporciona um aumento de capital” – e aquela secundária, cujos “recursos são distribuídos para os acionistas atuais, isto é, aqueles anteriores ao IPO”. Hobbs alertou que muitos investidores não veem positivamente uma oferta secundária quando os fundadores ou executivos da companhia estão vendendo uma participação. “Portanto o discurso para o mercado, esse pitch de venda da necessidade da oferta secundária, é muito importante e deve estar muito bem elaborado”. 

Âncoras – Por outro lado, um fator que pode contribuir para o sucesso do IPO de uma companhia é a presença de um investidor âncora de relevo (ou muitos investidores). Esse tipo de investidor é fundamental, pois já demonstra interesse no IPO antes mesmo do booking, dando ancoragem para a operação. “Se você consegue uma alta ancoragem na fase pré-roadshow, há indícios de que sua oferta está muito bem encaminhada. Caso você tenha âncoras de renome, isso pode servir como vitrine e favorecer o surgimento de outros fundos interessados” 

Bolsa americana – Questionado sobre a escolha de realizar o IPO nos Estados Unidos, Spolidoro relatou que a Vtex fez uma análise dos custos e benefícios. A bolsa brasileira apresentava vantagens relacionadas à velocidade de preparação de todo o processo, como, por exemplo, a possibilidade de manter os padrões contábeis já utilizados pela companhia. “Eu teria mais informação para o mercado e mais agilidade. Acredito que na bolsa brasileira teríamos feito o IPO seis meses antes. Porém o meu livro de relacionamentos era maior com investidores de e-commerce estrangeiros e outras empresas ligadas à tecnologia software fora do Brasil. Além disso, nossos investimentos eram muito focados no estrangeiro e também pensávamos no branding de expor nossa marca internacionalmente”, explicou o CFO da multinacional de tecnologia.  

Fatores de sucesso para o IPO – Emílio Sanches, valendo-se de sua experiência, afirmou que é importante planejar e construir o IPO ao longo tempo. Durante as diversas etapas, nos roadshows, na interação com os investidores, os executivos aprendem muito, sendo que surgirão adaptações e aperfeiçoamentos no pitch da empresa. “A credibilidade que você constrói, a educação e o aprendizado ao longo da jornada anterior ao IPO são fundamentais para conhecer melhor os pontos fracos e fortes dos investidores. O CFO deve entender os números, saber vender, entender, responder e também quando ficar calado para que no dia do IPO tudo flua na melhor maneira”, concluiu o executivo.  

Depois do IPO – Spolidoro afirmou que a abertura de capital foi uma “quebra de paradigma” e uma “melhora de vida” para a organização em que atua. Todo o processo de preparação do IPO contribuiu para que os altos executivos se distanciassem um pouco da operação da empresa e pudessem se voltar novamente ao empreendedorismo e perseguir novas possibilidades, fronteiras e oportunidades ligadas ao business da companhia.  

day after se relaciona também a um maior e melhor controle das operações da empresa. “Hoje temos muito mais olhos atentos à nossa companhia e isso me deixa muito mais tranquilo. Tenho uma vida melhor nesse sentido e com a cabeça mais aberta para procurar o que nos fará continuar crescendo nos próximos 15 ou 20 anos”, concluiu o CFO da Vtex. 

O vídeo da live, com todos os assuntos abordados, ficará disponível para acesso exclusivo dos associados do IBEF-SP. 

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