IBEF Conecta: Primeira mulher na presidência da ABBC compartilha sua trajetória profissional e temas na agenda do mercado financeiro

“Todos estão percebendo a importância do tema porque sempre quando existe diversidade na alta liderança – racial, de gênero ou qualquer outra – existe ganho comprovado. Estudos mostram que empresas com diversidade de gênero nas suas altas lideranças tem 21% a mais de propensão de obter resultados acima da média”, afirma Sílvia Scorsato, primeira mulher a presidir a ABBC – Associação Brasileira de Bancos. 

Ela foi a convidada da live “IBEF Conecta-Mulher: Encontro com CEO”, realizada pelo IBEF-SP no dia 09 de setembro. O bate-papo com a diretora de ESG do Banco Sofisa teve como host Ava Cohn, membro do Comitê do IBEF Conecta – Mulher, conselheira fiscal suplente do Banco Bradesco e conselheira de inovação certificada. 

Magali Leite, vice-presidente responsável pelo IBEF Conecta, lembrou que a iniciativa do Instituto está voltada a maximizar o valor da diversidade, incentivando uma maior integração entre gêneros no ambiente de negócios, e também possui um núcleo destinado aos jovens associados. Em complemento, Ava Cohn destacou o papel do Instituto na promoção da igualdade e da diversidade: “O IBEF Mulher foi criado há 12 anos para incentivar e estimular a participação de mais mulheres no Instituto. Hoje o IBEF Conecta reúne 262 associadas, representando a área de finanças de todos os principais setores da economia.”  

Trajetória de sucesso – Para Sílvia, que possui mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro, a jornada para atingir uma posição de destaque e liderança requer proatividade e disposição para contribuir. Deve-se acreditar no trabalho, buscar a confiança para receber mais responsabilidades, procurar participar ativamente das ações e aprimorar os soft skills. “É uma junção enorme de coisas que se tem de buscar para alcançar uma posição de relevo. Eu acho que o diferencial é muita dedicação, comprometimento, o gostar do que se faz. Ao fazer o seu trabalho, você acaba colhendo os frutos da dedicação.”  

Presença feminina – A speaker ressaltou que atualmente existe no mercado de trabalho um incentivo muito maior à participação das mulheres na alta liderança. Em termos de números de funcionários, a situação se apresenta balanceada, mas em termos de liderança ainda não. Todavia, destacou que a liderança feminina vem se fortalecendo, ganhando espaço não só no mercado financeiro. “Todos estão percebendo a importância disso porque sempre quando existe uma diversidade na alta liderança – racial, de gênero ou qualquer outra – existe um ganho comprovado. Estudos mostram que empresas com diversidade de gênero nas suas altas lideranças têm 21% a mais de propensão de obter resultados acima da média”, destacou. 

Como investir na carreira financeira – Segundo Scorsato, as mulheres necessitam persistir e não se sabotar. Muitas vezes essas barreiras se refletem na autocrítica excessiva ou na crença de não estarem preparadas ou plenamente capacitadas para assumir posições de liderança. “A mulher precisa arriscar um pouco mais, mostrar o desejo de assumir uma liderança.”  

Sobre os diferenciais necessários para a carreira, a speaker ressaltou que historicamente a mulher é mais “testada” ao assumir cargos de liderança, geralmente começando, por exemplo, com uma posição de comando em uma área técnica. É preciso estar preparada para enfrentar esses testes, buscar conhecimento, equilíbrio, posicionamento seguro, técnica, capacitação e fazer bom uso dos soft skills.  

Essas, porém, são apenas algumas das características que ajudam no percurso profissional. Atualmente, existem outras que são igualmente necessárias, independente de gênero. “Homens e mulheres que almejam cargos de liderança têm que pensar em questões ligadas à inovação, à disrupção, à experiência de cliente, à metodologia ágil, às questões de soluções tecnológicas. Os mercados cada vez mais exigem isso. Esses seriam os investimentos que devemos procurar”, completou. 

Pluralidade e agenda estratégica – A Associação Brasileira de Bancos possui atualmente 109 associadas. Ela vem crescendo nos últimos anos, apresentando uma composição diversificada que engloba bancos tradicionais, cooperativas de crédito, fintechs, sociedades diretas de crédito e cooperativas. Essa abertura para a pluralidade possibilita à instituição obter uma visão mais ampliada sobre a sociedade e o sistema financeiro. 

Sílvia destacou que um dos principais pilares na agenda da ABBC é o da competitividade, ao lado da pauta ASG (critérios ambientais, sociais e de governança) e da segurança da informação. De forma técnica e baseada em dados, a associação tenta sempre promover e criar condições para se ter uma competitividade efetiva no mercado financeiro, seja atuando junto aos órgãos reguladores, seja oferecendo também um hub de serviço para as associadas, buscando auxiliar na redução de custos destas, em especial das instituições menores que não possuem escala que permita oferecer determinado tipo de serviço ou um desenvolvimento próprio. “A ABBC promove ainda apoio em questões relacionadas ao open banking, Pix e inovação. Tudo isso está ligado à competitividade”, frisou. 

Outro pilar que está na agenda da associação com muita força é o tema do ASG. Segundo Scorsato, nesse momento “o foco é a conscientização das associadas com relação ao valor que o tema pode trazer, quão importante ele é e que o mercado financeiro é parte dessa transformação.” Destacou ainda projetos da Associação nessa vertente, com a oferta de treinamentos para liderança feminina, para jovens aprendizes e para pessoas com deficiência.  

Destacou ainda a questão da segurança da informação e da prevenção a fraudes. “O mercado – não somente o financeiro – está muito impactado pelos ciberataques. Preocupamo-nos como tornar o sistema financeiro mais seguro e como conscientizar os clientes com relação aos riscos associados. Essas seriam as três principais bandeiras presentes na agenda da ABBC”, concluiu. 

Open banking – A speaker afirmou que a ABBC vem trabalhando junto com o Banco Central, estando muito inserida e participando ativamente nessa questão. O open banking trará muitas possibilidades para o consumidor. Será uma plataforma aberta na qual o cliente poderá, caso queira e autorize, compartilhar os seus dados cadastrais e financeiros com outras instituições com as quais não possui relacionamento para uma determinada finalidade e por um período de tempo específico.  

Com isso, o consumidor poderá obter propostas de crédito mais rápidas, eventualmente com melhores taxas, produtos customizados porque ele conseguirá facilmente transferir as informações do seu histórico financeiro para outra instituição. “O open banking é uma estrutura realmente bem complexa de possibilidades, vai gerar mais competitividade com novos players entrando e sobreviverão aqueles que tiverem mais capacidade para oferecer as melhores experiências, os melhores serviços, as melhores condições para o consumidor”, destacou. 

Assimetria regulatória – Ava Cohn questionou a speaker com relação à assimetria regulatória no que tange a bancos e fintechs. A speaker relatou que nos últimos meses é possível notar uma certa polarização entre grandes bancos e fintechs. Todavia, destacou que o sistema financeiro não pode ser resumido a uma bipolaridade. Existem as instituições financeiras pequenas e médias que possuem uma participação importante no mercado e que não podem ser ignoradas, podendo preencher as lacunas entre os dois extremos. 

Scorsato relatou que o Banco Central, por exemplo, já possui uma regulação proporcional, tendo segmentado o mercado financeiro nos cinco “S” – S1 a S5 – para possibilitar uma proporcionalidade dos requerimentos exigidos e vem trabalhando novas questões, mas que outros tipos de assimetrias, como as tributárias e trabalhistas poderiam ser endereçadas para tornar as instituições pequenas e médias mais competitivas. Destacou, ainda, “que a questão da sobrecarga de atividades para atendimento dos prazos de open banking, Pix, arranjo de pagamentos, etc. sobre as instituições pequenas e médias (que possuem estrutura menor) se apresenta mais pesada. São muitas coisas acontecendo neste ano e as instituições têm desafios para conseguir administrar a agenda regulatória e poder fazer inovação, desenvolver produtos, etc. Então, algo deveria ser pensado para estas instituições para que elas também conseguissem ser mais disruptivas, investir em tecnologia, oferecer produtos ainda melhores e com menor custo para o consumidor e, consequentemente, desconcentrar mais o mercado.

Ao final do encontro, Silvia Scorsato se disse muito honrada pela oportunidade de conhecer e participar da iniciativa do IBEF Conecta – Mulher. Afirmou que a temática da diversidade é muito importante e a ABBC também seguirá essa pauta, buscando disseminar informações para que todos estejam sempre mais engajados com relação a esse tema e às questões ASG de um modo geral porque são vitais para a continuidade do planeta e dos negócios de forma sustentável.  

“Chegou a um limite em que se não olharmos para essas questões, a nossa situação realmente vai ficar complicada em um futuro muito próximo”, finalizou. 

O vídeo da live, com todos os assuntos abordados, ficará disponível para acesso exclusivo dos associados do IBEF-SP. 

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