Novas oportunidades melhoram movimento de M&A durante a pandemia

*Por Nestor Casado

Aumenta o número de transações de M&A no 3º trimestre de 2020

O número de transações de M&A no Brasil bateu recorde nos anos 2017, 2018 e 2019 consecutivamente, segundo estudos da KPMG, PWC e TTR. O ano de 2019 foi, de fato, mais ativo em fusões e aquisições de empresas no Brasil de toda a série histórica.

Entretanto, a chegada da Covid-19 teve um alto impacto no processo de M&A em alguns setores, o que consequentemente impactou o número de transações. Segundo a TTR, até outubro de 2020 ocorreram 1.309 transações no Brasil, 8,72% a menos do que no mesmo período em 2019, com um valor total de R$ 183,3 bilhões.

Ao longo do ano, após atingir o volume mais baixo em abril, com 78 transações, iniciou-se uma recuperação da dinâmica transacional, que atingiu seu auge em agosto, com 156 negócios. De fato, no terceiro trimestre de 2020 foram registradas 375 transações, com crescimento versus o segundo trimestre de 2020 de 35%, o que reverte a tendência de queda verificada durante os dois primeiros trimestres do ano.

Segundo a CAPITAL INVEST – M&A Advisors, inicialmente os sócios de empresas e investidores foram surpreendidos pelo impacto da pandemia, e algumas transações em andamento foram adiadas. Após meses de pandemia, e já com a perspectiva de uma vacina, houve retomada das negociações adiadas e novas oportunidades.

O ponto de vista do empresário: a pandemia gera novas oportunidades de M&A

A crise está tendo efeitos diferentes dependendo do setor. De um lado, turismo, restaurantes, linhas aéreas, automotivo, hotéis, alguns varejistas, etc., foram afetados negativamente. De fato, estão surgindo novas oportunidades de empresas que precisam obter capital “ponte” para superar os duros meses de pandemia. Em determinados casos, a chegada de um novo sócio é uma opção viável para obter esse capital “ponte”.

De outro lado setores tais como e-commerce, tecnologia, saúde, alimentação, incorporação imobiliária residencial, entre outros, aumentaram seu nível de atividade. Com o intuito de aproveitar as novas oportunidades de expansão e crescimento, alguns players desses segmentos iniciaram processos de captação de recursos com foco em fundos de private equity, ou simplesmente aproveitaram o impacto positivo no seu valuation para vender sua empresa.

O ponto de vista do investidor: excelente timing para adquirir empresas

Um estudo da BCG mostra que, após dois anos da transação, as aquisições efetivadas durante uma crise geram 9,6% mais valor versus as efetivadas em outros momentos.

Na prática, segundo a CAPITAL INVEST, as oportunidades de compra originadas pela pandemia, assim como os juros reais em mínimos históricos, estão incentivando investidores de vários setores a retomar sua agenda de aquisição. 

De fato, o ano de 2020 foi ativo em IPOs, e o número de transações de M&A aumentou no terceiro trimestre. Algumas das transações mais significativas nos últimos meses foram: a Nubank que captou R$ 1,6 bilhão; a Stone que comprou a tecnológica Linx por R$ 6 bilhões; e a Hypera que adquiriu um portfólio de 18 medicamentos da Takeda por US$ 825 milhões.

*Nestor Casado é CEO da CAPITAL INVEST – M&A Advisors e membro da Comissão do Mercado Financeiro e de Capital do IBEF.

As opiniões e conceitos emitidos no texto [acima] não refletem, necessariamente, o posicionamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF) a respeito do tema, sendo seu conteúdo de responsabilidade do autor.  

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