O jovem brasileiro que conquistou Wall Street

IBEF Jovem desvenda os passos que levaram o executivo Eduardo Pontes a se tornar uma das referências do business brasileiro

Eduardo Pontes chegou onde está por contar com um time lendário de colaboradores e um sócio notável. Ele deixa claro que essa premissa é fundamental para explicar o seu sucesso como executivo. Um dos fundadores da Stone Pagamentos, Pontes, de 40 anos, foi o convidado do encontro de mentoring do IBEF Jovem, realizado no dia 20 de fevereiro. Ele contou a uma plateia atenta como construiu o passo a passo da carreira que o catapultou, junto com o sócio André Street, em 2018, ao seleto clube dos brasileiros mais ilustres do mundo dos negócios.

Ousadia e inovação – Sua narrativa, ilustrada por histórias pitorescas e permeadas de frases de efeito, desperta a atenção máxima e mostra, com visível entusiasmo, como a ousadia e a inovação foram imprescindíveis para o sucesso que construiu. “Comecei a trabalhar aos 12 anos porque o meu pai não me dava dinheiro. Aos 15 anos, já ganhava um dinheiro bem legal porque fui para o ramo de importação de equipamentos de informática. Estavam abrindo os processos de importação no Brasil. Importava as peças dos EUA, montava e vendia. Lembro que fiz um dinheiro louco”, relata.

Pontes reconhece, no entanto, o quanto foi importante a vida acadêmica e a contribuição desta para o seu êxito. Formado em processamento de dados pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, possui MBA em e-business pela Fundação Getulio Vargas, e também completou o Owner President Manager Program de Harvard, em 2010. “Esse curso de Harvard foi o mais legal que já fiz na minha vida. Muda a forma do cérebro! Teve três anos de duração. O primeiro ano é mais ferramental, mais técnico. O segundo ano dá base para escalar o teu negócio e o terceiro ano é simplesmente surpreendente. O cara, na prática, simplesmente não fala em business com a cabeça que se pensa em business, mas fala em você como um cara que gere seu patrimônio, sua família, as coisas que você ama”, conta ele, com a intensidade na voz que lhe é tão peculiar quando se trata dos aspectos positivos de algum negócio.

O seu êxito, no entanto, teve vários coadjuvantes, como ele mesmo revela. E alguns costumes até meio insólitos para os ditames do universo empresarial atual. “Eu gostava de conversar com os mais velhos. Passou dos 50 anos, aí começo a me apaixonar. Sempre aprendi muito com essa turma e eles acabavam gostando muito de mim, então isso me abriu portas e também tive sorte”, reconhece Pontes, narrando as particularidades dos CFOs que mais admirou durante a sua carreira.

Novos horizontes – Sua trajetória inclui a passagem por grandes empresas como a metalúrgica Sobremetal, a francesa Essilor (fabricante das lentes Varilux), e o banco inglês Flemings. Até que ingressou na Módulo, uma companhia de soluções de segurança. “Estava ganhando muito bem nessa empresa, mas não resisti quando apareceu a oportunidade de ir trabalhar no projeto do SPB – Sistema de Pagamentos Brasileiro, iniciativa do Banco Central, para ganhar cerca de 55% menos. Não abri mão de ir para este projetos nem com ofertas de aumentos de até três vezes mais que o salário que tinha na Módulo”, afirmou, ressaltando a importância de desbravar novos horizontes em busca de aprendizado.

Seu sócio na Stone, André Street, foi desses encontros devidamente providenciados pela proclamada sorte que o abençoou. “Eu havia trabalhado com a mãe de um amigo do André, que avisou a ele: tem um menino que você precisa conhecer. Então, o encontrei e, no dia seguinte, já estávamos montando o plano de negócios e começamos a Braspag”, afirma.

A partir daí, Street e Pontes formaram uma parceria notória, destinada à criação de algumas empresas. “Toda a minha carreira conta com uma pessoa que é 100% coautora, o André Street. Ele sempre esteve presente em tudo, desde a Braspag. Sempre 50/50. Dividimos todas as decisões e todo trabalho. Não teria feito nada sem ele”, explica.

Aprendizado com a experiência – Quando se refere ao primeiro empreendimento que constituiu com o sócio, Eduardo relata, com naturalidade, os percalços que sofreu. “A Braspag foi um negócio legal porque começamos a cometer uma quantidade de erros tão grande que acabamos desenvolvendo um monte de skills que hoje fazem parte de quem somos”.

Pontes relembra com entusiasmo de alguns funcionários que passaram pela Braspag e hoje são nomes reconhecidos no mercado. “O comercial da empresa tinha o Bernardo Carneiro. Depois, ele comprou o site Blindado e nos ajudou em vários negócios. Havia uma turma muito nova e forte na Braspag. Nosso DNA tem esse negócio de ouvir brutalmente os mais velhos e apostar igualmente nos mais novos. A experiência foi ótima”, conclui, após ter citado muitos outros exemplos de colaboradores importantes, que em função da quantidade acabaram não constando nesta matéria.
A mesma desenvoltura com que fala de colegas da antiga empresa, ele direciona aos atuais investidores que ajudaram a alçar a Stone como uma das mais reluzentes empresas do País, citando, com simplicidade, nomes lendários do mundo corporativo. “Quando se olha o primeiro capt cable da Stone, se constata que era perfeito: tínhamos a família Walton, herdeira do Walmart, com o espírito de investimento baseado em valores éticos e voltado a um mundo melhor; o Greg Penner, presidente do Walmart, por exemplo, é um cara fantástico! Um grande parceiro que nos ajudou muito, sempre esteve ao nosso lado, é o Tom Petterson, da Madrone”, revela, se referindo à Madrone Capital Partners, empresa de investimentos dos EUA, administradora de parte da fortuna da família Walton, controladora do Walmart, e que tem uma fatia de 5,3 por cento nas ações de classe A da Stone.

IPO nos Estados Unidos – No dia 25 de outubro de 2018, Pontes e seu sócio André Street entravam para o panteão das empresas que fizeram história em Wall Street. Em sua estreia, a Stone captou US$ 1,5 bilhão na oferta primária e secundária, com precificação de US$ 24 por ação (superando o prospecto preliminar, na faixa de US$ 21 a US$ 23). Avaliada em quase US$ 7 bilhões, a companhia teve o IPO coordenado pelos bancos Goldman Sachs, J.P. Morgan, BTG Pactual, Itaú BBA, Morgan Stanley, Credit Suisse e Bank of America Merrill Lynch.

Engana-se, no entanto, quem pensa que esse gol de placa da Stone é capaz de deixar Pontes confortável. Ele ainda acalenta voos mais altos em novos mercados. “Acho que o setor de seguros é muito promissor no Brasil”, diz, completando que seu sonho é abrir uma seguradora.

Para os mais novos, mandou um recado que demonstra toda a experiência acumulada em seus anos de experiência no mundo de negócios. “Devemos ter 120 sócios muito jovens. São pessoas de coração enorme, de quem queremos estar do lado para sempre, que formam um time. Esse é o DNAzão da empresa”, arremata.

 

 

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